quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Até nossos dias, a poesia seguiu um caminho equivocado; elevando-se até o céu ou rastejando por terra, ignorou os princípios da sua existência, e foi, não sem razão, achincalhada pelos homens de bem. Não foi modesta... a mais bela qualidade que deve existir em um ser imperfeito! De minha parte, quero mostrar minhas qualidades; mas não sou hipócrita o bastante para esconder meus vícios!

Isadore Ducasse, Cantos de Maldoror



Às vezes, o vejo andando e saindo no meio da noite

No meio do sonho delirante da madrugada

Saindo feito um louco, és um ser louco

Um suicidado pela sociedade como Artaud ou Van Goh antes dele

Delira por entre brumas de fumaça etílica

Do conhaque barato e vagabundo que costuma tomar

Sente-se como se pisasse em algodão

Em calçadas cheias de lixo e de ratos

Do bairro negro e da noite mais ainda

Aparecem bailarinas seminuas em sonhos

Com seus rostos cansados, sofridos e marcados

Todos borrados de maquilagem, vividos

algumas rugas de experiência e preocupação

Ratazanas vestidas de verde, de vermelho ou de preto

O estômago e outros órgãos só reagem no dia seguinte

E a cabeça dói pacas de ressaca na próxima manhã



4/7/2010

O Sylvester Sttalone mordeu a língua e teve de engolir o que disse


Domingo eu assistia TV à noite, e vi uma reportagem sobre um filme que o Rambo filmava no Rio de Janeiro. Um tal de Mercenários. Ele disse em San Diego que nós brazucas, agradeciamos quando explodiamos os territórios brasileiros inteiros, e ainda por cima dávamos um macaco de presente. O cara ficou tão mal na fita que ele teve que se justificar, publicou uma nota pedindo desculpas, coisa e tar. Mas não conseguiu consertar a asneira que ele disse.
Eu assistia os rambos e rockys quando estava doente, com um baita febrão no sofá da casa dos meus pais, daqueles de dar calafrios em pleno verão. Só assim mesmo para assistir este sujeito de muitos músculos, mas de pouco cérebro. Os mais chatos dirão que o propósito de Sil Stallone não é este, e é mesmo ter pouco cérebro. Dirão que curtem o cara pelo passado, da época em que fazia ou escreivia  pornochanchadas, o Rocky, um cara fodido etc e tal. Tudo bem, compreendo. No entanto, prefiro mil vezes um filme como o "Campeão", tem muito mais emoção do que qualquer um dos Rockys, que são muito previsíveis. E olha que assisti quando moleque, ao menos até o terceiro. Não julgo nenhum livro pela capa.
Em se tratando do Stallone, dou um desconto. Concordo no conteúdo: o que ele disse foi infeliz. Mas discordo do método do cala boca também de quem se manifestou contrário. Como diria Voltaire, discordo radicalmente do que dizes, mas defenderei o direito de dizê-lo até a morte. A democracia tem esses méritos: alguém fala bobagem, mas ao menos é obrigado a se retratar depois, pra ficar em bom tom e reparar o estrado da cagada. O que o Stallone não sacou é que declarações como esta são como uma mordida na língua nos dias de hoje no Brasil, um país que começa a levantar a cabeça e ser soberando, ainda mais partindo de um gringo ianque que fez filmes blockbusters com revanche de derrotas gringas no Vietnam, no Afeganistão e outras que ficaram entaladas na memória e no inconsciente ianque. No mínimo, engasgou e ficou com um sorriso amarelo.

Programa do Fantástico: 1o de Agosto de 2010

Reportagem Rede Recorde

Entrevista com Sly no Brasil

domingo, 1 de agosto de 2010

Declaração do Presidente do Irã sobre o polvo Paul

Decadência, superstição e irracionalismo na racionalidade instrumental do Ocidente
o positivismo, o cientificismo e o materialismo tornaram-se mitos.
A Ciência vira uma grande superstição
o reencantamento do mundo vem por forma de um irracionalismo,
superstição e misticismo
confirmando as teses do mito em Ulisses e do Esclarecimento, do Iluminismo
o mais novo mito da modernidade



O suicidado da sociedade


É preciso acabar com as obras primas

Uma das razões da atmosfera asfixiante na qual vivemos sem escapatória possível e sem remédio - (...) é o respeito pelo que é escrito, formulado ou pintado e que assumiu uma certa forma, (...)

É preciso acabar com essa ideia das obras-primas reservadas a uma auto-intitulada elite e que a massa não entende, e reconhecer que não existe, no espírito, uma zona exclusiva como aquela reservada para as ligações sexuais clandestinas.

Se a massa não vai até as obras-primas é porque essas obras-primas são literárias, isto é, imobilizadas; e imobilizadas em formas que não atendem mais às necessidades desse tempo.

Longe de acusar a massa e o público, devemos acusar a fala formal que interpomos entre nós e a massa, e esta forma de nova idolatria das obras primas imobilizadas que é um dos aspectos do conformismo burguês.

Este conformismo que nos faz confundir o sublime, as ideias, as coisas com as formas que assumiram através dos tempos e em nós-mesmos - em nossas mentalidades de snobs, de preciosos e estetas que o público não entende mais.

Esta ideia de arte desligada, de poesia-encanto que só existe para encantar o lazer, é uma ideia de tempos de decadência e demonstra claramente nosso poder de castração.

É preciso acabar com essa superstição dos textos e da poesia escrita. A poesia escrita vale uma única vez e, depois, que seja destruída. Que os poetas mortos cedam lugar aos outros.

É preciso parar com esse empirismo, esse acaso, esse individualismo e essa anarquia.

Basta de poemas individuais e que servem mais a quem os fez do que aos seus leitores.

Basta, de uma vez para sempre, com todas essas manifestações de arte fechadas, egoístas e pessoais.

ARTAUD, Antonin. O teatro e seu duplo. Fragmentos do capítulo.

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Desenhista do bar e restaurante Salada Record

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