Eu diria que a vida é um mosaico com pedras todas misturadas nada conexas,
nada ordenadas
nós é que buscamos dar sentido pra algo sem sentido algum
E a história é um caleidoscópio com suas grandes miríades brilhando
E nela ou você fode, ou está fodido
Felizes são os bêbados, os loucos, os poetas
eles que embelezam um pouco este mundo careta e cinza
*
Como o conhaque da noite anterior aguça minha sensibilidade em um Domingo
dá vontade de gritar e sair chutando e fazendo de tudo
minha cabeça vai a milhão, como dispara um tiro a cada milésimo de segundo
A solidão está me deixando doido, estou ouvindo pessoas entrarem na minha sala
não vou jogar fora meus LP e VHS porque inventam uma nova moda a cada minuto
não vou me iludir pela sociedade do consumo que me oferece o último babado
por isso escuto meus LPs e assito meus VHS no talo e deixo todo mundo de cabelo em pé
*
Este é meu espaço
quando escrevo nele baixa um pai de santo
é como se acendesse algumas ervas e tomasse uma cachaça
e eles falassem por mim, eu fosse seu instrumento
Baixo todo o meu exu, que é de luz
solto todos aqui neste espaço
REBENTOS DO CELSO: Poemas, causos, memórias, resenhas e crônicas do Celso, poeteiro não-punheteiro, aquariano-canceriano. O Celso é professor de Filosofia numa Escola e na Alcova. Não é profissional da literatura, não se casou com ela: é seu amante fogoso e casual. Quando têm vontade, dão uma bimbadinha sem compromisso. Ela prefere assim, ele também: já basta ser casado com a profissão de professar, dá muito trabalho. Escreve para gerar o kaos, discordia-ou-concórdia, nunca indiferença.
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
Fim de feira ou deveria ter complicado menos (Borges)
Acabou de mandar pra dentro dois hot dogs, depois de mandar uma breja e uma dose de salineira pra dentro, e foi dar um rolê pra não apodrecer em sua casa, mesmo que seja muito divertido o que ele encontrava pra fazer.
Passou no mercado e pegou mais umas cervas, porque seria brabo passar o final de semana prolongado no osso sem o seu bem. Ele se vira legal e consegue se divertir com bem pouco de montão. Fica só vendo essa molecada atual, como são tão frescurentos. Uma mania de limpeza e de assepsia com as coisas. Acho que até pra beijar alguns deles não beijam, pois tem medo das bactérias.
Esta molecada que veio depois, que é adolescente nessa época atual, nem sabe curtir como curtimos. Só diversões cibernéticas e eletrônicas. Nem sabem o que é um pião, bola de gude, pipa, carrinho de rolemã, mal se ralaram mesmo e nem pegam no pesado.
Claro que generalizando, tem molecada ainda de alguns lugares e condições que sabe o que é isso, mas a tendência é quererem ser iguais aos frescurentos.
Toda avaliação que se faz, todo juízo traz embutido um valor, pois viver é avaliar, dar valor, dar sentido para as coisas. Pode ficar sossegado que não tá recheado de moralina pestilenta e pessimista esta avaliação.
Tá podem falar que é inveja ou não sei o que. Mas tem coisas que não conseguem fazer nem a pau como fazíamos, e muito mais, se divertir, se ralar, se sujar todo, se embebedar pra valer sem medo ou levar uns belos de uns tombos. Podem até sair do lugar, ir pra Canadá, EUA ou Europa, mas nunca viajaram pra dentro de si e não sabem curtir a simplicidade. Nem curtir um som pra valer eles sabem: podem ter seus mp10, tem todas as músicas nos ipods mas não sabem procurar o que é do bom. Ficam com medo de entrar no mar, porque é perigoso ou pode ter seringas ou coisa do tipo vem junto na onda. Pura piração. Pra eles só lembro aquele velho poema do Borges, que ficou mais famoso com os Titãs: devia ter complicado menos, trabalhado menos, mas agora sou velho e minha vida passou...
Passou no mercado e pegou mais umas cervas, porque seria brabo passar o final de semana prolongado no osso sem o seu bem. Ele se vira legal e consegue se divertir com bem pouco de montão. Fica só vendo essa molecada atual, como são tão frescurentos. Uma mania de limpeza e de assepsia com as coisas. Acho que até pra beijar alguns deles não beijam, pois tem medo das bactérias.
Esta molecada que veio depois, que é adolescente nessa época atual, nem sabe curtir como curtimos. Só diversões cibernéticas e eletrônicas. Nem sabem o que é um pião, bola de gude, pipa, carrinho de rolemã, mal se ralaram mesmo e nem pegam no pesado.
Claro que generalizando, tem molecada ainda de alguns lugares e condições que sabe o que é isso, mas a tendência é quererem ser iguais aos frescurentos.
Toda avaliação que se faz, todo juízo traz embutido um valor, pois viver é avaliar, dar valor, dar sentido para as coisas. Pode ficar sossegado que não tá recheado de moralina pestilenta e pessimista esta avaliação.
Tá podem falar que é inveja ou não sei o que. Mas tem coisas que não conseguem fazer nem a pau como fazíamos, e muito mais, se divertir, se ralar, se sujar todo, se embebedar pra valer sem medo ou levar uns belos de uns tombos. Podem até sair do lugar, ir pra Canadá, EUA ou Europa, mas nunca viajaram pra dentro de si e não sabem curtir a simplicidade. Nem curtir um som pra valer eles sabem: podem ter seus mp10, tem todas as músicas nos ipods mas não sabem procurar o que é do bom. Ficam com medo de entrar no mar, porque é perigoso ou pode ter seringas ou coisa do tipo vem junto na onda. Pura piração. Pra eles só lembro aquele velho poema do Borges, que ficou mais famoso com os Titãs: devia ter complicado menos, trabalhado menos, mas agora sou velho e minha vida passou...
Primaiada e lendas casabranquenses
Os Castoldi, em foto da Copa do Mundo de 1982, em Casa Branca-SP. A menina do canto inferior direito, agachada, morreu esmagada por um muro. Trágico.Família grande, com muitos tios e primos é assim. Eram em oito irmãos, quatro homens e quatro mulheres. todos morando na mogiana, interior paulista, próximo do circuito das águas e das malhas e do sul mineiro de Poços de Caldas. Terra do café, da laranja, da cana e da jabuticaba. Dois já morreram o tio mais velho e atia Inês de Caconde.
Toda a primaiada brincava na frente daquela casa, na rua de paralelepídos. Certa vez, vários primos menores estavam na porta da casa. Haviam obras e um tapume de madeira na casa de baixo, entre a nossa e a entrada da vila. O Antônio Augusto, filho da finada tia Inês, deu de gritar: olha lá vem a Maria Batata! todos ao ouvirem isto, deram uma carreira, e o menorzinho foi pisoteado pela molecada, pois lá vinha a Maria largando pedradas e com a boca mais suja, soltando os palavrões nunca antes possíveis e imagináveis de ser ouvidos.
A Maria Batata era uma das figuras, uma das lendas casabranquenses. Ela andava de saia, tinha a cara toda enrugada. Andava apoiada numa bengala, e levantando a saia e abanando para arejar a bacuria. A molecada enchia o seu saco, com o apelido que odiava, e não media esforços para acertar uma pedrada no moleque que a caçoava.
Casa Branca tinha muitos doidos. O Arthur babou no leite era outro, o entregador de leite cachaceiro que babava nas encomendas. O arthur foi o que mais viveu, acho que pode estar vivo ainda, ficava uma arara quando chamado pelo apelido. Sem contar os anteriores que a mamma contava, o vorta mula, a Emília Barraquinha, Roque tete da roça onde minha mãe nasceu, um que saiu da guerra e ficava imitando tiros, tetete, pela estrada de terra a fora.
Haviam tantas outras figuras que parecia mais do que coincidência brotarem naquele local. Havia um sanatório chamado cocais, desses que chama de hospício, um suplício para estas pessoas que todos os "normais" desrespeitam.
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