terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tiririca na cabeça: pior do que tá, não fica (será?)


Ando meio sem criatividade para escrever aqui, tô sem saco mesmo. Não tenho esta de ficar me justificando, pois não devo nada pra ninguém, a não ser pra banco, mas quem não deve pra banco? É que tenho feito um bocado de coisas mais legais do que escrever por aqui. É que escrever para minha pessoa é só um lazer, uma diversão, e não uma obrigação, muito menos emprego em tempo integral. E quando a gente fica ocupado com outras funções práticas, sobra pouco tempo para as lamúrias líricas.
Eu vi aquela submissão do Felipe Massa, o cara deveria se envergonhar de ser um pau mandado. Há tantos paus mandados por aí, que mais um não faz falta. Ganha e pede demissão, porras. Isso que significa ser um cuzão assumido mesmo. Tenho ficado mais sossegado, estudando, li um bocado, mais alguns do Jorge Luís Borges, outros do Cortázar, alguns do Almodóvar que são de rachar. Tava encarando um Burroughs em espanhol o Ciudades dela noche roja, um bocado de ficção científica, sobre um vírus, mas parei na metade de alguns. Faz parte, uma vida mais apolínea do que de costume, mais sossegada, luminosa, fugindo de badalações como sempre.
Às vezes ligo a TV e engulo o sapo de ver o Tiririca dizer O que é que faz um deputado federal? – “Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”. Vote no tiririca pior do que tá, não fica... Nada pelo fato do cara ser cearense ou comediante, isso já foi ultrapassado, superado. Pense que a política deve ter humor, não ser aquela coisa chata e maçante. Por isso que o pragmatismo tá imperando, num mundo de sisudos e sectarismo pode surgir algum aventureiro e papar tudo. Pensando bem, tem tanto picareta nos fazendo de palhaços, que um palhaço quer ter seu espaço no meio do picadeiro daquelas marmotas mumificadas que agora ficam indignadas, mas quando se propõem a votar uma reforma política e eleitoral séria no país? São as mesmas "vestais", as virgens da política que bradam contra uma assembléia constituinte exclusiva para votar. Imagina se darão o tiro no próprio pé ou tirarão a escada que os levou ao poder! Só se for para o povo não subir.
 Mudo logo para assistindo uns filmes que gosto, curtindo uns sons que nunca imaginaria que conseguiria ouvir (graças à net), aproveitanto este clima gelado em Agosto, dou uma saida com minha nega, comemos uma fricazza, é tempo de Nossa Senhora Achiropita no Bixiga, vimos uma peça sobre a Hilda Hilst, perdi uma sobre o Kafka e o Rilke, e vamos levando. Não tenho produzido muito, estou desléxico e relapso com a escrita de contos, e crônicas, escrevendo mais artigos de opinião, alimentando outros blogues. Pelo menos, não preciso bater cartão com a escrita e faço apenas quando quero e gosto. Poemas, eles sempre vem na minha concepção não precisam ser escritos, são ditos e feitos cotidianamente em gestos ações e palavras.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Até nossos dias, a poesia seguiu um caminho equivocado; elevando-se até o céu ou rastejando por terra, ignorou os princípios da sua existência, e foi, não sem razão, achincalhada pelos homens de bem. Não foi modesta... a mais bela qualidade que deve existir em um ser imperfeito! De minha parte, quero mostrar minhas qualidades; mas não sou hipócrita o bastante para esconder meus vícios!

Isadore Ducasse, Cantos de Maldoror



Às vezes, o vejo andando e saindo no meio da noite

No meio do sonho delirante da madrugada

Saindo feito um louco, és um ser louco

Um suicidado pela sociedade como Artaud ou Van Goh antes dele

Delira por entre brumas de fumaça etílica

Do conhaque barato e vagabundo que costuma tomar

Sente-se como se pisasse em algodão

Em calçadas cheias de lixo e de ratos

Do bairro negro e da noite mais ainda

Aparecem bailarinas seminuas em sonhos

Com seus rostos cansados, sofridos e marcados

Todos borrados de maquilagem, vividos

algumas rugas de experiência e preocupação

Ratazanas vestidas de verde, de vermelho ou de preto

O estômago e outros órgãos só reagem no dia seguinte

E a cabeça dói pacas de ressaca na próxima manhã



4/7/2010

O Sylvester Sttalone mordeu a língua e teve de engolir o que disse


Domingo eu assistia TV à noite, e vi uma reportagem sobre um filme que o Rambo filmava no Rio de Janeiro. Um tal de Mercenários. Ele disse em San Diego que nós brazucas, agradeciamos quando explodiamos os territórios brasileiros inteiros, e ainda por cima dávamos um macaco de presente. O cara ficou tão mal na fita que ele teve que se justificar, publicou uma nota pedindo desculpas, coisa e tar. Mas não conseguiu consertar a asneira que ele disse.
Eu assistia os rambos e rockys quando estava doente, com um baita febrão no sofá da casa dos meus pais, daqueles de dar calafrios em pleno verão. Só assim mesmo para assistir este sujeito de muitos músculos, mas de pouco cérebro. Os mais chatos dirão que o propósito de Sil Stallone não é este, e é mesmo ter pouco cérebro. Dirão que curtem o cara pelo passado, da época em que fazia ou escreivia  pornochanchadas, o Rocky, um cara fodido etc e tal. Tudo bem, compreendo. No entanto, prefiro mil vezes um filme como o "Campeão", tem muito mais emoção do que qualquer um dos Rockys, que são muito previsíveis. E olha que assisti quando moleque, ao menos até o terceiro. Não julgo nenhum livro pela capa.
Em se tratando do Stallone, dou um desconto. Concordo no conteúdo: o que ele disse foi infeliz. Mas discordo do método do cala boca também de quem se manifestou contrário. Como diria Voltaire, discordo radicalmente do que dizes, mas defenderei o direito de dizê-lo até a morte. A democracia tem esses méritos: alguém fala bobagem, mas ao menos é obrigado a se retratar depois, pra ficar em bom tom e reparar o estrado da cagada. O que o Stallone não sacou é que declarações como esta são como uma mordida na língua nos dias de hoje no Brasil, um país que começa a levantar a cabeça e ser soberando, ainda mais partindo de um gringo ianque que fez filmes blockbusters com revanche de derrotas gringas no Vietnam, no Afeganistão e outras que ficaram entaladas na memória e no inconsciente ianque. No mínimo, engasgou e ficou com um sorriso amarelo.

Programa do Fantástico: 1o de Agosto de 2010

Reportagem Rede Recorde

Entrevista com Sly no Brasil

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seguindo após Pitangui até Muriú-RN

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Desenhista do bar e restaurante Salada Record

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