É sempre a mesma dor na partida
Partido o coração segue sem mais lágrimas
no fundo d´alma para serem choradas
Sempre a mesma decepção e agonia
O mesmo jogo na vida desalmada
Maldição de deuses, fatalismo, destino inexorável
Ela decidiu tudo sozinha, não aceitou o desafio
Cobranças, a pressão e as falhas
Vida demasiadamente humana demasiada
O rio da felicidade secara ou secará?
E todos os sonhos deixados de lado
A vida é não-planejar - só seguir em frente
Mais uma vez as lâminas das palavras
deram um talho no velho miocárdio
do velho comboio de cordas e fibras do coração
O sangue escorrendo das veias da lembrança
As mesmas juras e tantas promessas de sempre não honradas
O mesmo jogo de subordinar o amor ao dinheiro na expectativa
O mesmo jogo de provocações, ciúmes, inveja e paixões doentias
A insegurança atrapalhando o fluir do viver
nunca apostando, nunca pagando para ver
o risco da ponta da faca gelando a emoção
no corte da vida a sangue frio emocionante
sentindo o arrepio nas cosas suando frio em bicas
REBENTOS DO CELSO: Poemas, causos, memórias, resenhas e crônicas do Celso, poeteiro não-punheteiro, aquariano-canceriano. O Celso é professor de Filosofia numa Escola e na Alcova. Não é profissional da literatura, não se casou com ela: é seu amante fogoso e casual. Quando têm vontade, dão uma bimbadinha sem compromisso. Ela prefere assim, ele também: já basta ser casado com a profissão de professar, dá muito trabalho. Escreve para gerar o kaos, discordia-ou-concórdia, nunca indiferença.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
cenários potiguares
Um congresso em que o sonho se fez presente. O surrealismo, a energia e a pulsão tomando chimarrão. Para quebrar a passividade e a acomodação. Depois de ir embora mais uma vez de trem, fui assistir Na estrada, filme do ano, no cinema. A noite viajaria para longe, farpas trocadas por mensagens telepátiacas. Lendo os diários Não expurgados de Anais Nïn, após devorar os livros de Helder, Apollinaire, Nerval, a espiã na casa do amor da própria Nin entre outros tantos. Chego em Natal, o friozinho nos recebe, com chuva, na madrugada. Uma hora para chegar em Pitangui, Extremoz. As dunas e coqueiros valem a pena, compensam meus glóbulos vermelhos, assim como escorrego pelas areias nas palhas e nas sombras dos cajueiros, a noite haverá festa de são Pedro fora de época. É churrasco, cerveja, uísque, ice e tudo do bom, forró com direito a poeta cordelista do conjunto residencial Santa Catarina e Panatis. A farra vai até o dia seguinte pela manhã, bebos homens e de ressaca pelos supermercados, buscando mais bebida para curar a ressaca. Caminhamos sob a brisa, mais chuva, até a viagem de volta a Pitangui. Desejos noturnos, sensualidade desenfreada, não troco nada pela minha rede, com a brisa que só tem aqui. Muitas muriçocas, que nos sugam o sangue das pés e mãos descobertos. Anais me faz companhia, junto de Artaud e Henry Miller. Manhã passear pela praia, andando entre lagostas, polvos voadores e lulas no ar, piso sobre manjubinhas, falar com pescadores, caminhada pela areia picolé de cajá graviola. Manjando um peixinho cioba com pimenta e milho boliviano, nas dunas da lagoa de pitangui, entre coqueiros e cajueiros, tomando uma pina colada.O abacaxi levanta o seu chapéu e começa uma dança de esquibunda.
sábado, 2 de junho de 2012
Apenas procuro nos corpos, na pele, na carícia
nos sorrisos, trazer o passado de volta
Eu te procuro nas outras pessoas, mas elas não me completam
Estou sozinho - a solidão é minha única companhia
Love Hurts, diz a canção do Nazareth
O amor tem sido mesmo um cão dos diabos
só penso em você
As verdades que dizemos nos momentos
nas circunstâncias e no calor da paixão
são as que mais expressam com mais sinceridade
o que somos e sentimos
com a clareza de um relâmpago
Nossa diversão está garantida, baby
Precisamos de muito pouco para isso
Enquanto muitos não sabem o que fazer
à meia noite trancam-se em suas casas
temendo o tremor que vem da rua
Cheios de medo, com suas espingardas e fuzis,
trancados em suas mansões labirínticas
Enquanto nós respiramos o fumo-hálito da noite
Quem ousa ser diferente é tratado
como um indigente, marginal do lixo cultural
banhado pela mediocridade dos burocratas
inúteis, parasitários e censores-ditadores
que toleramos no cotidiano corriqueiro de mesquinharias
Todos os loucos e doidos varridos
os sujeitos extraordinários, estão se esvaindo
Beleléu-nego dito, Jacobina
o herói das estrelas foi-se dançando
num maracatú atômico
Esta cidade parece sufocar-te
com a sujeira e a poluição de punheta
Tomo um caldo de caramujo
em casas surrealistas
está nevando até de manhã
A moça da por trás do balcão
Da bocavermelha, carnuda
sorri, linda
A moça da por trás do balcão
Da bocavermelha, carnuda
sorri, linda
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Circulo por todos os bairros da metrópole
Pela noite, escuridão venho do velho Ipiranga
Vila Monumento, passando pelo Cambuci, Aclimação
Descendo pelo velho centro, salto na Sé
no Páteo do Colégio, nas paredes rosadas do Solar da marquesa
Eu sinto vossa presença, como que num olhar onipresente
Sei que você está me acompanhando feito um vulto gigante
Uma fantasmagoria, você é um espectro
no bairro japonês da Liberdade, desço na Praça Carlos Gomes
O caminho é sombrio, eu deparo contigo na Igreja nas almas
Passando pelo viaduto da Condessa Joaquina, as noites são tão ébrias e sombrias
Descendo pela conselheiro Ramalho, da madame satã do Bixiga
Luzes e cores, o fogo queimando, desço na bota pela Rui Barbosa
A noite me chama, a noite vela, ela me quer
Trepar em um viaduto sobre a nove de julho
no glamour da Avanhandava, circular dentre as estátuas
de Luis de Camões com seu grandioso coração
Dante Alighieri e sua amada beatrice me enche de tesão
Eu caminho muito pelas ruas todas as noites solitárias
Esperando por um contato seu, você finge que ignora
Mas sei quais são seus planos, prefiro seguir solitário
Pela noite, escuridão venho do velho Ipiranga
Vila Monumento, passando pelo Cambuci, Aclimação
Descendo pelo velho centro, salto na Sé
no Páteo do Colégio, nas paredes rosadas do Solar da marquesa
Eu sinto vossa presença, como que num olhar onipresente
Sei que você está me acompanhando feito um vulto gigante
Uma fantasmagoria, você é um espectro
no bairro japonês da Liberdade, desço na Praça Carlos Gomes
O caminho é sombrio, eu deparo contigo na Igreja nas almas
Passando pelo viaduto da Condessa Joaquina, as noites são tão ébrias e sombrias
Descendo pela conselheiro Ramalho, da madame satã do Bixiga
Luzes e cores, o fogo queimando, desço na bota pela Rui Barbosa
A noite me chama, a noite vela, ela me quer
Trepar em um viaduto sobre a nove de julho
no glamour da Avanhandava, circular dentre as estátuas
de Luis de Camões com seu grandioso coração
Dante Alighieri e sua amada beatrice me enche de tesão
Eu caminho muito pelas ruas todas as noites solitárias
Esperando por um contato seu, você finge que ignora
Mas sei quais são seus planos, prefiro seguir solitário
domingo, 27 de maio de 2012
Profetiza os traços da vida na palma da mão - uma cigana
Enquanto o senhor Xangô dá a linha dos búzios com Oxum
O exu meia noite vem trazendo tudo o que é bom
Encontros inusitados com a dama da meia-noite
O vento sopra entre árvores tristes, sangrando lágrimas em seivas
São brigas seculares de amor, passeando pela paulicéia
Praça da República com suas estátuas e Álvares de Azevedo no largo São Francisco
Continuas a ser a grande musa dos encontros fantasmagóricos, casuais, instigantes
Se vacilas o charme de pai Xangô traz outras deusas e damas e musas
Deixando-a ciumenta, mas sempre és a predileta
O tempo parece ficar no Absurdo paralisado
Voltamos a ser crianças azuis, perdida no devir espiral
As ruas ficam encantadas, árvores choram, estátuas mórbidas ganham olhos
passeando pelo Bixiga ou no grito da independência do Ipiranga
Arremessado ao vento o coração de um errante andante da noite
perdido, sem vela, sem nau, sem leme e mesmo sem rumo
Procurando por alguma batalha de alguma guerra que ainda valha à pena
Deitando uma ficha na Jukebox atrás daquela velha canção de Rod Stewart
Inundando as estações lunares da percepção
Incursões noturnas do caminhante pela paisagem da velha Roosvelt e baixo Augusta
Passeando de ônibus da República, Paulista até Pinheiros
Ruas esburacadas pelas obras do "Progresso"
Levando passageiros madrugada adentro, noites de insônia e uísque
Repletas de bruxuleantes morganas circulando pela imaginação
As idéias dos vencidos, as ilusões vem de metrô
Inundam como afluentes -
amor e ódio são fluentes em uma paixão violenta
Procurando por aqueles que ainda estão vivos
Por quem ainda tem sague nas veias dos olhos
Por quem não se enredou nas engrenagens da burrocracia
desumanizante feito um processo em tribunal da santa inquisição
Por homens e mulheres que sangram, choram, transpiram
tem raiva e seus momentos de fúria e explosão
Os que não se entregaram ao absurdo da rotina cotidiana da máquina de moer carne
E ainda procuram pela beleza e simplicidade das coisas
A jovenzinha que vem instigando e empurrando com a fúria de sua paixão
A madura e experiente sedução, com seu intelecto me completam
Só me completo com as duas - com a rebeldia e a fúria da juventude, o seu turbilhão me arrastando
junto à maturidade, a experiência e a sapiência da mulher balzaquiana
O poeta atrevido, cara de pau, malandro Zé Pelintra, poeta bandido, banido
Macunaíma, poeta da noite e da boemia, procurando por algum sorriso
e um bom par de coxas para secar no metrô às cinco da matina
Aguardando ansiosamente por alguma mensagem sua, que venha fluindo em ondas magnéticas
do alento, do encanto, da esperança romântica
Aguardando alguma notícia sua, escutando Don´t let me be misunderstood
Pedindo pelos restos de sua compreensão ou mesmo alguma mensagem desaforada sua
alguma ofensa, um xingamento ou mesmo a sua braveza significa ainda reconhecimento
Continuo o mesmo garotão com a mochila ou a sacola à tiracolo
sonhando contigo toda gordinha das faces, passeando pela casa de interior
Balada dos anjos perdidos
A noite corria tranquila. Carlos descia do cinema, havia assistido um filme, Absolute Begginers, sobre os baby boomers, o jazz do Soho, com o David Bowie, Sade, entre outros no elenco. Descia tranquilo, pela Consolação abaixo, no bairro escuro dos Jardins, passando na porta das casas em que se dizem baladinhas mais diversas possíveis. Foi cortando as ruas, cruzando-as suavemente, ouvindo o Joe Cocker esgoelando-se e alternando com a calamaria de seus blues. Também enquanto a bota mandava ver, e ele passava pelos cemitérios, olhando em busca de seu João, ouvia Koko Taylor esgoelando seus blues. Seus fones mandavam ver, passando pelas encruzas, esperando topar com um exú. Seguia seu rumo, tranquilo, procurando por uma festa, para rever os conhecidos, mas não encontrou nenhum, e nem mesmo o endereço da festa. Procurou de cabo a rabo: subiu, desceu a rua, mas não encontrou aquele número, aquele endereço, até que tangenciaram em uma informação. Desistiu, entregou os pontos naquela procura, depois de muita peleja, mas parece que no tempo em que foi comprar um lanche e um trago, esperando o buso na Teodoro, chegaram dois doidos, uma baranga loira desbocada com um malandro mamado com uma lata na mão. A mulher loira queria subir de qualquer jeito, mesmo que fosse de táxi. Perguntou a Carlos sobre ônibus, que deu-lhe a informação sobre o intervalo maior dos ônibus, na madrugada. Nisso, chegou uma moça, na verdade, com uma cara de menina, assombrada, dizendo ter sido assaltada, que tinham levado seu dinheiro, procurando o ônibus para Santo Amaro. Orientaram que ali não tinha, que era no Largo da Batata. O malandro se interessou, dizendo que ela era uma menina, que não andasse por ai, pois seria um corpo estendido, boiando no rio no dia seguinte. Sua mulher logo enciumou, ficou possessa, dizendo que não tinha nada de menina, que naquela idade não tinha de criança, que ela se virava, que era problema dela, e que o cara queria ir, que fosse, galinhar para cima dela - isso muito possessa, vendo a arrastada de asa que dera, e logo chamou um táxi e entraram. Os caras não se proporam. Carlos, ali no ponto, enconstado, esperando meu ônibus a pouco, tomou atitude, e disse que a levaria, pois pegaria ônibus na Rebouças, e que dali não custava nada, desceriam juntos. A menina foi seguindo. Era uma menina mesmo, com cara de boneca, olhos grandes, pretos, cílios destacados, vestia uma jaqueta cinza, blusa azul, tinha cabelos cheios, castanhos escuros e pretos, um rosto branco, que Carlos viu quando ela perguntara se estava vermelho, mas na verdade estava pálido. Ela usava ainda uma meia calça, um sapato que parecia uma bota, tinha as unhas pintadas de preto, anéis, colares, pulseiras, coisas de uma moça daquela idade. E Carlos foi acompanhando, tentando acalmá-la, ela reclamava do frio, que estava com dor de cabeça, de passara o susto, que ficara nervosa, mas que agora, vinha a preocupação com a perda da carteira roubada, cartões, documentos, que teria que tirar tudo novamente. Carlos foi acalmando, que o importante é que nada acontecera a ela. Ela agradecia, dizendo que Carlos era um anjo, mas na verdade aquela mocinha é que era um anjinho caído na terra, de asas quebradas, e que não poderia ficar perdida pelas ruas, abandonada e desprotegida. Ele disse que a ajudaria, pois ela teria que tomar um ônibus até o terminal Santo Amaro, e depois, seguir rumo à Interlagos, tomando outro. Orientou um cara que procurava por um restaurante fast food Árabe, atravessando a rua. Perguntou como ela se chamava, ela disse que era Giovana, Carlos disse o seu, e ela disse que era um prazer conhecê-lo. Passaram em frente aos risca-faca e os inferninhos do Largo da Batata, tocando forró eletrônico, funk e sertanojo. Giovana vinha atrás, Carlos se preocupava se nenhum função mexeria com aquela princesinha. Os comportamentos lascivos davam-se ali mesmo em frente, e o cenário era tomado pelos carrinhos de churrasquinho de gato, cachorro quente, pipoca. Perguntaram a respeito do ônibus, disseram que saia do canteiro central. Tiramos a prova com o rapaz da barraca de tapioca. O ônibus saira à meia noite e quinze. E só sairia às cinco e cinquenta. Giovana gelou. Carlos trocou o dinheiro, uma nota de cinco, e deu a ela. Giovana resistia. Carlos dizia, você auxilia alguém depois, sem problemas. Pensou em uma solução. Chamou-a para a Rebouças, pois era o melhor meio de tomar um ônibus e adiantar sua vida, indo para o Centro. Aquela menina era linda, ela tinha ainda um lenço amarelo e outras cores. Mas em nenhum momento Carlos abusou ou tirou proveito desta situação, conversaram, sobre em que ela trabalhava, disse que fazia fotografia de cabeleireiros, que não devia ter saído, que fora falar com uma amiga, que fora o pior dia. Ele fora consolando, que o mais trabalhoso eram os documentos. Ela perguntou porque ele estava até aquele horário, e Carlos contou toda a história. Ele trocou o dinheiro em um posto, deu mais, ela recusou. Ela dizia que estava ou tinha estragado a sua noite. Ele já tinha mesmo entregado os pontos, pois não achara o endereço da festa, disse-lhe. Ele tinha esta missão, ele fora designado para ajudá-la, para tirá-la daquele apuro, naquela hora, era mais do que um acaso objetivo desses. Chegaram no ponto da Rebouças com a Faria Lima, Um cara perguntava apara chegar no Ibirapuera. Ele iria na bota. Um outro rapaz lá estava, confirmou o roteiro que Carlos lhe disse. Ela estava com frio, sono, sentou-se, esperando o ônibus, que levou mais vinte minutos. Dormiu no banco junto a ele, perguntando. Ele disse que à noite era rápido, não havia trânsito. Ela dormiu de boca aberta, seus cílios grandes, os lábios carnudos abertos, mas em nenhum momento Carlos insinuou-se, não esboçou nenhuma tentativa. Ajudava sem interesse, sem exigir nada em troca. Apenas tinha interesse em conduzir aquele anjo lindo, aquela moça bonita, perdida na noite, para seu destino. Era um andarilho da noite, um boêmio que conhecia todos os seus caminhos e quebradas. Enfim, chegaram até o Terminal Bandeira, ela conseguiu carregar seu bilhete, despediram, ela ficou lisongeada de anjos que a ajudaram, que deram de si, e o sorriso dela foi o que mais valeu a pena no peito de um maluco doido, que foi dormir mais tranquilo. Alguma bondade o chamava, alguma boa ação, para ajudar, sem interesse em levar nada em troca. Apenas levar aquele anjinho para seu destinho, era ele um recolhedor de almas aflitas e perdidas na noite. Giovana até agora pensava em não cair em mãos de um fascínora, e dera sorte de trombar no seu destino um maluco andarilho, sincero e de bom coração que sabia o rumo de todas as quebradas e armadilhas da noite. Esperava que ela tirasse dali uma conclusão e outro conceito de um maluco. Carlos seguira tranquilo para sua casa, com a leveza do espírito, por ter feito uma boa ação. Chegou na sua casa. Tomou uma dose, para ajudar na recuperação. Sentou-se ao computador. No bate papo, uma mulher o chamava, exibia seus dotes, os peitos enormes, em uma foto muito provocante. Disse que o adicionara devido à sua barba, que tinha tesão por homens barbudos beatnicks. Ela tinha alguns conhecidos. Ele elogiou aquela foto, muito bem tirada, naquele ângulo. Depois dela sair, afinal, já era quase de manhã, Carlos desabotoou a calça e mandou ver, descascou uma banana em homenagem a esta gordinha e à todas garotas perdidas pela noite, porque também ninguém é de ferro.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
A psicóloga sorridente sabe fazer com élan na práxis
psicanálise tesuda em diversas posições - gosta disso
Deu o toque, procure apenas no inferno, não se apegue
Junto com seu João e seu Zé que guiam o Ser
Um cheiro de sândalo povoa o ar
Pairando sobre nossas cabeças
Bruxas morganas de olhos negros que reaparecem das cinzas
Junto à cigana com cheiro de cravo e canela
que se agarra em um mel -abelhuda que é
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Sexta-feira da paixão de Cristo caminha pelas ruas escuras de Pinheiros
Ruas de vento lixo e baratas pelo chão da Paes Leme aqueles cabarés
portas no térreo e salão no sobrado mesas de bilhar ao centro
O cheiro de incenso exalado pelos recipientes sacolejados pelos padres
Aquela acústica de cantos divinos e celestiais
Toma a praça toda, subindo aos céus a procissão da Igreja do Largo de Pinheiros
Jesus coberto sob uma túnica púrpura olha para as coxas libidinosas da moça loira
vestida com shorts curtos, delícia de pecar
ter uma consciência pecadora dentro da igreja sem culpa e pecado, nada é gostoso
o barato e o tesão da coisa toda é a culpa, o sagrado ao lado da profanação
bares e botecos do cú do padre, balcões ensebados
salgados pura gordura e fritura e cerveja derramada E conversas passadas que a nada levam
Bebuns doidos quebrando espelhos de bordel batendo copos com a bebedeira na cabeça
chapados até o último fio de cabelo de sua careca lustrosa
Durinhas e outras gordinhas conversando horas a fio
Ou malucos que desenham você em troca de um rango no meio da noite
A noite solta seus urros de delírios cor púrpura enquanto rola na jukebox
Ball and chain da Janis ou Break On through do The Doors
São iluminações terríveis, bestiais e monstruosas que mordem o cérebro
Procura em vão alguma beleza e a volta do lirismo com toda força
em ruas de miseráveis cheias de nóias profetas barbudões
Uma gira dança nua no meio salão agarrada no ferro
Ela é uma Sibila, que lança suas falas advinda do oráculo do vodu
de seus olhos de feiticeira, advinhadora, profetiza, sacertotiza dos terreiros do candomblé
por Ogum, Xangô e toda a sorte de Exus, Zé Pilintra,
do ouro canta todas as profecias e previsões de sua vida
em apenas uma fala direta, dá toda sua vida e expõe as armadilhas e ciladas
Uma aventura leva a ruas desertas, cinco e cincoenta da manhã
Ruas do centro, pessoas passando, hotéis e padarias abrindo
pronto para um amor selvagem e furioso em uma cama do motel
após uma noite de fúria, som e música e muita vertigem de sonho de ópio
sonho com feiticeiras e profetizas negras da umbanda e candomblé e do vodu
Sonha com serpentes traiçoeiras correndo que o picam na barriga
São como vampirescas sanguessugas chupando sua energia e bondade
Mantenha distância do seu quebranto e mau olhado.
Ruas de vento lixo e baratas pelo chão da Paes Leme aqueles cabarés
portas no térreo e salão no sobrado mesas de bilhar ao centro
O cheiro de incenso exalado pelos recipientes sacolejados pelos padres
Aquela acústica de cantos divinos e celestiais
Toma a praça toda, subindo aos céus a procissão da Igreja do Largo de Pinheiros
Jesus coberto sob uma túnica púrpura olha para as coxas libidinosas da moça loira
vestida com shorts curtos, delícia de pecar
ter uma consciência pecadora dentro da igreja sem culpa e pecado, nada é gostoso
o barato e o tesão da coisa toda é a culpa, o sagrado ao lado da profanação
bares e botecos do cú do padre, balcões ensebados
salgados pura gordura e fritura e cerveja derramada E conversas passadas que a nada levam
Bebuns doidos quebrando espelhos de bordel batendo copos com a bebedeira na cabeça
chapados até o último fio de cabelo de sua careca lustrosa
Durinhas e outras gordinhas conversando horas a fio
Ou malucos que desenham você em troca de um rango no meio da noite
A noite solta seus urros de delírios cor púrpura enquanto rola na jukebox
Ball and chain da Janis ou Break On through do The Doors
São iluminações terríveis, bestiais e monstruosas que mordem o cérebro
Procura em vão alguma beleza e a volta do lirismo com toda força
em ruas de miseráveis cheias de nóias profetas barbudões
Uma gira dança nua no meio salão agarrada no ferro
Ela é uma Sibila, que lança suas falas advinda do oráculo do vodu
de seus olhos de feiticeira, advinhadora, profetiza, sacertotiza dos terreiros do candomblé
por Ogum, Xangô e toda a sorte de Exus, Zé Pilintra,
do ouro canta todas as profecias e previsões de sua vida
em apenas uma fala direta, dá toda sua vida e expõe as armadilhas e ciladas
Uma aventura leva a ruas desertas, cinco e cincoenta da manhã
Ruas do centro, pessoas passando, hotéis e padarias abrindo
pronto para um amor selvagem e furioso em uma cama do motel
após uma noite de fúria, som e música e muita vertigem de sonho de ópio
sonho com feiticeiras e profetizas negras da umbanda e candomblé e do vodu
Sonha com serpentes traiçoeiras correndo que o picam na barriga
São como vampirescas sanguessugas chupando sua energia e bondade
Mantenha distância do seu quebranto e mau olhado.
sábado, 24 de março de 2012
Vou lembrando da delícia de sorvetes comidos com casquinha
saboreados no remelexo das franjinhas e pequenos lábios
lambidos e sugados nos mamilos
Fico pensando na beleza e delícia da existência
Nos fetos triturados feito algodão-doce nas bocas
Abortados em camisas de vênus furadas
Na doçura da vida elegante, nas suas dores e delícias
Nos prazeres, tragédias, andando no Jardim das Delícias de Bosch
com as feridas corporais, sarampos na alma, micoses perebentas no corpo, chagas espirituais profundas
Os sonhas mais úmidos com lágrimas choradas
O assovio do vento
levando consigo a poeira do passado
quarta-feira, 7 de março de 2012
Apenas vê hoje o tempo escorrendo entre os poucos fios de cabelos já escassos na testa calva
Como desejaria nunca conhecê-la ou que nunca tivesse existido: tudo ficou tão triste e mais assombrado
A decepção e o esvaziamento do seu ser esvair-se em prantos hoje tudo secou
E não acredita mais em fantasias, em sonhos e fantasmas, segue cada vez mais cético
Com a fuga as mancadas pisadas na bolas o charlatanismo e a picaretagem
Tempos em que se discutia Restiff La Breton e Marques de Sade nas alcovas horas a fio
Em noites da musa mousiké, o fio da espada, o frio na espinha, a navalha na coluna e na carne
Cheias de emoção e brilho nos olhos de mentes imagem ativas sem travas na língua
A intensidade e o êxtase com as noitadas molhadas, noites de neon, noites suadas, noites bêbadas
Em viagens doidas no mato, acampamentos na cachoeira, ermitão dormindo ao relento em pedras conversando em redes até a aurora embriagado de brisas à beira mar
Agora tornou-se um velho chato e carrancudo não tem mais a alegria de outrora
Tudo é a rotina e a mesmice do cotidiano e a vida segue sem sal e sabor
Como um carcaça apodrecendo a cada dia um pouco uma nau perdida sem leme
Como uma vela acesa no meio de uma tempestade de neve
Os olhos derretidos e secos de chorar tantas lágrimas em vão.
Como desejaria nunca conhecê-la ou que nunca tivesse existido: tudo ficou tão triste e mais assombrado
A decepção e o esvaziamento do seu ser esvair-se em prantos hoje tudo secou
E não acredita mais em fantasias, em sonhos e fantasmas, segue cada vez mais cético
Com a fuga as mancadas pisadas na bolas o charlatanismo e a picaretagem
Tempos em que se discutia Restiff La Breton e Marques de Sade nas alcovas horas a fio
Em noites da musa mousiké, o fio da espada, o frio na espinha, a navalha na coluna e na carne
Cheias de emoção e brilho nos olhos de mentes imagem ativas sem travas na língua
A intensidade e o êxtase com as noitadas molhadas, noites de neon, noites suadas, noites bêbadas
Em viagens doidas no mato, acampamentos na cachoeira, ermitão dormindo ao relento em pedras conversando em redes até a aurora embriagado de brisas à beira mar
Agora tornou-se um velho chato e carrancudo não tem mais a alegria de outrora
Tudo é a rotina e a mesmice do cotidiano e a vida segue sem sal e sabor
Como um carcaça apodrecendo a cada dia um pouco uma nau perdida sem leme
Como uma vela acesa no meio de uma tempestade de neve
Os olhos derretidos e secos de chorar tantas lágrimas em vão.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Da boca saem jatos de cogumelos atômicos
E borboletas de cristal voam como efemérides
Nunca o passeio foi tão longo e estranho numa noite de bebedeiras
Solitário por noites loucas, os caminhos de néon em corredores da morte
Noite dos nóias zumbizando mortos vivos procurando pela pedra sagrada comestível para tragar e entorpecer seus brônquios de metal
E putas mais doces de saias curta e coxas grossas e outras magras loiras morenas todas angelicais
umas bundudas outras peitudas passeiam pelas ruas próximas da Rua Mauá na Estação da Luz
outras doidas e sorvendo o líquido da vida a mil por hora, cantando e fumando narcóticos aspirando o hálito vital da noite em pó
Enquanto uma dança feito louca dança mascando chiclete com cara de insana louca e demente
Libidinosidade andando pelas ruas de papel e creme comendo sanduíches gordurosos de realidade
Vendo filmes pornôs muito sacanas e surreais em que as mulheres fazem mil caras e bocas quando chupadas no grelo e falsamente gemem quando penetradas, curradas feito éguas em posições malucas
A noite passa como fios de néon, alucinadas, com luzes e cores mortais acesas em brasa gritando e clamando em seu seio por mais suavidade e tranquilidade nos corações aflitos por mais
Com sede de amor, famintos por um pouco de afago e carinho em almas perdidas
Clamando por mais imaginação e criatividade em noites loucas e delirantes
E borboletas de cristal voam como efemérides
Nunca o passeio foi tão longo e estranho numa noite de bebedeiras
Solitário por noites loucas, os caminhos de néon em corredores da morte
Noite dos nóias zumbizando mortos vivos procurando pela pedra sagrada comestível para tragar e entorpecer seus brônquios de metal
E putas mais doces de saias curta e coxas grossas e outras magras loiras morenas todas angelicais
umas bundudas outras peitudas passeiam pelas ruas próximas da Rua Mauá na Estação da Luz
outras doidas e sorvendo o líquido da vida a mil por hora, cantando e fumando narcóticos aspirando o hálito vital da noite em pó
Enquanto uma dança feito louca dança mascando chiclete com cara de insana louca e demente
Libidinosidade andando pelas ruas de papel e creme comendo sanduíches gordurosos de realidade
Vendo filmes pornôs muito sacanas e surreais em que as mulheres fazem mil caras e bocas quando chupadas no grelo e falsamente gemem quando penetradas, curradas feito éguas em posições malucas
A noite passa como fios de néon, alucinadas, com luzes e cores mortais acesas em brasa gritando e clamando em seu seio por mais suavidade e tranquilidade nos corações aflitos por mais
Com sede de amor, famintos por um pouco de afago e carinho em almas perdidas
Clamando por mais imaginação e criatividade em noites loucas e delirantes
domingo, 16 de outubro de 2011
Una estadia en Buenos Aires
Era mais que necessária uma escapada do Brasil. Um final de semana desses que fecham uma semana morta e embrulhada, foi uma boa pedida um achado daqueles por uma merreca. Ainda que uma forte presença de uma mulher em espírito fizesse contatos telepáticos comigo. Quando as coisas ficam de rosca e não há nenhuma promessa e as coisas ficam enroladas, o melhor é dar o fora mesmo e curtir, pois a vida é curta e passa rápido demais.
achado muito bom e barato pra quatro dias sem frescura sai do mapa. Da argentina eu conhecia Mariana, uma menina mui bela bonita charmosa Era a morena mais bonita do pedaço minha namoradinha da rua que me dava uns beijos e dividia sua atenção para com minha pessoa generosamente quando aos meus dez anos eu dividia o eu coração entre ela e outras brincadeiras de molecada na rua.
Na primeira noite de chegada, após uma breve passada por Montevideo, chegamos, eu e minha nega-índia potiguar querida, em Buenos Aires. Tivemos uma ótima impressão ao pousarmos ao lado do rio, placas e propagandas, estamos em plena campanha eleitoral, um transito intenso no sentido contrário para nossa sorte, escapulimos pela autopista. Arrisquei algumas palabras logo de saída, consegui ser compreendido pelo motorista. Ele nos levou até o Centro de Buenos Aires, adentrando pela nove de julho, data da independencia politica da Argentina, um pouco antes do obelisco, chegando à rua Paraguay. Esta rua será o charme da coisa, nossa estadia, próxima de restaurantes, um cheiro de pizza na pedra, em frente Parillas, entre outros charmes da rua, como 25h, locais que possuem cabines telefonicas que voce liga pra qualquer canto do mundo. tudo embaixo ou atras de nossa estadia muito perto. O peso te dá uma falsa ilusão ele estava metade do Real, mas as coisas são um bocado caras lá. Caminhando pelas avenidas córdoba e corrientes, cheias de livros e teatros, voce escuta saxofonistas solando inspirados na frente de restaurantes enquanto os transeuntes batem palma muy ritmadamente.
A fome apertava e nessas condições, encontramos um lugar muito bom na rua Córdoba, serviram uma baita de um filezão a parmegiana que daria tranquilo para quatro gorilas, com papas fritas, que mandamos ver, acompanhado por um bom vinho da casa barato, uma garrafa foi pouco daquele velho vinho vagabundo da casa. Prosseguimos na noite rumo ao Palermo, bairro um tanto afastado do Centro. o pessoal recebe bem neste local que voltariamos apos sermos passados pra tras na frente da nossa pousada
Por lá curtimos um bar que tocava vários rocks, blues, cerveja em litrão, demos uma boa caminhada, é uma praça central, o lugar é cheio de livrarias, lojas de discos que tem vinil, e o melhor é que funcionam a noite. E o rock nos segue, e buenos aires respira rock, tanto que clapton e os caras do deep purlpe tocaram o dobro do que em são paulo por exemplo e ainda estes ultimos passaram por várias cidades próximas. ainda rolou um festival de jazz em um teatro. não pude conferir poca grana, mas só para ter uma dimensão da coisa como respiram música, literatura, borges, cortázar entre outros, que se encontram ao lado de qualquer bugiganga artesanato no meio da rua.

Por lá curtimos um bar que tocava vários rocks, blues, cerveja em litrão, demos uma boa caminhada, é uma praça central, o lugar é cheio de livrarias, lojas de discos que tem vinil, e o melhor é que funcionam a noite. E o rock nos segue, e buenos aires respira rock, tanto que clapton e os caras do deep purlpe tocaram o dobro do que em são paulo por exemplo e ainda estes ultimos passaram por várias cidades próximas. ainda rolou um festival de jazz em um teatro. não pude conferir poca grana, mas só para ter uma dimensão da coisa como respiram música, literatura, borges, cortázar entre outros, que se encontram ao lado de qualquer bugiganga artesanato no meio da rua.
A melhor surpresa foi toparmos em um caminho pelo ônibus com um preparo de uma festa popular andina. uma caminhada nos trouxe a surpresa como se fosse algo mágico e supresa, várias crianças todas vestidas de roupas coloridas, um monstro peludo, homens vestidos de borboletas, mulheres coloridas, índios, bolivianos, peruanos, argentinos, chilenos, todos incas andinos em um carnaval surreal da américa latina com um som de tubas e uma bateria ensurdecedoras mulheres dançavam, a cidade banhada por estátuas de san marti e simon bolivar imagens de guevara e das mães da plaza de maio e dos combatentes da guerra das malvinas.


Tudo regado a um jazz no meio da rua, um pequeno quarteto castigando seus instrumentos contrabaixos caixa saxofone guitarra. cheio de artesanatos e feiras que cortam uma extensão colorida de uma praça em san telmo até a praça de maio e continua na rua florida com o camelo no meio da rua.
há muito rock, mesmo nas músicas que são executadas em ritmo andino, seja toto beatles simon e garfunkel entre outros..
há muito rock, mesmo nas músicas que são executadas em ritmo andino, seja toto beatles simon e garfunkel entre outros..
Na passeada pelo centro, na praza de mayo, em frente a catedral, ao palácio rosado, encontramos moradores de rua, mendigos e pedintes, mas em uma proporção menor que a de São Paulo, e não vemos a concentração de casqueiros nóias como estão no centro ao lado de casa.
Há bairros como os europeus, era a aristocracia que ali vivia, mesclada com o peronismo populista, que está enterrado em cemitérios nobres que são esculturas a céu aberto. Eu penso e lembro do conde isidore ducasse lautreamont, aquele o conde bilingue uruguaio que sabia frances e espanhol, deve ter dado seus pulos por aqui nos pampas gauchos.
De um lado a outro, do norte a sul, cortamos pelos onibus, os onibus são muito interessantes em buenos aires, tem janelas para propiciar a flanerie, nele vemos o monumento ao mortos nas guerras das malvinas em 1978, e um presente de grego dos britanicos invasores que hoje so permitem o povo entrar com passaporte. fizemos um bom passeio de onibus noturno até la boca. fomos alertados pelo motorista paraguaio, o ultimo aviso após tantos, que o lugar era perigosíssimo, barra pesada, mas mesmo assim andamos pelo wild side de buenos aires, o porto.
De um lado a outro, do norte a sul, cortamos pelos onibus, os onibus são muito interessantes em buenos aires, tem janelas para propiciar a flanerie, nele vemos o monumento ao mortos nas guerras das malvinas em 1978, e um presente de grego dos britanicos invasores que hoje so permitem o povo entrar com passaporte. fizemos um bom passeio de onibus noturno até la boca. fomos alertados pelo motorista paraguaio, o ultimo aviso após tantos, que o lugar era perigosíssimo, barra pesada, mas mesmo assim andamos pelo wild side de buenos aires, o porto.

Fomos em la boca, lugar mágico em que décadas atrás marinheiros, estrageiros migrantes fizeram aquele bairro proletário e lumpemproletário o nascimento do tango dança dos homens dos marujos marinheiros com as prostitutas bairro do boca que tem em sua abertura carlos gardel evita peron e o deus negro dieguito maradona para o mundo. Avisaram-me para ficar esperto com o encanto das dançarinas de tango, elas são provocantes, não tanto como deviam ser antes, como as putas do bairro nas casas de bordel. hoje custa os olhos da cara ver um troço desses, pois nem tem graça, por isso contentei-me com o que foi oferecido nas praças e na frente desses bares de tango. o tango é a nostalgia da terra, dos estrangeiros, numa terra estranha agora é tudo colorido nel camenito.

o rango é forte, mandei muitas chuletonas que chamam de bife de chorizo, que é nosso contra-filé, mas muito suculentos e regados, uma a porçao grande para dois mata nossa fome, cervezas e linguiças pacharros acompanhados de cantos. a noite é uma maravilha, arriscando-se a flanar pelo centro até o porto, lugar barra pesada, tivemos o toque do motorista, que nos deixou no lugar certo, passamos pelo caminito, antigo cortição da cidade, hoje ponto turístico muito colorido.
as noites são bárbaras em uma rotiserie, uma garrafona de vinho pra nos acompanhar, empanadas e ótima música. yo me dei muy bien com meu portanhol improvisado, consigo conversar bien com los indios, con todos, nas lojas e bares que passamos.e aquele ventinho frio gostoso que dá um sono, em bares sobre nossa estadia, bares de piratas que nos enrolam com as cervejas e tocam pop rock dos anos 1980 com chicas bonitas e trebados que batem a cara na porta ou rotisserias com cognacs piscos tequillas e tudo o que voce pode pensar.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Cenas do Parque da Luz
Jacas ouriços caem circulando
Folhas de alface e búzios gigantes na grama
Mordem dentes de leão sangrando no alto de árvores
O brilho de olhos de Jaboticaba no carro de mão
o cachorro mija uma rajada quente e fogosa de gonorréia
Enquanto passo pelo esqueleto do peixe dissolvido no jardim
Bem-te-vis canto de prata e
maritacas vozes de castanholas
maritacas vozes de castanholas
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Sete horas da noite saio flutuando como um condor desesperado pelas esquinas enquanto passo pela a fonte dos desejos tropeiros de séculos Musas e mousikés a estátua de Carlos Gomes sob o magnífico Theatro Municipal andando nas ruas do centro cruzando o viaduto do Chá e Ladeira da Memória entro em fins da Libero Badaró e trombo com o vulto romântico e assombroso de Álvares de Azevedo na Faculdade de Direito trocando beijos eternos parnasianos com musas e pãs flautistas e Camões cego e caolho me espreita sob Mário de Andrade, a Música de Chopin, Goethe, e Cervantes quando passo pela Dom José Gaspar Dante me oberva passando de soslaio Queria ser uma tartaruga ou o espírito de uma carpa para flutuar em águas e dissolver-me completamente na Praça da República dos meus sonhos, flanando pela Ipiranga Rio Branco em meio a junks decadentes nóias casqueiros ratazanas e putas desalmadas rumo à Júlio Prestes musical.
domingo, 2 de outubro de 2011
Andando pela Avenida Rio Branco passo em frente uma Igreja pentecostal na qual a missa é rezada em africano pelos nigerianos. A estátua opressiva de Duque de Caxias continua a oprimir os paraguaios e bolivianos que trabalham na tecelagem ou são camelôs muambeiros da Santa Ifigênia. Cheio de salas de peep show e strip antigos cinemas que se tornaram cines pornôs e igrejas pentecostais enquanto os coreanos conversam entre si e um camarada conta sobre um nóia que foi espancado na frente da delegacia por ficar gritando. Na Argentina as coisas não são assim disse o senhor. No largo General Osório vemos os traços da Estação Sorocabana onde antes ligava a rodoviária, o monumento ao ferroviário Alfredo Maia guardando os nóias e junkies com seu porrete, equanto os sacis pererês pipam crack no meio da rua em plena luz do dia e a qualquer hora como o grafite na parede da rua da estação. Encontro no chão um livro aberto da vida de Santo Agostinho, aberto no capítulo as Férias em Tagaste das suas luxúrias e vida pecaminosa no caminho ao Largo do Sagrado Coração de Jesus, que me diz "toma e lê "nos Campos Elísios. Entro na praça do Monumento a Dom José de Barros no largo do Sagrado coração e assisto um pedaço da missa entre diversos Cristos. Na volta o livro de Santo Agostinho não está mais lá. aberto no chão restou apenas a capa. As ruas fedem a mijo merdas fossilizadas cheias de moscas vômito e desinfetante misturado com as quentinhas dos casqueiros e suas casas improvisadas muito lixo rango camisinhas tudo misturado com trapos velhos criando uma imagem dantesca do inferno. Vou para o trecho da estação Sorocabana Júlio Prestes ouvir a música de JS Bach Brukner um órgão de catedral medieval incensado por perfume das musas. Volto pelo Largo General Osório e vejo uma inscrição em uma casa 15 de Novembro de 1890 e a Ponte da Santa Ifigênia, sua Paróquia neoromânica e a Mãe Preta de tetas grandes que nos alimentam a todos florida da Igreja do Paissandú.
Nove e pouco da noite. Tomo um drink no inferno acompanhado de uma pomba gira filha de Iansã. Ela expõe seus dotes sobre uma mesa de bilhar. Ela tem talento na lábia, e fala que quer trepar. Me despeço pois minha cabeça está mas na lua de queijo minas alvo como leite novo. Ela é a minha metade meu outro eu o andrógeno que éramos mutilado e disperso agora reencontrado através do desejo. Sinto até o seu odor e o perfume do seu sexo como no mito narrado por Aristófanes no Banquete à Eros platônico. Eu trombo andando balançando na rua com os nigerianos trançando suas gírias e rezando na sua língua em uma Igreja pentecostal africana os coreanos conversando e os bolivianos paraguaios da Rua Guaianases toda cheia do lixo de suas comilanças e orgias massacrados pelo Duque de Caxias gigante e imponente da Praça Princesa Isabel. O sinal está fechado para os casqueiros que se reúnem como bandos de ratos na Rua do Boticário acendendo seus cachimbos de improviso em canetas e outros tubos metálicos. A Praça Júlio Mesquita Filho tem uma Fonte Monumental marmórea com intervenções urbanas de pichações e descasos monumentais com os querubins endemoniados de Win Wenders. Vejo a estátua nuas de uma índia após o banho, com suas xavasca ao léu e peitos apontados para o céu Brecheretiano. Um Césareano Augusto imponente guarda nietzscheanamente o Largo do Arouche transvalorado de seus valores, seguido por um bezerro e a menina Enquanto Mercúrio descansa solenemente sobre o capim republicano e fico triste com as notícias da Mãe de santo Miriam e seus orixás que me deram sobre minha vida. Eu sou como as tartarugas ao sol dos laguinhos da República que ficam totalmente sem apensando bovinamente.
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