quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um passeio pelas terras de Neruda


A tarde esperando a viagem tomando uma garrafinha de uisque ballentines com cerveja quilmes, na espera do voo quando chegarmos aos montes montanhas da coordilheira que tocam o céu na tarde procurando os lugares as casas do poeta Neruda, passando na chegada pelo mercado central, a biblioteca central, igrejas e mosteiros franciscanos, entre faculdades, universidades centrais. a avenida literdador, o hotel libertador, em uma galeria da Bernardo O´Higgens, como se fosse o bairro de soho, entramos em botecos aparentemente sebosos, que tomamos vinho Carmen com uma Chorrila gordurosa com ovo, cebolas  batatas, carne linguiça e uma jukebox tocando salsa meregue, um choro do sangue latino, entre elvis e pop dos anos 80. Pedimos mais uma cerveza. Um rapaz Chileno, calado, com ares nostálgicos, resolve conversar conosco e dá toques como chegar nos cantos de santiago do chile. Ele fez anotações num bloquinho de notas, procurou até em seu celular um Memorial. Foi muito gentil.

O povo é receptivo. Quando consigo mandar meu portanhol, eles me coopreenderam, e também compreendo, quando não falam muito rápido. Na Argentina há mais brasileiros, e também compreendi mais fácil. Mas consegui entender o sotaque mapuche e a simpatia das garçonetes das lanchonetes, as recepcionistas do hotel, com muita facilidade, para conseguirmos ir ao lugar que quiséssemos.

Na manhã seguinte, vamos de metrô conhecer o Memorial e Museu dos Direitos Humanos, no bairro Quinta normal. É fácil andar pelo metrô, e ele tem três preços variados durante o dia, em horários de pico. Quando se aprende, fica muito fácil. Passamos pelo Baquedano, em que há uma conexão ou baldeação, e seguimos para a Quinta normal. O memoria e museu fica ao lado, nas estações existem mosaicos e pinturas e até mesmo grafittis, sobre paisagens do Chile, as cordilheiras, o povo, entre outras. Também me diverti com alguns animais, como ursos, um tigre de bengala empalhado, um búfalo, no metrô. O memorial é muito interessante, logo na entrada pelo metrô, alguns neons em uma exposição, os cartazes de manifestações. Você aprende um bocado sobre o que foi o fascismo bombardeando uma nação e destruindo o povo, indios de origem mapuche, a casa do poeta Neruda e toda a civilização. Lá tem tudo mesmo, desde os brinquedos de mais de milhares de crianças desaparecidas, mortas e torturadas, a cama elétrica das torturas,  até materiais da campanha de redemocratização.

O passeio da volta foi até o Bairro da Bellavista, bairro com casinhas vermelhas, descemos no Baquedano, a Praça Itália, e logo encontramos a Rua Pio Nono, que dá acesso até o Parque Municipal, passando pelos bares e restaurantes da Bellavista. Na entrada do Parque, vendem umas empanadas bem grandes por mil pesos chilenos, cinco reais aqui (meio caro, pois há alguns lugares mais baratos em sumpaulo, mas é bem grande). Também é passagem para La Chascona, nome da mulher de Neruda, a descabelada Matilde. A casa tem na frente uma espécie de ágora, uma assembléia ou mini teatro grego, no canto, e um monumento, pois detonada pelos Militares em 1973. A casa de Neruda é mágica, divide-se em vários locais, desde o bar no sótão, em que recebia artistas, pintores, viveu com suas mulheres.
Existe uma passagem secreta que usava na sala de jantar, para saber se falavam mal dele, em que se retirava repentinamente. Lá passaram Vinícius, outro entendido em mulheres, Toquinho, Bunuel, e tantos amigos homenageou naquele lugar. chamou atenção o sapatão no bar de verão, as fotos da Biblioteca de Withman, Rimbaud, Baudelaire, Poe. O cara era um colecionador (lembrei de um poema que escrevi faz tempo, o colecionador, essa minha mania de juntar coisas velhas, troços, trecos), junto sua casa em Isla Negra, tem de tudo, garrafas, areia, besouros,  borboletas, copos coloridos que acreditava dar mais sabor as bebidas. Na entrada do metrô, tem caras que mandam ver no Jazz, pedindo um troco. Descemos uma estação antes e fomos em um museu, abaixo do palácio La moneda, o mesmo que fora bombardeado com Salvador Allende dentro, que lutou até o fim contra o fascismo. Havia uma exposição fantástica, com objetos dos Mapuche, 15 mil anos, utensílios, crianças mumificadas, anzois, arpãos, roupas, até objetos de transe alucinógenos, instrumentos musicais e estátuas que afastavam maus espíritos. Muito bonito.

São passeios fascinantes, a praça em Bellavista é linda, com a casa roja, detalhes, casas coloridas, portões cheios de adereços, e monumentos contra a barbárie e ditadura fascista ocorrida, para jamais ser esquecida. Já almocei de volta perto do centro, em outra casa. A noite na Bellavista é boa também, bares, botecos, discotecas, alguns tocam jazz, outros musicas locais, com jukebox, e também há um centro em que tocavam Phil Collins, é tudo muito interessante, músicos entrosados, as pessoas hablando um portanhol, outros estrangeiros de terras estranhas, mais vinho barato pro bucho, as cervejas são pesadas por conta do frio, só tive que andar de touca, pois era uma friaca, na primeira noite sofri sem as luvas. O metrô fecha cedo, e esta foi a desvantagem para voltar no meio da madruga. Tivemos que encarar o busão, mas era só uma reta, não tinhamos o bilhete, não dá para pagar em cash, então o moto deixou-nos passar. Descemos em frente ao La moneda, e voltamos um tanto, pois passamos do ponto, pegamos uma água, com gás, dá muita sede mesmo com o frio.

no outro dia acordamos tarde, ficou dificil, pois saimos e voltamos tarde. Dá uma caganeira verde beber vinho, e pulamos para o café e já rumamos de metro para estação Universidad Catolica, de onde saem onibus para diversas regiões. O guri tinha nos explicado no boteco da primeira noite, então ficou fácil. Uma estação depois da Central, lá estávamos. Descobrimos que haviam pacotes, e teríamos que reservar a ida na casa de Pablo em Isla Negra. Conseguimos ligar pelo telefone e nos inscrever para ir. Pegamos uma água, a moça se divertiu com meu embaralhamento, mas pego logo a forma, e ela despediu-se rindo com um obrigado e eu gracias. Pulei para o ônibus, a nega dorme, eu fui apreciando as montanhas e descidas, uma hora e meia, passando por outras cidadezinhas, e logo o mar, o grande Oceano pacífico, anúncios de frutos do mar começam a aparecer em restaurantes com mais intensidade.

Logo saltamos, e observamos aquele local, mais restaurantes, um estacionamento com a cara de Neruda, enfim, uma moça atravessou e comprou o bilhete, que depois descobrimos que seria o correto, mas fomos direto, poise estávamos em cima da hora para nossa visita marcada. Começou com um fone, já entrando, vemos um peixe, além do saguão da casa, frente ao mar. Uma maria fumaça gigante, frases de poema em sua casa, muitas estátuas, de anjos, marinheiras, medusas olham para o mar, suas porcelanas e copos coloridos. A casa dele era mágica, cheio de maluquices, até a mesa que encontrou no mar e fez de sua escrivaninha, as pinturas de Matilde duas caras por Rivera, entre outras coisas, como o cavalo que conseguira da infancia. Até chegarmos ao barco que nunca navegara, só para tomar uns tragos com amigos, à proa que está enterrado, com mastro e banco atrás, com vista pro Pacífico, como se deveria esperar de Neruda.

Fechamos com um rango muito bom, um prato de mariscos e salmão, acompanhado de vinho e uma sobremesa, celestino, que é bem em conta por lá, e as coisas foram bem, o ônibus demoraria, pois já haviam comprado os bilhetes, e até chegarmos, demorou mais ainda. Mas a viagem de volta foi tranquila, antes tivéssemo descido nos Pajaritos e tomado o metro, evitariamos a volta, mas foi bem também, só passamos pelo Baquedano para pegar umas coisitas, lembranças, e fomos para casa, comer um rango, um sanduba que tem abacate no meio, assim como os hotdogs de lá, todos tem este creme, uma pasta de abacate, que é bom. Mandamos uma breja pro papo, e fomos dormir, pois logo cedo teríamos que voltar para o Brasil.

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