quarta-feira, 16 de junho de 2010

Divulgação de um evento sobre a Obscena Senhora HH

Mais um caldo, please




Ontem eu fui até a Liberdade à noite. Minha neguinha poty  pediu que eu fosse entregar umas provas que ela corrigiu lá na FMU. Eu faço tudo por ela, sem corpo mole. Fui de metrô, foi bem rápido. Cheguei na Secretaria, deixei o pacote pra uma mulher que deu um visto e arredei pé pra trás. No caminho, como houve jogo da seleção, eu vi os mais diferentes tipinhos, verdadeiros bobos da corte, com aqueles chapéus de palhaço verde-e-amarelo com bolas nas pontas, e mesmo sendo mais de oitimeia da noite os caras tocavam aquela trombeta, enquanto ficavam pelos bares da Avenida os adultos infantilizados após a copa. Lembrei-me como era melhor aquela avenida mais acima, quando chegávamos ao Cultural e ouvíamos uns blues na terça. Depois o povo enchia a calçada do Chicão, e as idéias, as pessoas rolavam com a maior intensidade das coisas. Bom, depois de passar por aqueles tremendos abestalhados, fiz questão de ir para casa, dar um tempo pra buscar meu bem. O caldo de madioquinha com alho poró que ela faz é divino, insuperável, ainda mais se eu acrescento aquele alho torrado e queijo ralado, não há melhor coisa no mundo pra esquentar o bucho numa noite fria de junho.

Filosofia de c... é r...

Aos escritores de ofício e de plantão, é válido afirmar que ironia e sarcasmo são sinônimos, segundo o Aurélio e o Houaiss, além de ambas serem sinônimo de zombaria. Isso só considerando a etimologia da fina flor do lácio, a última, inculta e bela. E pra quem trabalha com esta puta chamada palavra, não saber lidar com os sinônimos é o mesmo que uma meretriz que não sabe seu ofício, faz apenas o beabá, aquele feijão-com-arroz com sua língua. Ou se sabe, ou não se sabe algo: só se adquire a sapiência com a experiência, tempo e exercício-estudo. Escritores amadores ou senso comum para com as palavras, tá fora.
Sem contar o peso que essas palavras tem na própria história, aliás, até no próprio conceito do sarcástico implacável com seus interpeladores, Sócrates, o pederasta mor. No entanto, um boiola não é um macho, nem um macho um boiola. A não ser que o macho tenha suas dúvidas e crises de identidade e precisa provar algo pra si próprio ou pra alguém, daí a baitolagem aumenta. Talvez seja a entonação ou o uso que se faz no contexto de seu grupelho, de uma ou de outra, em cada situação, mas daí, é excesso de preciosismo demais achar que as suas opções linguísticas ou do seu grupelho são revolucionáiras e se imporão ao vernáculo é filosofia de c... demais; e filosofia de c...  é r... na certa o que ele procura.

*

Escrevo isto para nã fazer coro com a homofobia ou a idiotice organizada em forma de fascismo. Não discrimino ninguém peça sua orientação sexual, aliás, consigo ver a essência da arte que produziram muitos homossexuais, escritores, músicos, diretores de cinema, o que nos aproxima de tudo e a todos é em essência a boa música, bons discos, bons livros, boa comida e boa bebida. Isso que Caça às bruxas, inquisição ou santo ofício, enfim, intolerâncias, precionceitos e obscurantismos medievais não são coisas com que me dou bem, aliás, elas eventualmente podem voltar-se contra minha pessoa também.

Por exemplo, eu admiro demais o Oscar Wilde, um cara que foi preso no século XIX apenas por declarar que era homossexual, criticando os autoritários que tiranizam em A alma do homem sob o socialismo. Também admiro o São Genet, Pasolini, Ginsberg, Bowie e Mick Jagger, Freddie Mercury, e por aí vai a lista. E isso não quer dizer que eu goste menos da minha nega ou que tenha debandado de lado por admirar e gostar de artistas homoafetivos ou mesmo apoiar sua luta contra o preconceito. Há grandes caras que conheço, professores, grandes amigos, que são muito politizados, cultos, e pra minha pessoa a orientação do cara não significa nada, o cara é normal e igual em direitos a qualquer pessoa que pisa nessa terra. Quando superarmos esta mesquinharia e esse espírito  tacanho e provinciano, chauvinista com uma face moderninha-que-faz-gracinha-pra-se-aparecer, talvez seremos humanos melhores.

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