REBENTOS DO CELSO: Poemas, causos, memórias, resenhas e crônicas do Celso, poeteiro não-punheteiro, aquariano-canceriano. O Celso é professor de Filosofia numa Escola e na Alcova. Não é profissional da literatura, não se casou com ela: é seu amante fogoso e casual. Quando têm vontade, dão uma bimbadinha sem compromisso. Ela prefere assim, ele também: já basta ser casado com a profissão de professar, dá muito trabalho. Escreve para gerar o kaos, discordia-ou-concórdia, nunca indiferença.
sábado, 24 de março de 2012
Vou lembrando da delícia de sorvetes comidos com casquinha
saboreados no remelexo das franjinhas e pequenos lábios
lambidos e sugados nos mamilos
Fico pensando na beleza e delícia da existência
Nos fetos triturados feito algodão-doce nas bocas
Abortados em camisas de vênus furadas
Na doçura da vida elegante, nas suas dores e delícias
Nos prazeres, tragédias, andando no Jardim das Delícias de Bosch
com as feridas corporais, sarampos na alma, micoses perebentas no corpo, chagas espirituais profundas
Os sonhas mais úmidos com lágrimas choradas
O assovio do vento
levando consigo a poeira do passado
quarta-feira, 7 de março de 2012
Apenas vê hoje o tempo escorrendo entre os poucos fios de cabelos já escassos na testa calva
Como desejaria nunca conhecê-la ou que nunca tivesse existido: tudo ficou tão triste e mais assombrado
A decepção e o esvaziamento do seu ser esvair-se em prantos hoje tudo secou
E não acredita mais em fantasias, em sonhos e fantasmas, segue cada vez mais cético
Com a fuga as mancadas pisadas na bolas o charlatanismo e a picaretagem
Tempos em que se discutia Restiff La Breton e Marques de Sade nas alcovas horas a fio
Em noites da musa mousiké, o fio da espada, o frio na espinha, a navalha na coluna e na carne
Cheias de emoção e brilho nos olhos de mentes imagem ativas sem travas na língua
A intensidade e o êxtase com as noitadas molhadas, noites de neon, noites suadas, noites bêbadas
Em viagens doidas no mato, acampamentos na cachoeira, ermitão dormindo ao relento em pedras conversando em redes até a aurora embriagado de brisas à beira mar
Agora tornou-se um velho chato e carrancudo não tem mais a alegria de outrora
Tudo é a rotina e a mesmice do cotidiano e a vida segue sem sal e sabor
Como um carcaça apodrecendo a cada dia um pouco uma nau perdida sem leme
Como uma vela acesa no meio de uma tempestade de neve
Os olhos derretidos e secos de chorar tantas lágrimas em vão.
Como desejaria nunca conhecê-la ou que nunca tivesse existido: tudo ficou tão triste e mais assombrado
A decepção e o esvaziamento do seu ser esvair-se em prantos hoje tudo secou
E não acredita mais em fantasias, em sonhos e fantasmas, segue cada vez mais cético
Com a fuga as mancadas pisadas na bolas o charlatanismo e a picaretagem
Tempos em que se discutia Restiff La Breton e Marques de Sade nas alcovas horas a fio
Em noites da musa mousiké, o fio da espada, o frio na espinha, a navalha na coluna e na carne
Cheias de emoção e brilho nos olhos de mentes imagem ativas sem travas na língua
A intensidade e o êxtase com as noitadas molhadas, noites de neon, noites suadas, noites bêbadas
Em viagens doidas no mato, acampamentos na cachoeira, ermitão dormindo ao relento em pedras conversando em redes até a aurora embriagado de brisas à beira mar
Agora tornou-se um velho chato e carrancudo não tem mais a alegria de outrora
Tudo é a rotina e a mesmice do cotidiano e a vida segue sem sal e sabor
Como um carcaça apodrecendo a cada dia um pouco uma nau perdida sem leme
Como uma vela acesa no meio de uma tempestade de neve
Os olhos derretidos e secos de chorar tantas lágrimas em vão.
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