sábado, 5 de dezembro de 2009

É preciso estar atento pra não ser fisgado

É preciso estar atento para o conselho dado
primeiro pelo Baudelaire, repetido depois pelo Drummond
de que é preciso estar sempre bêbado
"Embriagai-vos" de vinho e de narcóticos
a embriaguês varia conforme o que se ingere
Pode ser a embriaguês do tesão ou da tara
Pode ser um baseado mal bolado,
repartido entre um homem e uma mulher
na maioria das vezes um dreher sem gelo
uma maria mole ou dividimos uma caipira
Sempre são as melhores pedidas
acompanhadas por umas cervas
pra cortar e contrabalancear com o quente
Numa dessas bebedeiras de narcóticos
Trombou com uma cabrocha nordestina,
verdadeira baiana de Paulo Afonso
uma criatura divina, ainda que diabólica
essa moça derrubou a porra da seriedade
deixou na maior da loucura de um lobo tarado
quando viu seu olhar agateado
as carnes duras e macias de suas coxas
como um caju e com micropelos de um pêssego
descendo em um ferro de um modo provocante
Dançava feito uma diva doidivana
Provou da sua carne, mais parecia
moqueca de caranguejo, de lagosta ou de camarão
carne de fruto do mar, gosto do sal do mar
Ficou maluco de tesão, pirou o cabeção
ficou de pica dura, gozava nas cuecas todo dia
Da sua barriguinha magra saltava um piercing no umbigo
O sorriso revela seu pequenos dentes de romãs
o suor e a lubrificação do sexo lembravam o dendê
que baianas da praia do rio vermelho fritam seus acarajés
Uma velha cigana leu a mão em Itaparica
falou sobre o destino e pediu em troca uns trocado
ralhando, dizendo pra não brincar com o destino
Ele é que anda pregando peças a doidado no coração vadio
Bahia, encontrou a cocada, o docinho de coco queimado
morena, sertaneza, arredia
deixa qualquer caboclo tesudo
cheio de amor bandido, amor de pica
amor de tesão e de paixão, de picadura



“Há uma famosa lei da física que diz que um corpo tem que ocupar um lugar no espaço”.
O condicionado, filósofo da professor Fonseca Rodrigues, Pinheiros

Alguém pode enlouquecer pela noite de paixão
perder as estribeiras por causa de uma pequena
alguém pode endoidecer e perder o rumo
alguém pode se foder legal por ai
E esse alguém pode ser eu
Como disse o Carlos Careqa, enquanto esperava pelo Tom
tentação, eu não resisto
Enquanto tento dormir ou estou sem sono
tomando uma caninha pra espantar o frio
e pra ele, o sono, chegar
a velha atriz de cabelos brancos, a louca senhora
peregrina, ambulante com suas coisas
perambula pela Vila Madalena, Ida ou Beatriz
discutindo com seus parceiros invisíveis
gritando alto na rua seu impropérios
Pode ser também o velho senhor Raimundo, o condicionado
embaixo de seus cobertores, sua casa, escrevendo seus manuscritos
improvisada sobre árvores da Professor Fonseca Rodrigues
escrevendo seus pensamentos em francês e outras línguas
enquanto passa uma limusine ao seu lado
não é de brincadeirinha passageira
Não é como está escrito nos livros
A psiquiatria e o aparato policial
escravizam o seu ser, seu corpo
que tem que continuar a ocupar um lugar
no espaço

Escola sem mestre e professor



Passou já a pauleira das eleições sindicais, aguentamos os estresses de alguns pequenos ditadores com tons professorais, a simpatia de uma grande parte, errar, erramos, e os de cima erraram mais ainda do que nós, nós conseguimos um bocado de coisas com nossas próprias pernas, lábia e convencimento. Mais estropiados, mais fodidos, mais duros, porém, se você entra numa briga, tem que sair com os olhos roxos, alguns arranhões, cicatrizes e sangue. Do contrário, não aprende nada, não brigou, não teve graça.

O nosso pessoal tá legal, nossa galerinha de professores tá mais entrosada possível, tamo mandando ver, crescemos bastante, um dia ainda chegamos lá e vamos fazer a diferença. Amanhã ainda apuraremos e veremos o saldo. Quem sabe depois ainda eu darei um rolê para ver a vanguarda de Lira, quem sabe o que será daqui pra frente, posso até ver o Hughes pra desbaratinar daqui uns dias, ele virá aqui em Pinheiros também.

Passado o cansaço, penso como é bom correr o risco, como é bom ousar fazer as coisas, não são todos que passam por esta lição e por esta escola. O legal e o importante é que está crescendo, o que aprendemos, não há aprendizes nem professores nesta escola, ninguém é mais que ninguém, mas a experiência e o aprendizado, se meditado, fazem uma enorme diferença nessa coisa.

É que meu velho tentou ensinar-me matemática de uma forma que não entrava na minha cabeça de forma alguma, na marra, na mesa da cozinha, após a janta que minha velhinha preparava carinhosamente para nós.E eu não digeria bem as lições da marra do meu velho pai, com seus cigarros, pós de guaraná e milhares de ídolos, deuses e falsos profetas que ele se apegava para acalmar seu estresse e sua profunda depressão.

Eu aprendi a matemática na paulada, fazendo as contas com a política, no sindicato, para fazer e aprender a definir qual é a melhor estratégia para dar o rumo. E isso faz uma grande diferença, o aprender na prática, e como disse o cantor, as cacetadas desses anos todos me deixou mais velho que meu velho pai. Só assim para tornar-me uma puta véia da política. Ainda bem que não segui o caminho que meu véio queria para minha pessoa, eu mesmo fiz meu caminho e fui meu próprio mestre.

domingo, 29 de novembro de 2009

Nada que um blues e a chuva não possam resolver



No meio da pauleira de uma eleição sindical, em que somos triturados e esmagados por rolos compressores, ficamos cheios de dívidas, mas sem arregar do pau, um Domingo com chuva e um bom Blues são um bom remédio para um homem. Ainda mais se em boa companhia e cercado de velhos amigos, no lugar onde Dom Pedro, quando estava com caganeira, dizem os livros mentirosos de história, proclamou a independência do Brasil.

É bom sentir-se feito um pinto molhado, debaixo de uma chuva e sol, depois um arco-iris e a lua já aparecendo, ao som de um Buddy Guy arregaçando Right Sally, Hoochie Koochie Man ou mesmo um Hendrix e Clapton com uma chuva pra esfriar minha cabeça. Só blues mesmo e o rock para salvar a alma e tirar as preocupações da cabeça.



Eu estava reparando a incrível semelhança dos temas presentes nas modas caipiras de violas e o blues. Tudo começou no meio rural, com as canções de trabalho. As modas tem finais trágicos, o menino que morre atropelado pela boiada, a mula preta que morre, o pai abandonado. No blues também, bluseiros assassinados pelos maridos traídos. Pactos com o tinhoso. Nada de modas ou ecletismos, apenas escuto modas de viola desde moleque, por escutar. É que minha mãe foi criada na roça, com meu véio avô lavrador, o Augusto, o primeiro, ao menos, o original, que cantava quado eu era pequeno, e depois quando ele morreu peguei o costume de vê-la ouvindo seu radinho, desde cedo, quando fazia o café, as mais antigas modas, como a da mula preta, do chico mineiro, do menino da porteira, das duas caveiras que se amavam, das irmãs galvão, entre outros tantos, que fazem dois anos que baixei umas músicas e montei dois ou três cedês com música caipira, fiz cópias e dei pra minha velhinha, e escuto até furar. E torno a frisar: como é semelhante a um bom blues.

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