sexta-feira, 12 de março de 2010

Nunca se conhece uma alma logo de cara

Faço todo tipo de greve: até de fome.
A única greve que nunca farei
É greve de você

*

Leio o livro da sua alma
desde que a conheci.
Ele está escrito em língua estrangeira

Sou um tradutor paciente
busco obras raras
como você.

*

Ainda descobrirei
o ser maravilhoso e lindo
existente por trás dessa tua couraça
que você insiste em se esconder
(29/3/2010)

segunda-feira, 8 de março de 2010

A virgindade na guerra da política sindical e da greve


Eu até compreendo as razões de alguns artistas verem as coisas de fora, na perspectiva de rãs em sua maioria, e poucos, na de águia. Vários artistas e estetas sempre levantaram a lebre da autonomia da arte em relação à sociedade, à política, da arte como um vir-a-ser, uma negativo, uma utopia. Mas daí cobrar dos mesmos que tenham a dramaturgia  ou poesia de um Brecht, Breton, mesmo o Plínio  Marcos  ou qualquer outro, já é demais.

No entanto, só posso entender como preconceito ou desconhecimento o sentimento de estar do lado de fora da guerra. A dita marginália de outrora, o dark side, o noir, tudo é um belo romance que vende em pockets nas bancas de jornal. É um estar fora tão integrado possível, e não há problema nenhum nisso. Não recrimino ou discrimino ninguém pela adaptação ou adesão ao sistema, ou muito menos sua alienação. Até penso que cada um é alienado em  alguma coisa, pois não é possível ser um cara entendido em 100% de tudo.
Até a classe operária, a classe revolucionária quando para si, segundo Marx se aburguesou  ou "chegou ao paraíso" desde a Alemanha com a social-democracia, tornou-se aristocracia operária e até mesmo apoiou o nazismo anos depois. O proletariado deu adeus. A burguesia é a classe universal a partir da modernidade. A história se repete, e não penso que é errado querer uma confortably life, principalmente se se arrebenta para conseguir algum tiquinho. O trabalhador que vive na favela com certeza não está lá porque gosta, e se pudesse, gostaria de comer salmão, lagosta e caviar acompanhado de chamapanhe francês, por que não? se bem que pense que ainda assim, a vida não se resume a isto, nem só de pão vive o homem, às vezes é necessário um pouco de poesia.

É claro que seria demais cobrar experiência de quem não tem, como artistas lumpens, da marginália, dos dandis e flaneurs, embora eles sejam um sujeito importante, que tem um potencial de mudanças, eles pairam sobre a luta, portanto, não estão tão apegados ao econômico, tem o sentido do sonho, do imaginário, que é importante a beça. Mas não estar tão apegados ao econômico não quer dizer que este não o puxe pelo pé, mesmo que o artista seja o seu próprio pequeno empresário. Mesmo que ele que ele produza seu próprio pequeno capital e seu próprio assalariado, ele depende sempre do econômico pra lançar sua obra, em qual meio for, a não ser que tenha um grande mecenas por trás ou herdou uma grande fortuna. E o que faz, independente do horário, se bate ou não cartão, é um trabalho também, trabalho intelectual, mas que não o deixa de ser um trabalho e exige certa disciplina para sua produção. O fator econômico sempre puxa todos pelo pé, independentemente de escolha. Estamos todos no mesmo barco furado, só que como farão alguns tipos de luta, se são seus próprios patrão e empregados?

Dai talvez a desunião e concorrência individual dos artesãos e artistas, que só puxam a brasa pra sua sardinha e esquece muitas lutas que são coletivas, como o direito à cultura, o aumento no orçamento no incentivo e financiamento à cultura do povão. São poucos o que bancam isto e que fazem a discussão e ação em torno de políticas públicas. A maioria só trata de questões ou brigas individuais ou pessoais, que não passam de agressões verbais ou físicas contra outros trabalhadores e não contra os verdadeiros opressores. É um verdadeiro umbiguismo, corporativismo em seu sentido mais ralé de puxa-saquismo. Afinal, porque nem é ao povão que eles chegam, só na classe média mesmo, e esta é farisaica.

Tenho compreensão de que quem só tem a idéia da coisa, o conceito não-vivido, dificilmente saberá da emoção de entrar no ringue da política sindical, pois não tem a experiência, a sensação e a pegada para a bagaça. Quem nunca fez uma greve nunca saberá o que é uma, da mesma forma que quem nunca deu uma, só quando trepar saberá como é. É como em uma luta de boxe, você tem dez assaltos para vencê-lo, mas sempre procuraremos levá-lo a knock-out o mais rápido possível. Você deve ter estratégia: encaixar uns cruzados de direita, outros pela esquerda, uns jabs, pra derrubar o adversário. Às vezes é mais difícil, como agora, sentir-se sobre uma torrente de porradas que o adversário nos abate.

Uma greve é uma guerra, o sangue ferve, a adrenalina vai a mil, mas a cabeça deve jogar como no xadrez, como um estrategista. Só julga bom para quem é um tanto louco. Quem se interessa por política com P maiúsculo está fora de si ou não deve ter um pingo de juízo na cabeça, diriam Platão e Aristóteles. Pois não é legal, só se faz porque é necessário, guerra é guerra, tem que ser um tanto apaixonado pela coisa, assim como em tudo o que se quer fazer bem.

E na guerra, como se sabe, não há mocinhos nem bandidos, vale tudo, apenas interesses, golpes baixos, nem bons, nem maus, que se evidenciam como putas véias sabem muito bem o que desejam. Não tem nada de santos "ideais" ou "causas nobres" como se diz quem está de fora: a coisa é mais pragmática, são manobras de guerra e tiros de pistola à queima roupa no inimigo. E o que se quer não são grandes "causas" ou "ideais" nobres, que são coisas de freiras, mas pão, redução da jornada e consequentemente um pouco mais de poesia. Mas até é compreensível a incompreensão dos virgens no assunto. Desde os anos 1990 foram desfavoráveis para a ação sindical. O desenvolvimento, o crescimento e a retomada do crescimento pós-crise mundial de 2008 no Brasil fará com que as lutas econômicas, as lutas de classe, tendem a voltar a cena, e talvez os puristas aprendam algo sobre o assunto. Em algum momento, se cai do cavalo, se leva um coice da realidade. A queda é inevitável.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O lançamento da antologia Ecos da alma foi em 20 de Fevereiro

Estou participando da antologia "Ecos da Alma" (editora Andross, que lança autores desconhecidos) com dois poemas, Laranja Madura e Cabra Macho, que enviei por e-mail e foram selecionados e organizados pela Guaraciaba Micheleti, com prefácio de Reynaldo Bessa. O lançamento foi bacana, uma mesa de debates, leitura dos poemas. O Claudião Willer deu uma passada por lá para conferir.

O livro custa R$ 20, solidário R$ 25 (nas lojas sairá por R$29). Os autores têm de vender uma cota de 10 exemplares para cada poema publicado para bancar a publicação coletiva até 20 de Março. Tinha 21 exemplares comigo, mas já vendi um bocado. Entrem em contato e dê uma força, adquira o seu.

11 93280621

Eis algumas das fotos

Mesa de abertura: Andréa Catropa, Rita de Cássia e Reynaldo Bessa

Leitura do meu poema pela Cristiana Gimenes (Cia. Em cena ser)



Poema Diarréia

 
Um

poeta

caminhava

na

rua

soltava

peidos

quase

molhados

quase

cagados

andando

rumo

ao

lançamento

de

seus

poemas

na

antologia

Eis

o

poeta

cagão

Eis

o
 
poema

diarréico

 
caganeira

cagamerdeira

Seguidores

Pilotando a banheira do Manoel nas dunas

Pilotando a banheira do Manoel nas dunas
seguindo após Pitangui até Muriú-RN

Tatoo you

Tatoo you
Woman of night; Strange kind of woman; Lady in black; Lady evil; Princess of the night; Black country woman; Gipsy; Country Girl

Caricatus in 3X4

Caricatus in 3X4

Outra caricatus

Outra caricatus
Desenhista do bar e restaurante Salada Record

Mix, podi mandá "uma" aí?