domingo, 23 de janeiro de 2011

Minha poesia segue

Minha poesia segue
Sem complacências com os de cima
Nem com a bajulação eterna
dos puxa-sacos de sempre
Como alguns fizeram
pra entrar no club in
ainda que posem de outsiders
Não peço licença
nem satisfaço exigências
do gosto do público
com uma fórmula
pronta e acabada
prás vendas

Minha poesia segue
Dando murros em ponta 
de facas afiadas 
não compactua com
exigências do mundo
 e seus compromissos
Segue sozinha, uivando
loba solitária
em meio à
cidade 
cinza
chuvosa e 
alagada

Mais alguma diversão à vista


Mais alguns filmes bons para assistir. Agora, até que a chuva deu uma trégua, ao menos, desde ontem, depois daquele vendaval com chuva. Até consegui sair.
Assisti novamente o final dos filmes do Americano , "O pão nosso" e "No turbilhão da metrópole", de King Vidor, de 1934 e 1931, respectivamente. Filmes em preto e branco, feitos no período posterior à Grande depressão norte-americana de 1929, e tem como base as ideias socialistas e humanistas de seu criador, com pitadas de bom humor.
O primeiro trata de um sonhador e idealista, John, que com sua companheira, resolvem morar no campo, em algumas terras, no sul dos Estados Unidos. Posteriormente, tem a ideia de colocar anúncios, convidando todos aqueles e aquelas que quisessem trabalhar com ele na fazenda, socializando os esforços do trabalho de cada um, suas posses, entre outros, passando por todas dificuldades, seca, e superando os desafios. Tem um tom muito cômico em algumas passagens
Já o Turbilhão na metrópole se passa em um prédio em que vive uma comunidade operária, que possui desde migrantes italianos, judeus, russos, entre outros. Mostra o cotidiano desses habitantes do prédio, seus conflitos, as intrigas, os romances, a vida das crianças, as infidelidades e as fofocas ocorridas em um ambiente promíscuo dos trabalhadores pobres de Nova Iorque.
O tempo está ajudando, melhorando. Mais tarde volto para comentar mais filmes. O último achado na época de natal bem baratinho foi a "Fúria de Titãs", filmão sobre mitologia grega, um dos primeiros com efeitos especiais bem primários, que eu me lembro de tê-lo assistido em inícios da década de 1980 na TV, à noite, bem tarde, com primos do interior, casa cheia, muita expectativa, pois o filme prende do início ao fim.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ermitão isolado pelas chuvas de Janeiro


Com estas chuvas do último tempo, tenho ficado bastante recluso neste Janeiro molhado. Fui a um congresso, em Brasília, pouco tempo, muito trabalho, voltei na segunda, mas nem deu na telha de escrever. Tenho ficado feito um ermitão, um misantropo em casa, alagado, escondido na minha toca, no fundo da minha caverna. Estou estudando, lendo, escrevendo (no papel, à moda antiga) bastante, e aproveitando o tempo para rever uns finais de filmes bem doidões, que no período de trampo, vou assistir muito tarde e acabo dormindo no final.

O primeiro que revi foi o As sandálias do pescador, de 1968, baseado no livro homônimo de Moris West. Ele trata da sucessão papal, e o interessante é que um ex-prisioneiro político da Sibéria assume o mais alto posto do Vaticano. E ele acaba tendo uma missão muito importante, de impedir a guerra nuclear, ser um interlocutor entre  os conflitos sino-soviéticos e os ianques. Massa. E outros filmes bem sinistros que revi, ou melhor, assisti novamente o final, foram Ana e os Lobos e o Cria Cuervos. 

Todos os filmes do Carlos Saura tem como inconsciente coletivo a Guerra Civil espanhola, e muitos dos personagens parecem repetir-se propositalmente. Neste filme, tem uma gruta a um ermitão eaté a residência é a mesma daquela do filme posterior, Mamãe faz cem anos. Trata-se de três irmãos, que representam as instituições espanholas, a Igreja, o exército e o sexo reprimido, e que fazem um baita terrorismo psicológico sobre a pobre da Ana. O final é bastante macabro e até inesperado.
Já o Cria Cuervos trata do universo e das lembranças de outra Ana, uma menina, que possui duas irmãs, mas é criada por uma tia e empregadas. Esta menininha tem várias viagens e sonhos, vê a mãe, é uma rememoradora de um passado de mais de vinte anos. Também possui um final bastante sinistro.
Passei para escrever isto, e quebrar meu isolamento, agora voltarei para o fundo da minha caverna, para o alto de minha montanha de ermitão.



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