quarta-feira, 7 de março de 2012

Apenas vê hoje o tempo escorrendo entre os poucos fios de cabelos já escassos na testa calva
Como desejaria nunca conhecê-la ou que nunca tivesse existido: tudo ficou tão triste e mais assombrado
A decepção e o esvaziamento do seu ser esvair-se em prantos hoje tudo secou
E não acredita mais em fantasias, em sonhos e fantasmas, segue cada vez mais cético
Com a fuga as mancadas  pisadas na bolas o charlatanismo e a picaretagem

Tempos em que se discutia Restiff La Breton e Marques de Sade nas alcovas horas a fio
Em noites da musa mousiké, o fio da espada, o frio na espinha, a navalha na coluna e na carne
Cheias de emoção e brilho nos olhos de mentes imagem ativas  sem travas na língua
A intensidade e o êxtase com as noitadas molhadas, noites de neon, noites suadas, noites bêbadas
Em viagens doidas no mato, acampamentos na cachoeira, ermitão dormindo ao relento em pedras conversando em redes até a aurora embriagado de brisas à beira mar


Agora tornou-se um velho chato e carrancudo não tem mais a alegria de outrora
Tudo é a rotina e a mesmice do cotidiano e a vida segue sem sal e sabor
Como um carcaça apodrecendo a cada dia um pouco uma nau perdida sem leme
Como uma vela acesa no meio de uma tempestade de neve
Os olhos derretidos e secos de chorar tantas lágrimas em vão.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de cinzas


quando todos papam 


hóstias e se recolhem


para a quarentena


Continuamos tomando 


cachaça


Para nós, sempre é e 


sempre será carnaval


Vai queimar no inferno 


herege 


Vai queimar na fogueira 


herege

Quaresma no inferno, 

uma temporada no 

inferno rimbaudiana, és 

eterna

sou um reles mortal

Sonho com gatos 

chorando lágrimas 

pesadas sob uma navalha

Gatos melancólicos e 

filósofos e

um julgamento e leituras 

de poemas e homenagens

à Suassuna

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Da boca saem jatos de cogumelos atômicos


E borboletas de cristal voam como efemérides


Nunca o passeio foi tão longo e estranho numa noite de bebedeiras


Solitário por noites loucas, os caminhos de néon em corredores da morte


Noite dos nóias zumbizando mortos vivos procurando pela pedra sagrada comestível para tragar e entorpecer seus brônquios de metal


E putas mais doces de saias curta e coxas grossas e outras magras loiras morenas todas angelicais
umas bundudas outras peitudas passeiam pelas ruas próximas da Rua Mauá na Estação da Luz


outras doidas e sorvendo o líquido da vida a mil por hora, cantando e fumando narcóticos aspirando o hálito vital da noite em pó


Enquanto uma dança feito louca dança mascando chiclete com cara de insana louca e demente


Libidinosidade andando pelas ruas de papel e creme comendo sanduíches gordurosos de realidade


Vendo filmes pornôs muito sacanas e surreais em que as mulheres fazem mil caras e bocas quando chupadas no grelo e falsamente gemem quando penetradas, curradas feito éguas em posições malucas


A noite passa como fios de néon, alucinadas, com luzes e cores mortais acesas em brasa gritando e clamando em seu seio por mais suavidade e tranquilidade nos corações aflitos por mais


Com sede de amor, famintos por um pouco de afago e carinho em almas perdidas


Clamando por mais imaginação e criatividade em noites loucas e delirantes

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Pilotando a banheira do Manoel nas dunas

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seguindo após Pitangui até Muriú-RN

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Desenhista do bar e restaurante Salada Record

Mix, podi mandá "uma" aí?