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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Isabella Sofia

Você é a obra mais bonita que realizei
Perfeita, verdadeira obra-prima
Esculpida no mármore dos deuses
Pintada com o orvalho da manhã
Desenhada com as lágrimas da noite
Talhada com a madeira de um carvalho sagrado
Você é o verso mais-que-perfeito, do melhor poema que já escrevi
Com rima, métrica ou versos livres, com forma e conteúdo
perfeitos e harmônicos
Trouxe-me alegria e esperança
Nos seus olhinhos de menina, criança
Você me conquistou definitivamente
Desde que a vi nascendo
O seu chorinho é a melhor música, os seus sorrisos
Ou mesmo desde a sua dança
seus chutinhos e soquinhos
Ainda no ventre?
És um anjinho mais lindo
Que fiz em minha vida

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O filho que ainda não veio: meu maior rebento

Amigos do Rebentos do Celso:

Minha longa ausência de quase três meses da última postagem aqui no blogue justifica-se por um turbilhão de mudanças e revoluções que aconteceram na minha vida.

Como um bom loco e delirante que sou, delirante, amante fogoso, agora estou me dedicando e preparando pra o meu maior dos rebentos. Dentro das três coisas que um homem deve fazer na vida, segundo o provérbio chinês (plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho), este será o último dos que ainda não havia feito: ter um filho, o meu próprio rebento.

Não falo da minha produção em verso e prosa que gerei ao longo desses anos todos, mas um este último, o rebento de carne, osso, sangue, vísceras e espírito virá arrebentando. Meu filho, que será a minha maior realização na vida dentro de cerca de mais seis meses.

Portanto, não estranhem minha longa ausência, seja por falta de internet em casa ou mesmo de tempo.

Abraços e saudações a tod@s.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sexta-feira da paixão de Cristo caminha pelas ruas escuras de Pinheiros
Ruas de vento lixo e baratas pelo chão da Paes Leme aqueles cabarés
portas no térreo e salão no sobrado mesas de bilhar ao centro
O cheiro de incenso exalado pelos recipientes sacolejados pelos padres
Aquela acústica de cantos divinos e celestiais
Toma a praça toda, subindo aos céus a procissão da Igreja do Largo de Pinheiros
Jesus coberto sob uma túnica púrpura olha para as coxas libidinosas da moça loira
vestida com shorts curtos, delícia de pecar
ter uma consciência pecadora dentro da igreja sem culpa e pecado, nada é gostoso
o barato e o tesão da coisa toda é a culpa, o sagrado ao lado da profanação
bares e botecos do cú do padre, balcões ensebados
salgados pura gordura e fritura e cerveja derramada E conversas passadas que a nada levam
Bebuns doidos quebrando espelhos de bordel batendo copos com a bebedeira na cabeça
chapados até o último fio de cabelo de sua careca lustrosa
Durinhas e outras gordinhas conversando horas a fio
Ou malucos que desenham você em troca de um rango no meio da noite
A noite solta seus urros de delírios cor púrpura enquanto rola na jukebox
Ball and chain da Janis ou Break On through do The Doors
São iluminações terríveis, bestiais e monstruosas que mordem o cérebro
Procura em vão alguma beleza e a volta do lirismo com toda força
em ruas de miseráveis cheias de nóias profetas barbudões
Uma gira dança nua no meio salão agarrada no ferro
Ela é uma Sibila, que lança suas falas advinda do oráculo do vodu 
de seus olhos de feiticeira, advinhadora, profetiza, sacertotiza dos terreiros do candomblé 
por Ogum, Xangô e toda a sorte de Exus, Zé Pilintra,
do ouro canta todas as profecias e previsões de sua vida
em apenas uma fala direta, dá toda sua vida e expõe as armadilhas e ciladas
Uma aventura leva a ruas desertas, cinco e cincoenta da manhã
Ruas do centro, pessoas passando, hotéis e padarias abrindo
pronto para um amor selvagem e furioso em uma cama do motel
após uma noite de fúria, som e música e muita vertigem de sonho de ópio
sonho com feiticeiras e profetizas negras da umbanda e candomblé e do vodu
Sonha com serpentes traiçoeiras correndo que o picam na barriga
São como vampirescas sanguessugas chupando sua energia e bondade
Mantenha distância do seu quebranto e mau olhado.

sábado, 24 de março de 2012


Vou lembrando da delícia de sorvetes comidos com casquinha
saboreados no remelexo das franjinhas e pequenos lábios
lambidos e sugados nos mamilos
Fico pensando na beleza e delícia da existência
Nos fetos triturados feito algodão-doce nas bocas
Abortados em camisas de vênus furadas
Na doçura da vida elegante, nas suas dores e delícias
Nos prazeres, tragédias, andando no Jardim das Delícias de Bosch
com as feridas corporais, sarampos na alma, micoses perebentas no corpo, chagas  espirituais profundas
Os sonhas mais úmidos com lágrimas choradas
O assovio do vento
levando consigo a poeira do passado

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de cinzas


quando todos papam 


hóstias e se recolhem


para a quarentena


Continuamos tomando 


cachaça


Para nós, sempre é e 


sempre será carnaval


Vai queimar no inferno 


herege 


Vai queimar na fogueira 


herege

Quaresma no inferno, 

uma temporada no 

inferno rimbaudiana, és 

eterna

sou um reles mortal

Sonho com gatos 

chorando lágrimas 

pesadas sob uma navalha

Gatos melancólicos e 

filósofos e

um julgamento e leituras 

de poemas e homenagens

à Suassuna

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Outro sonho doido

Mas também não sejam artistas metafísicos
que procuram criar obras idealizadas ou perfeitas
a matriz e a original
a ideia platônica e a aura perdida da obra de arte
não caia em idealizações inúteis
não busque a padronização
da matriz da cópia da cópia da cópia
viva a vida na sua enchente
cinemas de rua fechando
crianças de circo escola
o semáforo sempre vermelho pra elas
espaço da rua privado
estudantes apanhando da polícia
junto com sem tetos
que também apanham da polícia
na província de São Paulo


Essa noite eu tive outro sonho destes bem doidos, talvez premonitórios, como um desses oráculos, mas é bom ficar de orelha em pé. Eu tava dormindo babando no sofá, depois fui pra cama pra sonhar melhor. Voltei a rever vários colegas, de todos os lugares nesse sonho, que voltava na faculdade pra fazer algum esporte, depois passava na casa de meus pais, encontrava um amigo de mil anos que não via, todos estavam reunidos lá, eles passariam no Jaguaré, eu aproveitaria a carona, estava um puta de um trânsito para chegar até uma casa, ali na divisa com Osasco.
E eis que chegando, num instante, eu me vi com parentes, amigos, alguns que passamos ano novo, todos na casa do meu velho avô Augusto, em Casa Branca, no interior paulista. Estávamos lá porque um parente, mais precisamente um tio, havia falecido. Todos estavam velando o corpo no quarto do fundo da casa, enquanto rodadas de bebida que eu buscava na geladeira, comida, um cigarro passava por todos, parentes, amigos, alguém falava comigo sobre o trabalho.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sonho maluco

Essa noite eu desmaiei no sono e tive um sonho (seria um pesadelo?) muito louco. Sonhei que eu estava fugido, era um perseguido político, o motivo eu não sei bem qual, mas haviam vários homens da lei atrá da minha pessoa.
Eu lembro que eu estava na casa do meu falecido avô no interior paulista, mais precisamente em Casa Branca, e eu tinha de ficar escondido, saia só pelos matos, escondendo-me atrás das moitas, dando tiros (que na verdade, pareciam aqueles elásticos que serviam como projéteis, com os quais atirávamos papéis na escola, só que com zarabatanas ou algo parecido).
Em certo momento, eles quase me pegavam, eu sai na carreira, e entrei na igreja matriz, escondendo-me atrás de uma janela. Eu sei que eles entraram me perseguindo, abrindo a janela na qual eu estava atrás, e foram perguntando na missa, pois a igreja estava cheia. Eu consegui sair de mansinho, de fininha, com minha mochila nas costas, rumo ao desterro.
Acordei hoje cedo bem aliviado, em saber que tudo era um sonho ou pesadelo, mas resolvi escrever e desenvolver um pouco esta história.

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