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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um brinquedo legal, que subi para o You tube; outro que encontrei (participação Burroughs); e o Sarau na Brasa de inverno


La Lune dans le caniveau, 1983
A lua na sarjeta
Adaptação do livro de David Goodis
Dir. Jean-Jacques Beineix
Com Gerard Depardieu, Natassja Kinski






A feitiçaria através dos Tempos






Sarau na Brasa Inverno - 24/6 V. Romana




quinta-feira, 7 de junho de 2012

Vagabundos de bom coração


Nas semanas passadas do mês de Maio, estava relembrando de bons tempos, ao exibir para a moçada e rapazada o filme Sem Destino - Easy Rider, de Denis Hooper (1969). Os sonhos não envelhecem. Lembrei de uma penca de aventuras que já fiz por este Brasilzão, seja a pé ou de caronas pedidas de beira da estrada. Lembrei do Na estrada que o Walter Salles fez, sobre On the road, ou dos Diários de motocicleta de  Guevara, que é o nosso pé na estrada latino, sul-americano.

Sim, pois estava falando sobre Liberdade, e calhou de voltar na memória deste filme. Sim, pois ele é um marco de gerações dos anos 1960, desde a geração anterior, dos beats, passando pelos hipsters (hippies), claro, além de toda a contracultura e dos movimentos comportamentais (sexo, drogas e rock and roll) juvenis que sacudiram o mundo naquela década de 1960, mas principalmente no ano de 1968.

Penso que foi a melhor escolha, e eles serão muito gratos de terem visto este filme, pois quase não se fala mais nele. A cena do início, com o Capitão America Peter Fonda, jogando o relógio fora, antes de entrar com sua moto na estrada, dispensa qualquer comentário. Ou do advogado alcóolatra que os tirou da cadeia, e que disse que as pessoas temiam o que os dois viajantes representavam, ou seja, a própria liberdade. Viviam como queriam, e não apenas no plano do discurso, mas faziam. Todas as pessoas se diziam livres, mas vendiam-se no mercado, e não aceitavam que os outros dissessem que são livres. Ele próprio, o advogado, acabou por ser morto por espancamento da ignorância provinciana sulista dos USA.

O interessante foi que fiz toda uma relação com os livros que lhes são referencias, desde On the road, de Jack Kerouac, entre outros (Dharma Buhms, Lonesome Travellers etc), mas principalmente O vagabundo americano em extinção, deram mote e inspiração a relacionar com o filme, principalmente nas cenas em que lhe recusam um quarto de motel para dormir e o preconceito e discriminação provincianos e conservadores no bar, em que s]ao motivo de chacota, e que os leva ao sacrifício trágico.
Claro que não faltaram as referências ao Lobo da Estepe de Herman Hesse (que inclusive, está na trilha sonora com Born to be wild e The pusher); entre outros viajantes que inspiraram o próprio, como Jack London de Vagões e Vagabundos, Thoureau de Walden ou a vida nos bosques, entre outros. A lista é muito extensa, passaria por Walt Whitman e todos os vagabundos e andarilhos do mundo de Brueghel, Dante, Virgílio e outros.

Espero que, com isso, consiga libertar o lobo selvagem e solitário, ao menos dar aquela faísca, para que pensem com autonomia e independência, que tenham um pensamento selvagem, radical e crítico nesta sociedade que vivemos. Mantendo-se sempre vivos, com o espírito livre, em tudo que fazem. E que aprendam a tolerância, a não discriminar o diverso, o diferente, muito menos agredi-lo e violentá-lo. Que sejam humanos melhores.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Desprezo, novamente (Le mêpris)

Hoje conferi pela terceira vez o filme "Le Mêpris", do cineasta e diretor Jean Luc-Godard. Nem de longe é o melhor, e o mais experimental, ou o que o diadoaquatro se pode dizer do que ele já fez com a linguagem cinematográfica, em tantos filmes, como Acossado, a Chinesa, Nouvelle Vague, Nossa Música, JLG, entre tantos outros.
Trata-se da adaptação do romance homônimo do italiano de Alberto Moravia, autor também de os Indiferentes, casado com Elsa Morante, e que a deixa pelo cineasta Luchino Visconti, que 

Na verdade, é bem chatinho mesmo, vale bastante a pena pelas cenas com a Brigitte Bardot do modo como ela veio ao mundo, perguntando ao marido, Paul Javal, se ele amava cada parte do seu corpo. Aliás tem outras coisas interessantes, o enredo é bem simples, o marido de Bardot no filme é convidado por um produtor para escrever o roteiro para o filme da Odisséia, de Homero, que será filmado na Ilha de Capri por um alemão, nada mais nada menos do que Fritz Lang, de Metropolis, M, entre outros filmes.

Enfim, acaba por se tornar metalinguístico, um filme sobre como fazer um filme, toda discussão sobre a produção no cinema, a interpretação, a versão, sobre um livro da antiguidade grega, e os problemas que isso traz: como realizar um filme sobre o mundo homérico no início dos anos 1960.

Toda a tensão se dá entre as pressões comerciais deste roteirista, que prefere dedicar-se ao teatro, ao invés do cinema, mas se vê obrigado pelas pressões, pela mulher, necessidade de comprar apartamento entre outras coisas.

Acaba se tornando monótono em um bocado de momentos, em que "discutem relação", se o marido, Paul, a usava e a colocou na cama do Produtor, e há uma sutil analogia ou mesmo um questionamento sobre a fidelidade ou infidelidade de Ulisses e Penélope, sobre os motivos que o levaram a guerra de Tróia, se ele o amava, se ela o amava e se o traia, entre outras alusões, e principalmente, sobre o desprezo, o momento em que um casamento se acaba, o asco e a ruptura, com o consequente desenlace trágico do filme.

Enfim, veio bem à ocasião,  lembrei dele após escrever o Desprezo, e fui rever a minha fita de video K7.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mais alguma diversão à vista


Mais alguns filmes bons para assistir. Agora, até que a chuva deu uma trégua, ao menos, desde ontem, depois daquele vendaval com chuva. Até consegui sair.
Assisti novamente o final dos filmes do Americano , "O pão nosso" e "No turbilhão da metrópole", de King Vidor, de 1934 e 1931, respectivamente. Filmes em preto e branco, feitos no período posterior à Grande depressão norte-americana de 1929, e tem como base as ideias socialistas e humanistas de seu criador, com pitadas de bom humor.
O primeiro trata de um sonhador e idealista, John, que com sua companheira, resolvem morar no campo, em algumas terras, no sul dos Estados Unidos. Posteriormente, tem a ideia de colocar anúncios, convidando todos aqueles e aquelas que quisessem trabalhar com ele na fazenda, socializando os esforços do trabalho de cada um, suas posses, entre outros, passando por todas dificuldades, seca, e superando os desafios. Tem um tom muito cômico em algumas passagens
Já o Turbilhão na metrópole se passa em um prédio em que vive uma comunidade operária, que possui desde migrantes italianos, judeus, russos, entre outros. Mostra o cotidiano desses habitantes do prédio, seus conflitos, as intrigas, os romances, a vida das crianças, as infidelidades e as fofocas ocorridas em um ambiente promíscuo dos trabalhadores pobres de Nova Iorque.
O tempo está ajudando, melhorando. Mais tarde volto para comentar mais filmes. O último achado na época de natal bem baratinho foi a "Fúria de Titãs", filmão sobre mitologia grega, um dos primeiros com efeitos especiais bem primários, que eu me lembro de tê-lo assistido em inícios da década de 1980 na TV, à noite, bem tarde, com primos do interior, casa cheia, muita expectativa, pois o filme prende do início ao fim.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ermitão isolado pelas chuvas de Janeiro


Com estas chuvas do último tempo, tenho ficado bastante recluso neste Janeiro molhado. Fui a um congresso, em Brasília, pouco tempo, muito trabalho, voltei na segunda, mas nem deu na telha de escrever. Tenho ficado feito um ermitão, um misantropo em casa, alagado, escondido na minha toca, no fundo da minha caverna. Estou estudando, lendo, escrevendo (no papel, à moda antiga) bastante, e aproveitando o tempo para rever uns finais de filmes bem doidões, que no período de trampo, vou assistir muito tarde e acabo dormindo no final.

O primeiro que revi foi o As sandálias do pescador, de 1968, baseado no livro homônimo de Moris West. Ele trata da sucessão papal, e o interessante é que um ex-prisioneiro político da Sibéria assume o mais alto posto do Vaticano. E ele acaba tendo uma missão muito importante, de impedir a guerra nuclear, ser um interlocutor entre  os conflitos sino-soviéticos e os ianques. Massa. E outros filmes bem sinistros que revi, ou melhor, assisti novamente o final, foram Ana e os Lobos e o Cria Cuervos. 

Todos os filmes do Carlos Saura tem como inconsciente coletivo a Guerra Civil espanhola, e muitos dos personagens parecem repetir-se propositalmente. Neste filme, tem uma gruta a um ermitão eaté a residência é a mesma daquela do filme posterior, Mamãe faz cem anos. Trata-se de três irmãos, que representam as instituições espanholas, a Igreja, o exército e o sexo reprimido, e que fazem um baita terrorismo psicológico sobre a pobre da Ana. O final é bastante macabro e até inesperado.
Já o Cria Cuervos trata do universo e das lembranças de outra Ana, uma menina, que possui duas irmãs, mas é criada por uma tia e empregadas. Esta menininha tem várias viagens e sonhos, vê a mãe, é uma rememoradora de um passado de mais de vinte anos. Também possui um final bastante sinistro.
Passei para escrever isto, e quebrar meu isolamento, agora voltarei para o fundo da minha caverna, para o alto de minha montanha de ermitão.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sessão vespertina


Assisti dois filmes muito bons do espanhol Carlos Saura, entre ontem e hoje. O Carlos Saura é daquela geração mais antiga dos cineastas e artistas espanhóis, como Buñuel, Lorca, Dali, mas um pouco posterior, mas marcado como todos pela Guerra Civil Espanhola. No primeiro filme, mamãe faz cem anos, é uma daquelas matriarcas espanholas bem debochadas, uma comédia, uma mãe que tem alguns ataques epiléticos, precisa tomar remédio, com três filhos gananciosos, que querem apenas suas terras e seu casarão, netas ninfomaníacas que atacam o tio, e um nora em quem ela confia para que a salve das garras dos próprios filhos.
O segundo, Elisa Vida mia, é um pouco cansativo, mas se você tiver paciência, aborda a vida do pai de Elisa, Dom Luís, um escritor que vive há tempos solitário no campo. Certa vez, duas de suas filhas vão visitá-lo, uma delas, representada pela Chaplin, fica para pensar um pouco na vida, já que acabara um casamento de sete anos. O velho pai conta a história bem estranha de uma mulher de vestido branco que fora assassinada na estrada, cujo suposto assassino, um homem de chapeú que esconde a face, todo ano volta de bicicleta para limpar a pedra branca e colocar flores. O bom é que o pai é um escritor, e não se acha mais importante por isso do que alguém que varre a rua, e a sua filha lê trechos, até contribui com pensamentos para a obra do pai, tem sonhos com crânios ensanguentados dos carneiros do campo. Um tanto surreal e mórbido.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Sylvester Sttalone mordeu a língua e teve de engolir o que disse


Domingo eu assistia TV à noite, e vi uma reportagem sobre um filme que o Rambo filmava no Rio de Janeiro. Um tal de Mercenários. Ele disse em San Diego que nós brazucas, agradeciamos quando explodiamos os territórios brasileiros inteiros, e ainda por cima dávamos um macaco de presente. O cara ficou tão mal na fita que ele teve que se justificar, publicou uma nota pedindo desculpas, coisa e tar. Mas não conseguiu consertar a asneira que ele disse.
Eu assistia os rambos e rockys quando estava doente, com um baita febrão no sofá da casa dos meus pais, daqueles de dar calafrios em pleno verão. Só assim mesmo para assistir este sujeito de muitos músculos, mas de pouco cérebro. Os mais chatos dirão que o propósito de Sil Stallone não é este, e é mesmo ter pouco cérebro. Dirão que curtem o cara pelo passado, da época em que fazia ou escreivia  pornochanchadas, o Rocky, um cara fodido etc e tal. Tudo bem, compreendo. No entanto, prefiro mil vezes um filme como o "Campeão", tem muito mais emoção do que qualquer um dos Rockys, que são muito previsíveis. E olha que assisti quando moleque, ao menos até o terceiro. Não julgo nenhum livro pela capa.
Em se tratando do Stallone, dou um desconto. Concordo no conteúdo: o que ele disse foi infeliz. Mas discordo do método do cala boca também de quem se manifestou contrário. Como diria Voltaire, discordo radicalmente do que dizes, mas defenderei o direito de dizê-lo até a morte. A democracia tem esses méritos: alguém fala bobagem, mas ao menos é obrigado a se retratar depois, pra ficar em bom tom e reparar o estrado da cagada. O que o Stallone não sacou é que declarações como esta são como uma mordida na língua nos dias de hoje no Brasil, um país que começa a levantar a cabeça e ser soberando, ainda mais partindo de um gringo ianque que fez filmes blockbusters com revanche de derrotas gringas no Vietnam, no Afeganistão e outras que ficaram entaladas na memória e no inconsciente ianque. No mínimo, engasgou e ficou com um sorriso amarelo.

Programa do Fantástico: 1o de Agosto de 2010

Reportagem Rede Recorde

Entrevista com Sly no Brasil

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Eis a merda da colonização

Quero convencer meus leitores de que o Imperialismo é símbolo típico do final. Produz petrificações comos os impérios egípcio, chinês, romano,(...) petrificações que ainda perduram por séculos e mesmo milênios, passando das mãos de um conquistador às de outro, corpos mortos, amorfos, desanimados, matéria gasta de uma grande história. O Imperialismo é civilização pura. Assumir esta forma de existência é o destino inalterável do Ocidente.

Osvald Spengler, A decadência do Ocidente.


Em tempo, detesto o Stallone-Rambo e o Swazega, ambos fascistas. Há uma certa brutalidade e uma espécie de sadismo no massacre do povo de países pobres em alguns de seus filmes. São o típico ajuste de contas da má-consciência, do revisionismo histórico ianque em relação às derrotas militares que sofreram no passado recente para esses países. Basta ver todos da série Stallone Rambo, o acerto de contas com o Vietnã, com o Afeganistão, e outras. É tudo um massacre sobre o povo destes países pobres que derrotaram o império americano na raça, o dito contry of freedom ($) que só pensa em tirar a liberdade dos outros povos. Filme mais colonizado que estes, impossível, e ainda usam o conceito colonizado como argumento.

E também dos poetas americanos modernos, prefiro o Ferlinghetti, por apoiar a Nicarágua livre e sandinista e o Ginsberg, em sua revolução pacifista, ambos libertários, nunca se omitiram. Pode até me chamar de comunista, socialista ou o caralhaquatro, nem ligo mais, se isso for algum tempo de ofensa. Prefiro o caminho difícil ao ser um niilista anarca e hedonista chic de butiq, ditos apolíticos que está até na moda ser assim, como tantos por ai, tá tudo igual, é tudo conforme o script como diria o Seixas e o Nova, até enchem as burras de dinheiro com esta postura, enquanto ralo para ganhar o meu pão que o diabo amassou. É fácil posar de bitnik , hippy ou punk de butiq por aí a fora, o mundo tá repleto desta coisa toda, até de romântiquetes nazis e skinheads posando de reaça no país da miscigenação só pra fazer onda.

Falando em filmes, eu nem assino TV a cabo, no prédio que moro há cabo, mas só TV aberta pega, uma vez que é coletivo. Só quem paga assiste os canais privados. Acho um desperdício, tanta bobagem e porcaria que passa, só pega alguns canais evangélicos, poucos de filmes, alguns canais de merda, que prefiro meus dvd piratas que eu escolho, sai bem mais em conta. Colonização por colonização, ao menos prefiro afundar-me com coisas diferentes do lixo ocidental norte-americano (com exceções honrosas, é claro, de diversos diretores, músicos, artistas que se safam, pois em todo canto tem quem se safe). Uma vez que todos afundam mesmo na merda, não há salvação à vista, merda por merda, fico com a menos fedida.

(Escrito em 2009, em homenagem ao apoio de Kerouac à invasão americana no Vietnã, publicado nesta ordem por problemas técnicos)

domingo, 4 de abril de 2010

Assisti na faixa no sábado retrasado

Homens que encaravam cabras
A trilha sonora é bacana e ampla: vai de Supergrass, "We are young" até Boston, "More than a feeling"

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Acabei de assitir esse há instantes atrás

Emprestei para e peguei um monte de filme emprestado do meu cunhado nesses dias chuvosos, no final da tarde. Assisti a decepção com o Obama, o do Lula, o Sicko do Michael Moore, sobre o inexistente sistema único de saúde dos EUA, o do Malcom X (só tinha visto em VHS), entre outros. Mas o que mais me chamou atenção e lembro de sessão da tarde ou de filmes perdidos na madrugada foi o antigão "O último pôr do sol", com o Kirk Douglas no papel de Brendan O´Malley.
O´Malley, um fora da lei que saca de sua pistola, à queima roupa, filosofias do deserto do México sobre Deus ("No fundo, todos os homens são assassinos"]"se podemos assassinar um homem, é porque Deus permitiu"), sobre o Amor, sobre a morte ("a forca é uma proposta a longo prazo") entre outros. Há até um personagem bêbado que era tão duro que fazia "um verso, por uma dose". Ele era cheio de trejeitos e manhas, sabia como fazer um bezerro que perdeu sua mãe seguir Missy, a filha daquela a quem ele amou e hoje é a dona da boiada. Pois a filha dela se apaixona por ele, que supostamente é seu pai. Tudo muito bem acompanhado por chicanos que cantam Cucurucucu paloma, a ética dos foras-da-lei, além de amores bandidos e incestuosos.
Pensando em termos de amor, dos bailados de O´Malley e Missy, eu, ao menos, não conseguiria pensar em outra coisa senão esta música: Dance Me to the end of love, Leonard Cohen ou nessa versão, jazzy, com a Madeleine Peyroux (linda, por sinal, a voz e a cantora):Madeleine Peyroux manda ver Dance me to the end of love

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Um em um milhão


Na segunda-feira, eu e a Cléia fomos assitir o Flávio Venturini, o Milton e o Lô Borges no Ipiranga, embaixo de muita chuva fina, pois a determinação e resistência faz com que "os sonhos não envelheçam". Já fazia algum tempo que não os via, e deu para vir algumas lágrimas com as canções que trazem muito de poesia mineira. Tirando a produção, que atrasava todas as apresentações e ainda deixava o som "mal passado", o que gerava problema para os músicos, eles detonaram.
Ficou mal para esses amadores da produção incompetentes, que deixaram o som com microfonia, o som dava estalos, o Milton até improvisou uma jam para que eles pudessem não queimar tanto o filme dos cantores e músicos após terem queimado, e regularem o som. Só no final que conseguiram acertar, e já era tarde, e se podiam ouvir protestos espontâneos como "Fora, Kassab, vai tomar no..." Ele e o Serra estão obtendo retorno de seus cortes de verbas para enchentes, mandando polícia pra reprimir protestos de moradores em bairros alagados, apesar dos puxa-sacos da grande mídia não noticiarem.


Esta semana na terça, também assistimos em DVD um filme nacional bacana, intitulado "O contador de histórias". É baseado na história real do Roberto Carlos Ramos, uma menino morador de uma favela de Belo Horizonte na década de 1970. Ele é levado por sua mãe aos seis anos para a Febem, iludida com uma propaganda na televisão produzida pela ditadura militar. O mesmo foge diversas vezes, se torna menino de rua, e conhece uma Pedagoga, Marguerit, que é a primeira que o trata como pessoa.
Ele se torna contador de histórias e pedagogo por inspiração de uma pedagoga francesa, Margerit, interpretada pela Maria Medeiros, que acredita nele, que ele não estava perdido, e resolve investir no mesmo. É muito bonita a imaginação poética do menino, ele mesmo um contador de histórias, um narrador desde criança cheio de imaginação.
Quando olhei para a Cléia, vi que seus olhos marejavam de lágrimas, assim como os meus. O filme funciona, por sua simplicidade e mostra como se faz poesia mesmo a partir de uma realidade triste demais. É assim que se sente, um em um milhão escapam.
 

E por falar em contador de histórias, em breve dois poemas meus (Laranja Madura e Cabra macho, postagens presentes neste blog) foram selecionados para serem publicados em uma coletânea de inéditos, intitulada "Ecos da alma". O lançamento será em Fevereiro, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, na Avenida Henrique Schauman, em Pinheiros. Mais detalhes sobre data e horário aqui mesmo.
Em Aparecida-SP, dia 21/01/2010.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Resenha de Deus e o diabo apresentado no cineclube dos professores de Osasco



Deus e o diabo na terra de Glauber:um transe barroco na terra do sol.

I. Introdução

Deus e o diabo, o maniqueísmo, a dualidade de um Deus negro, Sebastião, e um Daibo loiro, corisco. Já expressa no título uma referência aos poetas paulistas (porque São Paulo é terra de ninguém), Jorge Mautner, filho de um judeu austpiaco e de um padrasto alemão, imigrado ele próprio, escrevera em 1962 o livro “Deus da Chuva e da Morte”, citado posteriormente por Caetano na própria “Sampa”.
O filme de Glauber é o barroco, com suas imagens dialéticas À la eiseinstein, do discurso revolucionário, mesmo com uma distância de mais de 40 anos e tiradas da nouvelle vague francesa. Há toda uma ética na estética de Glauber, uma repulsa À violência da opressão social, pela justiça social. Glauber estetiza o Sertão nordestino do Brasil, traduz para o cinema a linguagem do cordel, do Brasil do Sol, de beatos e cangaceiros, do Sertão x Mar, de Deus x Diabo, lavradores e latifundiários.
Não é possível ignorar a crítica social e conjuntural imanentes a este filme. O filme é herdeiro do cinema novo, gerado na década de 1950, da Revolução cultural da Bossa nova, do concretismo, das Artes, da Tropicália, e foi lançado no ano da contra-revolução, do golpe Militar de Abril de 1964, em meio à tensão social e da ditadura militar. Como já fora citado sobre o movimento que o gerou, o cinema novo, que rompe com uma estética hollywoodiana, de orçamentos caros, as referências são filmes como “O cangaceiro”, de Lira Barreto, 1953, que influenciam Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, o próprio Glauber, apoiados no cinema eiseinsteineano, na nouvelle vague, no neo-realismo italiano, contando com poucos recursos e pouco orçamento – uma câmera na mão, uma idéia na cabeça” para revolucionar as artes brasileiras, fazer a crítica da realidade social do país, o que parece ser retomado no último cinema brasileiro, com a mesma miséria cultural doutrora
O filme contém basicamente três partes, podendo ser esquematicamente desse modo compreendido como uma referência aos Canudos de Euclides da Cunha e ao Cangaço: O sol, o homem: a morte cotidiana de um vaqueiro Manuel (1a parte) a terra de Deus: Deus preto: beatos, padres, critica aos dogmas das “Igrejas” (2a parte); e a Luta: o diabo, Corisco: o cangaço (3a parte).
II: O homem da Terra do sol

O filme enfoca o Plano do Sertão nordestino um modo de produção para lá de rústico: a produção agrícola, artesanal e manual de milho, mandioca, de subsistência e de manufaturas.A questão fundiária ou agrária é o enfoque central do filme. Há cenas riquíssimas que indicam isto: o céu de poucas nuvens e o chão seco; Manuel olha para a rês morta no chão, SUA ESPOSA MOENDO O MILHO.
Todas as imagens mostram um Brasil subdesenvolvido, uma Colônia do Sul, dos impérios, a dependência da chuva, as condições climáticas, da exploração do latifúndio. Manuel é um personagem, o vaqueiro, que individualiza seus problemas, pensando que podem se resolver na esfera privada. Já sua esposa, rosa, traz o Marido Manuel de seus delírios para a realidade concreta, para a condição de explorados que são. Rosa parece encarnar a primeira pessoa, o narrador-Glauber, críticos das condições de vida dos proletários, lumpen e camponeses pobres, bem como de todos políticos sectários e utopistas de esquerda e direita.
Ha uma cena extremamente dialética a la eiseinstein, que expressa a luta de classes entre vaqueiros e latifundiários Moraes (o Senhor) passa a chicotear Manoel o vaqueiro (o Escravo, o trabalhador), devido este ter perdido doze cabeças de rês pelas condições climáticas, da seca do sertão. Há uma luta entre forte e fraco, e Glauber mostra a alienação do proletário, que é maioria na sociedade, tem as melhores armas, mas é persuadido pelo patrão (facão contra chicote). Nesta luta dialética À la Hegel entre o Senhor e o Escravo, o Escravo vence, mas é obrigado a fugir, para não ser preso. E foge para companhia do beato Deus negro Sebastião e seu reino e igreja invisível.

III A terra do céu

Nesta parte, observaremos uma crítica tanto a corrupção e o egoísmo da direita, ao poder burguês, bem como À incompetência da esquerda em transformar e apresentar projeto alternativo ao país. Sebastião, que é apresentado com as Magnitudes afetivas de Villa-Lobos, é a réplica do Conselheiro e Manuel do povo de canudos, que acha ter encontyrado a salvação no Monte Belo.
Rosa, Yoná Magalhães, que é a voz da conciêncoia glauberiana no filme, é a luta contra a alienação dogmática e a pregação religiosa. Sebastião é como Antônio conselheiro, um pregador “populista” que acreditou viver à marge da República e da Igreja Católica, realizando um discurso sobre o poder divino de que o sertão viraria mar e o mar viraria sertão, ou seja, transformaria as relações sociais do sErtão, transformaria a aridez em fertilidade, conseguindo levar consigo um séqüito de pobres, convencidos de que há um lugar, uma utopia, em que não há desigualdades de classe, contrário ao latifúndio, e que este local é o invisível, por que está “dentro das pessoas”. Nesta passagem encontra-se a crítica glauberiana às três posturas: às esquerdas dogmáticas, prepotentes; À direita individualista, egoísta (Gigante da Maldade, República e Imperialismo) e ao público alienado igualmente explorado, que não se reconhece com e como explorados e farrapos humanos. Glauber avisa que não há saídas fáceis, simplista e milagrosas. Suas lições são válidas e muito úteis para a conjuntura atual.
A cena da contradição da pregação moralista do Deus negro como Sacrifico produz mais uma claridade de Rosa, o Glauber no filme, para provar o dogmatismo do beato, em querer matar um inocente, enrola-lo e apunhala-lo ( a cena da cruz e da espada são emblemáticas). Manuel vai percebendo-se explorado, carregando pedras e realizar provas sacrifíciaos que não condizem com uma utopia de uma sociedade emancipadora. Rosa apunhala o beato para provar a Manuel que está no caminho errado, um Deus maligno, diabólico, que mata inocentes para seus objetivos e para convencer e arrastar consigo uma legião de anjos guerreiros. Assemelha-se à uma crítica de a todos totalitarismos, inclusive o de esquerda à la paredon, desumano e antihumanista.
Por fim, nova fuga de Manuel e rosa, desta vez com o massacre do povo de Sebastião, do Sebastianismo do Sertão que virá mar, opostos ao Sebastianismo português, que o povo espera voltar do mar à terra. O matador é Antônio das mortes, personagem que reaparecerá no filme “Dragão da Maldade contra o santo guerreiro”. O personagem, um capataz, que mata o povo santo cobrando caro, com medo do castigo divino. Antônio das Mortes é um capataz, um mercenário, lacaio do imperialismo, capitão do mato, encarregado pelos latifundiários a por fim na imaginária canudos e todos os pobres e bandidos cangaceiros do Sertão. No filme “Dragão da Maldade”, Antônio das mortes adquirirá consciÊncia de classe e perceberá como errou até então, servido ao latifúndio e ao Dragão da maldade do imperialismo, passando a lutar ao lado dos oprimidos.
IV A luta: batalha do diabo vingador

Por fim, aos moldes dos Sertões de Euclides da cunha, o homem, ou melhor, os homens, as classes lutam em guerrilhas, demonstrando a impossibilidade de saídas individuais para problemas coletivos. Nesta cena, o cego cantador leva Antônio das Mortes ao Diabo lorio Corisco. A curiosidade é que o Diabo, figura maldita pelos cristãos, aqui é apresentado como um bandido cangaceiro no sertão, branco, em oposição ao Deus-santo negro, Sebastião.Ao som do Cantor Sérgio Ricardo, autor da música do filme, lutam ambos, Antônio das Mortes e o cangaceiro Corisco, luta que termina com a morte deste.
Nova crítica de Glauber à políticas e políticos de esquerda e direita, que devem governar pensando no bem comum, e não na corrupção, a sua “cegueira lança todos ao covil das feras.a Direita, ignomínia, ignorante, egocêntrica, “cega”; a “esquerda” são cegos, pois não vem a saída, são etapistas como o PCB que aliou-se À burguesia nacional: sendo o inferno um local cheio de boas “intenções”, estes seriam “aliados, e não capachos na luta contra o dragão da maldade do imperialismo. Nesta última parte, Corisco, um diabo, faz as vezes de um beato que discursa contra o demônio do latifúndio e da pobreza, da ignorância do sertão: o Gigante da maldade, inimigo do povo, o imperialismo. O filme contém propriedades únicas sobre a revolução e a contra-revolução em curso, qualitativo, profundo, radical, sem ser panfletário. Após o assassinato do diabo Corisco e suas cabezas cortadas, a música propõe a dialética entre o sertão e o mar, Deuz e o diabo, e Manuel e Rosa correm em direção ao mar.

V Conclusão

Glauber Rocha encerra o filme deixando-nos sem respostas, interrompendo em um momento enigmático, colocando o problema a todos. Por que Manuel não voltou e acode Rosa, quando esta caiu? Por que o filme não termina com a chegada de Manuel e Rosa ao Litoral? Rocha prefere deixar as questões em aberto, reafirmando que não existem saídas fáceis para o Brasil, e criando um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos, filme que traz a história de literatura de cordel e um filme barroco, dualista, entre deus e o diabo, o Sertão e o Mar, em que reinam os vaqueiros, os cangaceiros, beatos e matadores.

Professor Celso Augusto Torrano (EE Profa Alice Velho Teixeira/CENEART)

domingo, 25 de outubro de 2009

Fellinianas


Outro diretor cujos filmes são sempre uma boa pedida é o Federico Fellini. O cara que aprendeu com os mestre do Neo-realismo italiano, como Roberto Rosselini, do "Roma, cidade aberta" e Luchino Visconti, "Ladrões de Bicicleta". Curto filmes em branco e preto, como eles tinham bem menos recursos, como o Grifith, nos EUA, e usavam lentes coloridas, azul, vermelha, para dar tons diferentes, de acordo com a tensão e emoção do filme.
Voltando ao Fellini, seus primeiros filmes, como O Sheik Branco, sobre recém casados que se desencontram, A estrada da vida, em que mostram os atores do circo mambembe,entre eles sua esposa, Giulietta Masini, que manda muitíssimo bem neste filme, conseguiram introduzir o bom humor, a comédia e poesia ao realismo italiano. Sempre com aquela ingenuidade, como os Boas vidas, uns vagabundos que passam a vida na bebedeira, não se casam e sempre enrolam suas namoradas, ficam no carnaval eterno da vida.
O Fellini representou também a prostituição Nas noites de Cabíria, com a atriz-esposa Julietta Masini. Em outros filmes, o Fellini consegue colocar um toque de fantasia e de surrealismo, tais como o Julieta dos Espíritos, a sua versão para "Nunca aposte sua cabeça com o diabo", conto de Edgar Allan Poe, "As tentações de Santo Antão", que fez para o Boccacio, entre muitos outros.
Com certeza estou deixando muitos de fora, como Roma, Amacord, Os Palhaços, Oito e meio (aquela cena em que o homem chicoteia em torno, para as mulheres demoníacas que tentam possuí-lo), A doce Vida, neste em que aparece a cantora Nico e tem um bocado ainda mais, como os músicos grevistas do Ensaio de Orquestra, Cidade das mulheres, entre outros. O que mestre fez foi excelente, na maioria absoluta das vezes. Só vendo mesmo para falar, quem conhece, pode comprovar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Eisensteineanas



Eu tava assitindo uns filmões do caramba, na verdade, reassitindo uma fita VHS e tirando as teias do vídeo-cassete. Curto muito a sacada do Eiseinstein, o cara soube utilizar uma câmara na mão, poucos recursos, os atores eram o próprio povo, e não havia muita frescura.
Por exemplo, a Greve, O encouraçado Potemkin, tudo começa com o motim, a rebelião por conta dos marinheiros que se recusaram a comer carne podre.
Tem uma sacada de uma cena, uma das mais famosas, a da escadaria de Odessa.
Eiseinstein fez filmes também como o Outubro, dez anos após a revolução de 1917 na Rússia, com os próprios soldados, camponeses e trabalhadores. Sem atores famosos, o ator era o próprio povo. Tá tudo lá nesta fita, estes três filmes.
Tem outros filmes menos conhecidos, mas que são muito bons, como Ivan, o terrível, o czar que conseguiu unificar a Rússia. Os atores deste filme, principalmente o Ivan, tem uma sacada teatral, o olhar do czar, e como representou o próprio Stalin, e este censurou o Eisenstei por isso. Alexander Nevski também, simbolizando o pacto entre Hitler e Stalin. Mas sempre utilizando-se de fatos históricos do passado da Rússia medieval e feudal.
O último filme, inacabado, só consegui faz tempo em VHS, o Que viva méxico!, é excelente, até a configuração da morte, as celebrações dos mexicanos, o documentário tratou. Os filmes de Eiseinstein tem imagens de chumbo, o preto e branco é mais denso, é mais pesado como a indústria soviética desenvolvendo-se à milhão em sua época.

sábado, 10 de outubro de 2009

Música e filmes de terror


Foi legal conversar com a molecada sobre filmes de terror. Lembrei daquela música do Sérgião Sampaio.
E assim, conversando na sala com os estudantes, relembrei de diversos filmes que ficávamos até tarde para assisitir, entre Globo e SBT, como o Fressy Krueger da Hora do Pesadelo, omo o Jason Vohress, entre outros, como a Casa do Espanto, a Hora do espanto, Halloween, Amithyville, O exorcista, Poltergheist.
Eram filmes que na maioria das vezes até já prevíamos o final, mas ainda assim encarávamos. Paque para entrar ou reze para sair.

*

Só que estou sem o som da vitrola tenho que ouvir a música na minha cabeça nessa viagem. E tem tocado coisas de prima, a cavalgada das Valquirias do Wagner, como é grandioso, tudo imenso. Ou mesmo o Ludwig, e não é a Laranja mecânica. Ainda posso ouvir muito Strauss, seguidor de Wagner, com seu milhão de surdos em Assim Falou Zaratustra. Todos estes músicos do dezenove para o vinte, todos promissores, póstumos, Nâo é a toa que o V de Vingança, anarquista que destruia para contruir ouvia um Tchaikowsky quando detonava um prédio. A destruição traz a grandiosidade.

A música faz suportar de tudo, ela cura, coloca ao menos um pouco de uguento nas feridas da alma, como podemos ver em Schopenhauer, Nietszche e Bukowski. Torna a vida menos mecânica, menos previsível, menos tediosa.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pier Paolo Pasolini


Gosto de entretenimentos e lazeres baratos. gosto também dos caros, mas a grana uma hora acaba. Coisas que não são tão sérias, carrancudas ou cabeçonas demais, como dessenhos que eram em HQs e viraram filmes, Constantine, Sin City ou o 300 também, entre outras coisas em música, filmes ou qualquer coisas.
Mas não me furto de escrever aqui hoje sobre coisas que realmente exigem um pouco de trabalho. O trabaho de pensar. E como pensar dói! O Raulzito, em uma de suas músicas, Só pra variar, disse bem baixinho: "é pena eu não ser burro/ não sofria tanto"! Eu poderia até escrever algumas coisas açucaradas, inventar algum autor ou história não vivida com tesão. MAs prefiro a prova histórica de que escrever pode ser o começo de uma mudança. E esse cara começou esta mudança ao seu modo, só que com imagens e textos também.
Pasolini era um mestre de mãos e visão cheias. Saiu de uma escola do mestre Fellini (ele participa da produção de alguns de seus filmes. O Próprio Fellini bebera na fonte do mestre do neorealismo Rosselini, autor de Roma Cidade aberta, parte da trilogia da guerra). Pasolini, homossexual assuimido, assassinado de forma ainda obscura, por um garoto de programa. Alguns julgam o crime como político. Comunista (hoje tá fora de moda), fez grandes filmes iniciais como Acattone e Mamma Roma, em branco e preto, ainda sobre influencia de uma abordagem neorealista italiana.
Avalio como mais interessantes os filmes da fase posterior, que abrangem sua versão para as tragédias gregas Édipo rei e Medéia, e principalmente O Evangelho segundo São Mateus, que nos mostra sua visão materialista da história, um Cristo totalmente humano, sem idealizações transcendentes metafísicas. Mostra a carne de Édipo ou Cristo como a de um cordeiro, que podemos nos deliciar, e não a de um Deus metafísico morto. Tal ponto de vista assemelha-se ao de Kazantzakis em seus livros "A última tentação de cristo" e "o cristo recruxificado", um Jesus mais humano do que divino.
Pasolini ainda escreveu e dirigiu no cinema o filme "Teorema". Neste, já preconizava as mudanças ocorridas no Maio de 1968, da crise do petróleo e do advento do neoliberalismo e da chamada sociedade pós-industrial, cada membro da família simbolizando uma instituição. Os conflitos da pequenaburguesia, da classe média, sempre regados com muita sexualidade.
Curti demais quando vi sua adaptação do Marquês de Sade, realcionando-o ao fascismo italiano, "Saló ou os 120 dias de Sodoma e Gomorra". Faz um tempinho, passou em um cinema da Praça Roosvelt, no centro. hoje eu consegui o filme.
Outros tambem sempre souberam captar com realismo e sem baixarias a sexualidade humana, como a Trilogia da vida: os Contos de Canterbury, baseado na obra de Chaucer; Decameron, baseado em Giotto e Giovani Boccaccio; assim como As noites da Arábia, nas 1001 noites. A mídia os desqualificou como pornográficos. Mas a pornografia está nos olhos de quem os vê como pornográfico, sexo por sexo nunca é pornográfico em si mesmo. Pasolini nunca perdeu a dimensão histórica e social do sexo. Sempre fazendo a crítica à religião castradora e punitiva, como nos Contos: "se deus fez os órgãos sexuais, eles tem que ser usados. E não só para as necessidades fisiológicas". Ou as freirinhas doidas para resolver sua necessidades sexuais com um hortelão que se fez passar por mudo para entrar em seu convento. Ou as flechadas na boceta ou a mulher esquartejada por um demônio por que trepara com outro homem em 1001 noites. Pasolini sempre detonou a hipocirisa do Vaticano, Da Igreja Católica, assim como Almodovar faz até hoje na Espanha, em "Maus hábitos" ou "Má educação", entre outros em que é mais discreto. Pasolini é uma apologia à vida.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mais cruzas do bicho homem com outros bichos


Trailer de O homem elefante
E por falar em cruzas ou transas esquisitas do bicho homem com outros bichos (ver 2 posts atrás), recomendo ai para vocês mais um filme sobre uma cruza muito estranha: " O homem elefante", de David Lynch, que conta com o Anthony Hopkins (o Hannibal Lecter do "Silêncio dos inocentes"), John Hurt como o próprio e Anne Bancroft.

É um filme da década de 1980, acho que já vi até na TV, no entanto descolei um mais recentemente com um compa professore, o Dedão.

O homem elefante nos mostra a história verídica de Joseph Merrick (1862-1890), filho de uma circense (ao menos, sabemos pela foto de sua mãe, que ele guarda consigo desde pequeno), que em certa ocasião, é "violentada" por um elefante (ao menos é isso que nos dá a entender as cenas... é violentada, estuprada por um elefante...).

Merrick é um homem com deformidades no corpo (com a Síndrome de Proteu), que vive com um capuz todo cheio de medos, é um homem-elefante que apanha demais por ser tratado como animal, a maior atração do circo, até ser encontrado pelo medico Dr. Fred Treves, que cuidou dele e narrou esta história do século XIX.

No entanto, da sua condição desumana, o mesmo começa tornar-se sensível, inclusive até cristão, por conta principalmente da sua velada paixão pela atriz , a Sra. Kendal, que inclusive dá "Romeo and Juliet" para o mesmo.

O filme talvez nos dê uma lição para irmos além dos preconceitos e estereótipos babacas criados pelos humanos, para irmos além das aparências com as pessoas. É muito atual, nesta sociedade do espetáculo em que vivemos, de Sarneys fazendo o simulacro do nepotismo visível até outros tipos de hipocrisia.

O resto, fica por conta de vocês verem e tirarem suas próprias conclusões.
Eu gostei desta citação que encontrei, e compartilho:

"O Homem-Elefante é um belo ensaio sobre o que nos define como seres humanos. Se diante do comentário de Sartre que o olhar dos outros nos coisifica, ficamos com a observação de Merleau Ponty que diz que é no nosso olhar para o outro que encontramos nossa humanidade."

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