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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Corre pelo interior paulista


Ontem fizemos uma grande correria, uma viagem de bate-volta até Catanduva. Gostei de conhecer aquela cidade, há um bafo quente e um mormaço, um cheiro de bagaço de cana na estrada. Boa parte do caminho eu já conhecia, Leme, Limeira, Pirassununga, Porto Ferreira, fui pilotando, para fazer um contato com professores antigos lá da região de Rio Preto também. Saímos bem cedo, rango na estrada, em Araraquara, depois seguimos o rumo, chegando perto de 13 horas.
Fizemos o corre-corre por lá, durante a tarde toda. Saimos de lá por volta das quinze para as seis, queimando o chão, e ainda passamos por Araras, a fim de poder fazer contato com outros professores na região. Já era bem tarde da noite, umas dez horas, e ainda estávamos naquela praça com o chafariz desativado, coretos e a imponente matriz, tocando um chorinho, cheiro de lanche do interior, damas da noite, cerveja e outras coisitas mais.
Chegamos quebrados em Osasco, já bem tarde, passado meia-noite. É uma puta duma roubalheira o número de pedágios, foi bom demais encontrar minha nega me esperando em casa, com suas rugas de preocupação, após chegar de sua viagem de uma semana.

domingo, 29 de agosto de 2010

Estou animando mais com a briga está tomando mais as ruas e ganhando boas proporções. Já voltamos a fazer visita aos professores, a coisa está esquentando, vamos virar este jogo. O tempo seco está meio estranho, acordo com minha garganta ressecada, o nariz também e por ai vai. fazendo um curso virtual, estudando um pouquinho pro vestibular (como é difícil disciplinar-se depois de um tempo, enferrujamos...), agora nas escolas de novo, visitando, pra coisa seguir em frente.
Estou lendo algumas coisas bacanas, consegui achar o Hipérion do poeta Friedrich Hölderlin, um autor que tem obras difíceis de encontrar (só tive acesso há treze anos atrás a seus poemas num livrinho da biblioteca do Centro Cultural São Paulo)  além de receber o livrinho do André Breton, Nadja, e outro do Qorpo Santo, Miscelânea quriosa, que encomendei virtualmente. eu já havia conseguido outro do Breton, o Arcano 17, agora encontrei o Nadja. Também escuto bastante música, mandei ver os bolachões do Master of Reality (fazia um tempo que não curtia), Frijiid Pink e o Road, foi uma boa diversão e um bom lazer.
Tudo da boa companhia, de bons amigos, de bons livros, da minha nega, e por ai vamos que vamos levando as coisas. Depois do trampo, depois do estudo, depois da militância, ainda dá tempo para ficar numas de Chinaski, tomando um copão de caipirinha, na boa, conferindo neste final de domingão as cabeludas aventuras do Indy Jones. Ainda que tenha um revisionismo do Império britânico, uma espécie de acerto de contas com o passado dos seus colonizados da India, serve para descontrair e lembrar um pouco dos anos oitenta. Só quem foi moleque naqueles tempos sabe o que estou falando. Nessas alturas da noite, já nem penso em patrulhas ideológicas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Gostei tanto destas: eis que as publico aqui

 Veja o vídeo da Reza brava para afastar as chuvas do Zé Alagão

quarta-feira, 14 de abril de 2010


Pós-greve e recomendação a um "jovem" professor


Diante das enxurradas com leptospirose neoliberal, o “pensamento único”, embalado na assepsia do “politicamente correto”, procria uma ideologização pragmática e de indolor contágio.

Para os que (ainda) torcem o nariz contra a eficácia das mobilizações dos atores sociais e o quanto isto (realmente) incomodam as elites dirigentes político-econômicas, creio que vale a pena refletir sobre uma “recomendação expressa” para "convencimento amigável" que foi dirigido "docemente" a minha pessoa nesta quarta-feira de 14 de abril de 2010:

*

"Acho que o senhor não precisa de dinheiro, senão não faria greve... E greve é pra gente que vive de ideologia."

(Diretora de escola da rede pública de São Paulo)



Dois e-mails que recebi hoje muito interessantes:


O primeiro, recebi do Sérgio Iscaro, professor, colega de classe (tanto como mestre, como estudante). Postarei novamente o vídeo da reza brava do Serra para resolver as chuvas.


O segundo é de um professor da rede também, O Wellington, do Tatuapé, capital.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A greve tira a mediocridade das pessoas que a realizam e que pensam sobre a mesma


Porra, a greve deve acabar, a vagabundagem e a iconoclastia divertida de colar cartazes ESTAMOS EM GREVE e causar a ira e discussão com diretoras mal resolvidas vai com ela também, entre outros barracos que foram aprontados. Toda semana pregando num deserto para milhares de pessoas, na estação de trem, na porta de escolas com estudantes e mesmo no comando da greve, tentando convencer aqueles que ainda mentiam pra si próprios e fingiam lecionar e continuavam nas escolas com toda merda que está posta. Durma com um barulho desses, a desunião é muito grande.

O pessoal retrocedeu com o rabo entre as pernas, tudo medroso e covarde, tudo bundão. Afinaram do pau. Antes sair derrotado, surrado, caído no chão, do que passar por cagão e bunda-mole que amarelou na hora da briga. Voltamos com olhos roxos, cicatrizes, arranhões, mas quem não viveu não sabe como é a parada. E esta nem de longe foi a primeira derrota, nem mesmo será a última, assim como o prazer e a dor andam juntos, derrotas e vitórias se alternam. A primeira que participei já faz mais dez anos, deu em derrota, mas ainda continuo vivo. Nem por isso não me vejo como alguém bancando de perdedor que fica reproduzindo a mesma fórmula de choramingar pelos cantos, fora do contexto de uma outra sociedade, do entre-guerras e pós-depressão de 1929. Nunca se lançaram de cabeça num abismo com tudo, nunca tiveram culhões de se detonar, se foder completamente de ficar sem grana e ainda vem me falar de convicções, de violência e como valentes e derrota no pé do ouvido. É mais fácil ganhar grana posando de derrotado do que sair no pau, tudo cú na mão. Só faltou ocuparmos um prédio, o que pode acontecer aos 45 do segundo tempo.

Por conta desta a vida ficou bem melhor, o ritmo da vadiagem, embora em certos momentos de uma greve se trabalhe mais que o normal, mas tudo dura pouco e acaba uma certa hora. Até a derrota tem fim uma hora, ou um gosto doce de momentos em que nos sentimos como reis.


E por falar em FODIDO e mal pago, recebi este e-mail de um amigo que admiro, o Sérgio, de Sumaré:

"Vocês sabiam que antigamente, na Inglaterra, as pessoas que não fossem da família real tinham que pedir autorização ao Rei para terem relações sexuais?

Por exemplo: quando as pessoas queriam ter filhos, tinham que pedir consentimento ao Rei, que, então, ao permitir o coito, mandava entregar-lhes uma placa que deveria ser pendurada na porta de casa com a frase
'Fornication Under Consent of the king' (fornicação sob consentimento do rei) = sigla F.U.C.K.., daí a origem da palavra chula FUCK.

Já em Portugal, devido à baixa taxa de natalidade, as pessoas eram obrigadas a ter relações:
'Fornicação Obrigatória por Despacho Administrativo' = sigla F.O.D..A., daí a origem da palavra FODA.

Por sua vez, quem fosse solteiro ou viúvo, tinha que ter na porta a frase: 'Processo Unilateral de Normalização Hormonal por Estimulação Temporária Auto-induzida', sigla P.U.N.H.E.T.A.

Vivendo e aprendendo...
Lúcio"

Fico ainda mais vagabundo na greve e faço as coisas ainda melhor


Taí um pensamento de mestre que me veio à cabeça ontem, quando fui cobrado por não tirar a gordura da pia da cozinha. Também sou um tanto folgado, faço as paradas sim aos poucos, no meu ritmo, mas nem curto ficar dando uma de clean e de mania de assepsia. Gosto mesmo é da vagabundagem e da criatividade dos ociosos, já basta o trabalho que me arranca diversos prazeres, então no tempo livre, quero coisas que me enobreçam, meu direito à preguiça, e não mais malditos tripalium medievais que nos torturavam e ainda nos torturam. Como um bom tarado que sou, prefiro trepar bem, com arte estilo, cair de boca na priquita à desengordurar pias: já basta lavar os copos e pratos e minha roupa, até para engomar tenho preguiça, tiro do varal e já visto. Todo trabalho empobrece o homem e a mulher, ainda mais o doméstico.

6

"Lydia gostava de festas. E Harry era um festeiro. Então, a gente se pôs a caminho da casa de Harry Ascot. Harry era o editor de Réplica, uma revistinha. A mulher dele vestia uns longos trasnparentes, mostrava as calcinhas pros homens e andava descalça.

- A primeira coisa que eu gostei em você -me disse Lydia - é que não tinha tevê na sua casa. Meu ex-marido via tevê toda noite e durante o fim de semana todo. A gente tinha até que planejar nossas trepadas de acordo com a programação da tevê.

- Hummm...

- Outra coisa que eu gostei na sua casa é a imundície. Garrafas de cerveja espalhadas pelo chão, montes de lixo po tudo quanto é canto, pratos sujos e uma coroa de merda na privada e a craca na banheira e todas aquelas giletes enferrujadas em volta da pia do banheiro. Eu sabia que você era capaz de chupar uma xoxota.

- Você julga um homem pelo lugar onde ele vive, né?

- É. Quando vejo um homem de casa arrumada eu sei que tem alguma coisa errada com ele. E, se for muito arrumada, eu já sei que o cara é bicha."

Diálogo entre Lygia e Chinaski, em Women

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Greve no décimo round


A pancadaria da greve tá durando vários rounds, já vai para os quintos dos infernos. Estamos levando vários boxes, e dando tantos outros que não fazem eco na mídia e na imprensa marrom, como o de exaurir nossos próprios recursos pessoais até a exaustão. Quem fala em ser derrotado não sabe o que é ficar zerado, surrado e ainda assim continuar brigando. Já rodamos a cidade inteira, já aprontamos de tudo pela cidade, colagens, fizemos todos os contatos com rádios, com jornais, com outros sindicatos, ocupamos a tribuna da Câmara municipal, deitamos e rolamos pela cidade de Oz. É a maior escola, melhor que qualquer escola possível de ser frequentada.

Os nossos ditos big liders (digo nossos e ditos por cortesia, pois somos nossos próprios líderes) não tem tido tanta competência como nós para pedir o direito de resposta da imprensa que nos massacra, e o massacre é grande. Também não estão sabendo conduzir a greve e apontar um caminho, uma direção para a professorada toda que a faça animar e ter vontade de continuar a brigar. Até nossas propostas são melhores para conduzir, e fazemos e não temos pudores de dizer isto. Ainda que façam com que nossas propostas caiam no esquecimento propositalmente.

Parece que a coisa toda vai minguando, minguando, mas quem pagou dez para entrar nessa briga, paga vinte para não sair dela, e quer sair de cabeça erguida, ainda que mesmo se derrotado, mas nunca com a sensação de estar com o rabo entre as pernas por não tentar.

Leia também o blog de nosso coletivo de professores, o MUDE a APEOESP:

http://mudeapeoespcsd.spaces.live.com/

Apoie a Greve dos trabalhadores em Educação: assine o manifesto em apoio à greve no magistério

http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dFBHdEhGMHFVVlBKRDNZWGxvby1zamc6MA

domingo, 28 de março de 2010

O Führer do Palácio dos Bandeirantes: "As idéias são à prova de bala" (V for Vendetta)

"Lembrai, lembrai do cinco de novembro

A pólvora, a traição, o ardil

Por isso não vejo como esquecer

Uma traição de pólvora tão vil"
 
"V"
 
Governo Serra/Paulo Renato proíbe que Diretores de escola forneçam dados sobre a greve dos trabalhadores na educação à imprensa

segunda-feira, 8 de março de 2010

A virgindade na guerra da política sindical e da greve


Eu até compreendo as razões de alguns artistas verem as coisas de fora, na perspectiva de rãs em sua maioria, e poucos, na de águia. Vários artistas e estetas sempre levantaram a lebre da autonomia da arte em relação à sociedade, à política, da arte como um vir-a-ser, uma negativo, uma utopia. Mas daí cobrar dos mesmos que tenham a dramaturgia  ou poesia de um Brecht, Breton, mesmo o Plínio  Marcos  ou qualquer outro, já é demais.

No entanto, só posso entender como preconceito ou desconhecimento o sentimento de estar do lado de fora da guerra. A dita marginália de outrora, o dark side, o noir, tudo é um belo romance que vende em pockets nas bancas de jornal. É um estar fora tão integrado possível, e não há problema nenhum nisso. Não recrimino ou discrimino ninguém pela adaptação ou adesão ao sistema, ou muito menos sua alienação. Até penso que cada um é alienado em  alguma coisa, pois não é possível ser um cara entendido em 100% de tudo.
Até a classe operária, a classe revolucionária quando para si, segundo Marx se aburguesou  ou "chegou ao paraíso" desde a Alemanha com a social-democracia, tornou-se aristocracia operária e até mesmo apoiou o nazismo anos depois. O proletariado deu adeus. A burguesia é a classe universal a partir da modernidade. A história se repete, e não penso que é errado querer uma confortably life, principalmente se se arrebenta para conseguir algum tiquinho. O trabalhador que vive na favela com certeza não está lá porque gosta, e se pudesse, gostaria de comer salmão, lagosta e caviar acompanhado de chamapanhe francês, por que não? se bem que pense que ainda assim, a vida não se resume a isto, nem só de pão vive o homem, às vezes é necessário um pouco de poesia.

É claro que seria demais cobrar experiência de quem não tem, como artistas lumpens, da marginália, dos dandis e flaneurs, embora eles sejam um sujeito importante, que tem um potencial de mudanças, eles pairam sobre a luta, portanto, não estão tão apegados ao econômico, tem o sentido do sonho, do imaginário, que é importante a beça. Mas não estar tão apegados ao econômico não quer dizer que este não o puxe pelo pé, mesmo que o artista seja o seu próprio pequeno empresário. Mesmo que ele que ele produza seu próprio pequeno capital e seu próprio assalariado, ele depende sempre do econômico pra lançar sua obra, em qual meio for, a não ser que tenha um grande mecenas por trás ou herdou uma grande fortuna. E o que faz, independente do horário, se bate ou não cartão, é um trabalho também, trabalho intelectual, mas que não o deixa de ser um trabalho e exige certa disciplina para sua produção. O fator econômico sempre puxa todos pelo pé, independentemente de escolha. Estamos todos no mesmo barco furado, só que como farão alguns tipos de luta, se são seus próprios patrão e empregados?

Dai talvez a desunião e concorrência individual dos artesãos e artistas, que só puxam a brasa pra sua sardinha e esquece muitas lutas que são coletivas, como o direito à cultura, o aumento no orçamento no incentivo e financiamento à cultura do povão. São poucos o que bancam isto e que fazem a discussão e ação em torno de políticas públicas. A maioria só trata de questões ou brigas individuais ou pessoais, que não passam de agressões verbais ou físicas contra outros trabalhadores e não contra os verdadeiros opressores. É um verdadeiro umbiguismo, corporativismo em seu sentido mais ralé de puxa-saquismo. Afinal, porque nem é ao povão que eles chegam, só na classe média mesmo, e esta é farisaica.

Tenho compreensão de que quem só tem a idéia da coisa, o conceito não-vivido, dificilmente saberá da emoção de entrar no ringue da política sindical, pois não tem a experiência, a sensação e a pegada para a bagaça. Quem nunca fez uma greve nunca saberá o que é uma, da mesma forma que quem nunca deu uma, só quando trepar saberá como é. É como em uma luta de boxe, você tem dez assaltos para vencê-lo, mas sempre procuraremos levá-lo a knock-out o mais rápido possível. Você deve ter estratégia: encaixar uns cruzados de direita, outros pela esquerda, uns jabs, pra derrubar o adversário. Às vezes é mais difícil, como agora, sentir-se sobre uma torrente de porradas que o adversário nos abate.

Uma greve é uma guerra, o sangue ferve, a adrenalina vai a mil, mas a cabeça deve jogar como no xadrez, como um estrategista. Só julga bom para quem é um tanto louco. Quem se interessa por política com P maiúsculo está fora de si ou não deve ter um pingo de juízo na cabeça, diriam Platão e Aristóteles. Pois não é legal, só se faz porque é necessário, guerra é guerra, tem que ser um tanto apaixonado pela coisa, assim como em tudo o que se quer fazer bem.

E na guerra, como se sabe, não há mocinhos nem bandidos, vale tudo, apenas interesses, golpes baixos, nem bons, nem maus, que se evidenciam como putas véias sabem muito bem o que desejam. Não tem nada de santos "ideais" ou "causas nobres" como se diz quem está de fora: a coisa é mais pragmática, são manobras de guerra e tiros de pistola à queima roupa no inimigo. E o que se quer não são grandes "causas" ou "ideais" nobres, que são coisas de freiras, mas pão, redução da jornada e consequentemente um pouco mais de poesia. Mas até é compreensível a incompreensão dos virgens no assunto. Desde os anos 1990 foram desfavoráveis para a ação sindical. O desenvolvimento, o crescimento e a retomada do crescimento pós-crise mundial de 2008 no Brasil fará com que as lutas econômicas, as lutas de classe, tendem a voltar a cena, e talvez os puristas aprendam algo sobre o assunto. Em algum momento, se cai do cavalo, se leva um coice da realidade. A queda é inevitável.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Derrotados, surrados, vencidos e banidos
É assim que estamos
mas jamais nos rendemos ou nos vendemos
Rifados e até batidos estamos
Quando os esquerdas nos chamaram
para suas reuniões pró-forma
desconfiei que só queriam nos usar
Preferi desta vez ficar em casa a ver
Pela décima milésima vez
A crônica do amor louco em que estou metido
Encarando os olhos no escuro e
sentindo as coxas da minha Ornella Mutti
Com minha cara de bebum alegre regado à cervas
A dor e a agonia do Gazarra transformadas em lirismo
Tinha muito mais sentimento e sinceridade
que os pequenos burgueses dito esquerdistas
Mandei-os todos para o espaço, assim como o coletivo
estes ditos comunistas e socialistas de araque
Os mesmos que nos deixaram na mão, e nos foderam legal
Muita gente usa símbolos e rótulos de fachada
no fundo só pensam no seu umbigo e na sua conta bancária
tiram o seu da reta quando o pau tá comendo solto
deixam os trabalhadores se foderem sozinhos

sábado, 5 de dezembro de 2009

Escola sem mestre e professor



Passou já a pauleira das eleições sindicais, aguentamos os estresses de alguns pequenos ditadores com tons professorais, a simpatia de uma grande parte, errar, erramos, e os de cima erraram mais ainda do que nós, nós conseguimos um bocado de coisas com nossas próprias pernas, lábia e convencimento. Mais estropiados, mais fodidos, mais duros, porém, se você entra numa briga, tem que sair com os olhos roxos, alguns arranhões, cicatrizes e sangue. Do contrário, não aprende nada, não brigou, não teve graça.

O nosso pessoal tá legal, nossa galerinha de professores tá mais entrosada possível, tamo mandando ver, crescemos bastante, um dia ainda chegamos lá e vamos fazer a diferença. Amanhã ainda apuraremos e veremos o saldo. Quem sabe depois ainda eu darei um rolê para ver a vanguarda de Lira, quem sabe o que será daqui pra frente, posso até ver o Hughes pra desbaratinar daqui uns dias, ele virá aqui em Pinheiros também.

Passado o cansaço, penso como é bom correr o risco, como é bom ousar fazer as coisas, não são todos que passam por esta lição e por esta escola. O legal e o importante é que está crescendo, o que aprendemos, não há aprendizes nem professores nesta escola, ninguém é mais que ninguém, mas a experiência e o aprendizado, se meditado, fazem uma enorme diferença nessa coisa.

É que meu velho tentou ensinar-me matemática de uma forma que não entrava na minha cabeça de forma alguma, na marra, na mesa da cozinha, após a janta que minha velhinha preparava carinhosamente para nós.E eu não digeria bem as lições da marra do meu velho pai, com seus cigarros, pós de guaraná e milhares de ídolos, deuses e falsos profetas que ele se apegava para acalmar seu estresse e sua profunda depressão.

Eu aprendi a matemática na paulada, fazendo as contas com a política, no sindicato, para fazer e aprender a definir qual é a melhor estratégia para dar o rumo. E isso faz uma grande diferença, o aprender na prática, e como disse o cantor, as cacetadas desses anos todos me deixou mais velho que meu velho pai. Só assim para tornar-me uma puta véia da política. Ainda bem que não segui o caminho que meu véio queria para minha pessoa, eu mesmo fiz meu caminho e fui meu próprio mestre.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Quando eu dou uma sumida de uns três dias por aqui, é que estou aprontando bastante. Pode ter certeza, eu sou mais um detonador, um armador, uma bomba prestes a explodir do que tenho talentos para escrevinhador.
E nossa gangue tem feito uns estragos bem legais, tem dado trabalho para os bem comportados e endinheirados. Estamos preocupando os poderosos.
Vamos para cima deles, fazer estragos, lutando contra grandes tratores e rolos compressores, embora essa vida seja de fato realmente um grande saco. Só quem é um bocado louco mesmo pra aturar e gostar.
Tô indo para o interior, em Catanduva-SP, amanhã, pra costurar, pra amarrar uma transação e depois voltarei, mas a noite.
E se prepara que eu darei uma sumida novamente esta semana, rodarei em Embu, Jandira, todos os dias. Só estarei disponível no próximo final de semana.
*
Hoje eu iria ajudar um companheiro, o Rítalo, mas furou tudo. Começou pela bomba d´água do fiatinho, que deu bucha. Tive que ir arrumar no Butantã, num chegado do meu pai, o Valderes, um alagoano muito gente boa, como o Rítalo. Os caras da mecânica são muito zoeiros, ficam falando das xotas, das mulheres, eu dei um toque para um deles que lá a proporção é de três para um. O sujeito irá para Uberlândia trampar por lá e gostou da informação.
Passando na avenida do São Domingos, eu vi um moleque que fazia uma cara que não via, o filho do dono de um boteco, um gordo palmeirense. Aquele moleque era um bocado folgado e parecia um porco gordo. Continua do mesmo jeito, deve enfiar o dedo no cú e cheirar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Estamos quase no final do ano. As reposições estão acabando. Quanto mais trabalhamos, mais ficamos sem dinheiro. Duros, sem grana, fodidos e mal pagos.
Depois que fui dar um rolê no centro, comprar umas mídias de cd e dvd na Santa efigênia, passei pela liberdade, no glicério. Entrei num buteco pra tomar uma cerveja e uma caninha. Lá estão os bucaneiros. Eles julgam saber tudo sobre fórmula 1, sobre futebol e outras coisas. Com certeza é uma arte, eles sabem o que falam. Eu prefiro ficar com meus devaneios. Eles rodopiam, vão longe. Sentado, sorvendo o levedo de cerveja, intercalando com bicadas na cachaça. Procuro esquecer que estou duro, do contrário, acabaria metendo uma bala na cabeça ou tomaria veneno.
Mas seria arregar da briga. SEria como fugir da guerra, e eu não sou nem um pouco cuzão. E eu vejo passar as coxas de moças, tá calor pacas, e a grana da bagana tá acabando, e eu nem consigo mais me divertir.
Eu me arrebento, continuo insistindo, teimoso e marrudo que sou. E eu faço o jogo, pois sou um amarrador, um armador, aquele que negocia. Tenho ficado durango, isso tem me enchido o saco.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os bandidos engravatados com o poder de votar as leis, estão votando neste instante o Projeto do Sade-Serra que foderá mais ainda com os professores e a Educação


Hoje a tarde fizemos um agito, com muito pouco tempo e recursos, conseguimos agitar alguns professores e professoras, que passaram lá na goma da subsede, e fomos para a Assembléia Legislativa. O dia não tava pra peixe, e a maioria ainda prefere ficar na escola, infelizmente, até entendo, pois a desmoralização e o desconto são imensos. Só deixarão de ser coitados (fodidos, pois coitado deriva de coito, foda) levantando a cabeça e derrubando estes pilantras. Tem o maior poder nas mãos, podem sacudir o mundo.
Logo no início fomos tratados como bandidos, a polícia e a tropa de choque impediam de entrar naquele elefante branco, das tetas da vaca sugadas do povo. Fomos dando nossos papeis, e sacando aquele marasmo.
Começou uma falação rápida, a oposição obstruiu, mas todos os puxa-sacos do Vampirão anêmico, o Senhor José Serra, ficaram calados e nada defenderam o projeto que foderá de vez com a carreira profissional dos mestres professores.
E esse verme nazista ainda quer ser o presidente e levar seu economista da educação para o ministério da Educação, para voltar a foder com a Escola pública, da básica à superior, e encher o bucho dos donos do ensino privado.

"Fora! Fu! Fora o bom burguês!..."(Mário de Andrade)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Garapa



Hoje estavam dando uma mão de tinta na sede e fiquei meio locão. Embora eu já esteja acostumado com o benzeno e afins, por ter detonado os pulmões com estas porcarias quando era mais moço, como cola de sapateiro, loló, lança perfume, benzins, thinner e outros solventes. Não tô com dor de cabeça, nem nada, só vi como as pessoas daquele lugar, como são dissimuladas e falsas, eu não preciso fingir nem um pouco, todas querendo parecer trabalhar sem fazer porra nenhuma, um bando de puxa sacos do poder.
Eu fiquei só no meu canto, curtindo um filminho no improviso no pc, ganhando a lança e sentindo o cheirão forte da tinta e solventes por mais de três horas seguidas. E não tive nenhuma dor de cabeça depois. O meu corpo já estava preparado.

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seguindo após Pitangui até Muriú-RN

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