quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A Antologia para vocês curtirem



Informo-lhes que estarei um tanto afastado dos documentos e de internet. Por conta disso, deixo aqui um pouco da antologia de poemas, feita em 1999, divulgada até 2000aproximadamente, em botecos de Sampa e outros lugares. Depois parei um tanto com estas coisas, e voltei aqui pra colocar algumas coisas antigas e outras mais novas.



Antologia poética
Poemas (1994 - 1999)
Celso Torrano



Concepção da obra

A característica de “Fragmentos do viver diverso” e outros poemas (obras não-publicadas) é o fato de possuir a temática lírica, existencial, entre outros. Temas estes que não são novos, porém próprios à angústia e a dor expressos na metalinguagem da sua poesia, no fazer poético do autor.
Quanto ao estilo, o poeta prefere trabalhar sem métrica ou rimas, sendo que isto não constitui regra. Além disso, percebe-se a concisão e precisão conferidas às palavras de um verso, as brincadeiras com as palavras e aliterações, momentos em que o poeta expressa seu caráter lúdico, irônico e sátiro, dialogando com seus contemporâneos.
(Eu mesmo escrevi, critiquei minha própria obra na época; não preciso de bajuladores ou paus-no-cú que posam de entendidos ou especialista para fazer isto).

Agradecimentos

Agradeço a todos amigos, colegas, companheiros, parentes e público que, ao longo desses anos, têm colaborado com o desenvolvimento destas obras, seja lendo, opinando, criticando, enfim, apostando neste trabalho, que só pode ser realizado conjuntamente. Apenas não agradeço àqueles que têm barrado o acesso e a garantia de livre expressão: estes tem feito da História mentirosa.

Celso Torrano.










o desconforto
quando em si absorto
demonstra a tristeza
de seu eu morto






*






Marmelada e caganeira






Vamos embora, vamos, camarada.
Vamos tomar aquela pinga mardita,
das brabas, cagar e mijar de rir.
Vamos ser profetas apocalípticos
de todo nosso mundão desgramado.
Vamos deitar e rolar de rir
talvez, até chorar um pouquinho.





Prefácio de um amor






Quintal interiorano
nossos sonhos se enlaçam
nossos corpos se abraçam
dançam ao luar arcano.

Os seus negros cabelos
cobrem qual denso manto
véu noturno, seu encanto
nossas bocas se beijam.

Árvores, nosso teto
universo, verso único
porta para o infinito
amor a desvendar.

Boca tinta de sangue
provara de meu vinho
e todo meu carinho
inunda feito um mangue.

Seu perfume de flores
suavemente me embriaga
levemente me afaga
coisas belas da vida.








Aurora da vida






Quero fazer as coisas mais lindas
que o homem, em vida, pode fazer.
Eu quero viver intensamente
até o dia em que eu vier a morrer.

Todos amores que estão por vir
devo amá-los, eu quero vivê-los!
Todos medos que prevalecerem
devo enfrentá-los, hei de vencê-los!

As coisas perecíveis
pobres, reles besteiras
deixarei-as para trás
viverei a vida, descerei ladeiras.

Desejo levar ao meu próximo
todo o legado de minha vida.
E que este tome parte, desperte
também recomece o seu viver.










Consciência






A cabeça cortada agora rola
esquecida, chutada, feito bola
perdida, sem rumo, pelas sarjetas
passa a depender de certas muletas.

Palavras a esmo, lançadas ao vento
caídas no asfalto, observam o momento
sereno da noite, almas embriagadas
poucas razões, paixões utilizadas.

A cabeça deixada em qualquer canto
cria teia difícil de ser removida
leva-se vida muito mais sofrida
muita lágrima é perdida no pranto.

Não pelo fato de tê-la cortada
mas por ter consciência às traças jogada
corroída pelo tempo e pela vida
grava no peito uma grande ferida.











Utopias da poesia






Esta linguagem proferida
já ficou muito desgastada
todos os meus versos
perderam o vigor da vida.

Só resta-me agora procurar
concretizar o meu desejo
por certo não-lugar
onde repouse sem poesia.

Não haveriam necessidades.
Num lugar tão pleno como esse
não haveriam sequer vontades.

Pois nenhuma gota de lágrima
seria, então, necessária à página.
Não há motivos para chorar












II






Já não basta mais escrever:
palavras não foram ditas?
Não sei, já não sacia mais
encontrar, fazer poesia.

Reconheço, dói-me muito
ser um dos olhos do mundo
preencher páginas em branco
com tormentos da cabeça.

Deve haver certa maneira
algum lugar, uma forma
de fechar esta torneira.

Tudo isto faz da vida arte
mais sedenta, lastimosa
quebra meu ser em pedaços.








Mundo palco






“Afinal, o que se faz da vida senão uma grande peça?
Uns são os espectadores, outros os atores.
Uns, passivos, outros, ativos.”


Entra em cena uma peça atraente
dirigida por deus, estrelada por gente.
Atuam de diversas maneiras, em diferentes cenários
contracenam com outros atores a dádiva de viver!

Meras atrizes, carpinteiros,
borracheiros e fazendeiros.
No grande teatro desta vida
constróem a peça cotidiana.

Tropeçam na avenida, sentam na praça,
macaqueiam no picadeiro, levantam um muro.
Bolinha de gude, som na viola,
malandro, mulher e cachaça.

Esses atores trombam-se nas ruas
construindo um novo espetáculo a cada minuto.
Muitas moças roubam seus corações, feito luas
e ninguém sabe o que será de toda essa gente.







A busca humana






Se algum dia perguntares
- o que sou? de onde venho?
não lhe darei respostas
nem sei se esta é a proposta.

Sei que devemos viver
a vida e seus momentos
seus sabores e odores
são consolos ao saber.


Buscar a luz na escuridão
o desconhecido no porão
as infinitas possibilidades
que fazem da vida grandiosa.

Não temos nada a temer
não sabemos do que correr
certamente chegaremos
pelos caminhos da vida
e repousaremos plenamente.






As bocas grandes






Eu conheço muitas bocas
que comem mais do que podem.
Eu conheço várias bocas
que falam mais do que devem.

A boca entalada comeu muito depressa!
Agora, julga tudo da boca pra fora...

As palavras brigam na garganta
para ver qual irá sair primeiro.
Algumas, muito precipitadas
sem propósito algum irão surgir.

Não falo do Boca do inferno
não é sobre a boca do lixo.

As palavras narcísicas julgam
por seu poder, as palavras matam.
Saindo das bocas cantos tiranos
o que será dos mudos, meu deus?!

As palavras podem ser mutáveis
para tornarem-se um camaleão.
Se elas saírem da boca maldita
são utilizadas com má intenção.








Está para a boca falante
o silêncio de ouro e observação.
Está no peito do viajante sereno
a calma e a moderação.

A boca louca não é a máxima consideração.
Meu irmão, mais vale o brilho mudo de um bom coração.

Mais vale a palavra lavrada
cultivada e emocionada.
Palavra brotada em cafezais
palavras que ecoarão por mais.

As palavras bem pensadas
surgidas do olhar do calado
obtêm mais resultado
do que palavras proferidas.

Para que tanta palavra dizer
no intuito de expressar o que sentes?
Basta sentir sinceramente
o que acontece com a gente.











O homem-lixo






O centro negro de São Paulo
são torres, são homens
os profetas de barro!
Erguidos na praça
como árvores fincadas no asfalto
sua barba suja e enorme, sua face baça
em meio a multitrapos
farrapos, barracos e sacos
o homem de gestos!
Numa metamorfose lenta
o homem-lobisomem
que tudo consome
quando tem fome
é ignorado por uma multidão.
Lá está ele, em meio a montanhas
cordilheiras de sacos pretos
o homem-lixo ensaia seus passos
nessa dança
surda, muda e cega
em que ele valsa,
somente para si














sou um homem de múltiplas faces
muitas facetas
cara-de-pau
boi da cara preta
desenhando
criando formas
rompendo
com todas suas normas
o meu estilo
já superou
seu asilo
vovô
sou escritor
já vôo
ando no escuro
e não faço frescura



















Trilogia dos loucos (parte III)






O velho andarilho caminha na noite
não está só: anda consigo mesmo
e com os gatos que bebem sangue
dos ratos caçados.
Louco, selvagem, não toca sua harpa ou sua lira
mas é no som de seus passos que ele delira,
que expõe sua ira.
Em versos cantados, versos mudos
parece a noite cantar com sua saudosa boca
mas sou eu quem arranca sua máxima expressão louca,
sua roupa, fazemos amor, geramos poesia.










O poeta clama






O poeta está no alto da montanha
cantando seus versos para o vento.
Está a gemer, cansado de toda essa dor
está a procura de um verdadeiro amor.

Ele voa em nuvens douradas
contemplando o oceano de nescidade.
Toda carência, toda ausência
toda a necessidade.

O poeta clama suas estrofes
para seus semelhantes.
Com um grito de agonia
guia todos os errantes.

Antes, porém, o poeta erra
o poeta sofre, o poeta geme, o poeta berra.
Ele quer, mas está distante
de seus sonhos, delirante.

Ele cai, rasteja
suja seu corpo na poeira
trava uma luta grandiosa
por sua honra e dignidade.

O poeta vê a miséria, mas a detesta.
Contudo, está pronto para a festa
e quer viver, quer ser feliz.

Já sofreu, quer amar novamente
seu amor é fecundo, lança a semente no mundo
espalha sua luz, seu viver.

O poeta não é um visionário
somente enxerga o que outros olhos não vêem.







*







Relógios






Quanto tempo perdemos
olhando para relógios!
Assim como os caretas
que enxergam a vida
através de lunetas
corremos atrás de ponteiros
aos quais nunca alcançaremos.


se paro para minha paranóia
é para pintar a poesia
você, quando pára
pira, pira, pira, pira...

*

o artista é vaidoso
quando mostra sua arte
é mais ainda
quando a esconde

*

escrever poesia
é como gerar um filho
dedicar-lhe o devido cuidado
para que ele volte-se contra você
principalmente se for torto e
levado como sou

*

um bom artista
rescreve seu verso
pois necessita
revivê-lo ao reverso

*

quem faz da arte
parte de sua vida
assume a loucura
ou cura a ferida



há pássaros
presos em suas gaiolas
não suportam ver
os demais livres a voar

*

o poeta voa alto
mas o querem no chão

*

a noite em mim é um branco sal
suor pingando da pálpebra
lágrimas escorrendo nas faces
não preciso sentar em lótus na calçada
uma garrafa de vinho me acompanha

*

tudo se tornando
tudo se vertendo
tudo vindo a ser
tudo se dispondo
tudo no gerúndio

*

estragos, rasgos
tudo o que resta da vida
faz com que seja vivida
com a máxima intensidade


a vida é como um pesadelo
nascemos, somos jogados no turbilhão
tentamos sempre buscar o centro
a maioria despenca
é levada pelas rodas da vida
poucos mantêm-se em equilíbrio
mesmo com todas vicissitudes
atingem a plenitude de ser

*

Augusto

Sob uma chuva fria de verão
um peito quente de afecções.
O combate do homem
quer seguir seus impulsos
o outro, interioriza a paixão.
Augusto, profano e santo
segue seus passos embriagados
o coração mais apertado
do que o abraço do tamanduá.

*
Parece o poeta o asceta do amor
padece de dor, queima o peito
chamas infernais consomem-no
na cabeça, leve embriaguez.
Mentes racionais, dialéticas
corações frios, parcos sentimentos
menor expressão da loucura
o tesão-paixão-explosão
retrai os temerosos e presos.
Bastaria apenas um beijo
para desencadear o frenesi
palavras não cobrem o que senti.




Noite, ó dia infindável!
Não sabes como regozijo em ti
e espero a próxima para gozar.
A errância, a peregrinação
os licores e vinhos.
Tudo fica em minha memória
a saudade martela em meu peito
cuspo rajadas de sangue
apaixono-me desmesuradamente
tentando levantar um amor vão.





*






o poeta-raso é um vaso d'água
sedimentos vão ao fundo
basta uma centrifugação frenética
paixão desmedida
para levá-los à tona








Conceitos burgueses são medíocres:
todos pensam ser o máximo
um mais bosta que o outro.
As pessoas mais pobres da rua
não fizeram faculdade de publicidade
deram caras a tapa e aprenderam a profissão.
Não são músicos posudos
caíram nas estradas e aprenderam
compõem e tocam suas músicas.
Não são Homens machistas
sustentados pelo ralo da mamãe
respeitam a força e as dores do parto.
Prezam muito as companheiras
apaixonam-se pela luz de seu olhar
nem por isso precisam provar algo.
Pegam no batente logo cedo
superam qualquer medo
a vida é seu aprendizado.

*

Há pessoas caindo nas ruas
não por doenças de rico
convulsões, ataques epilépticos
- Mas de fome.
Quando um homem
perde a dignidade a tal ponto
o que fazer?
- “Mata um homem e come”?





Breve currículo

Celso Torrano nasceu em São Paulo. Estes poemas começaram a ser escritos em 1995, e desde então vem divulgando-os em jornais de bairro e independentes, escolas, bibliotecas municipais, casas de cultura, centro cultural, além de filas de teatro e bares, onde a divulgação de folhetos e marcadores de livros com suas poesias é feita pessoalmente.
A sua primeira criação, intitulada “Fragmentos do viver diverso”, bem como as mais recentes, “Rebentos de vida” e “CRIA-DOR” (obras não-publicadas), são divulgadas de forma independente, enquanto procura “patrocínio” para a publicação. Participou de oficinas literárias, como a Poesia Viva, coordenada pela poeta Eunice Arruda em 08/09 de 1998, na Biblioteca Circulante; do grupo de poesias O Tabefe, e de concursos como o Poesia falada, Nascente e III Festival Universitário.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Terra dos anões, dos magos e duendes do Dileno, o anão camarada, preso



Outra viagem que Augusto fez para São Tomé de Minas foi com uma camarada anão, o Dileno, que ficou até uns tempos atrás preso. Hoje não se sabe do seu paradeiro, Augusto não o encontra mais, só nos bons tempos de Centro Cultural. Marcaram de ir para São Tomé. Ele já tinha feito uma viajem louca, a viagem do Love Machine. Esta foi bem interessante. Teve que ir de forma que um ônibus só não deu. O Dileno foi antes, Augusto foi depois. Como de costume, levou seu suco de laranja com etílico de cana. Foi se embebedando no caminho, para variar.
Teve de descer na estrada e pegar carona. Algum piolho, algum “hippie” pilantra, chupim, microbão aproveitou-se e roubou uns 20 mangos na estrada do Augusto meio bêbo, o que o obrigou a dar um trampo a mais para reconquistá-los em Minas. Quando chegou lá, o camarada cedeu um espaço na barraca pra guardar os trapos, uma vez que pouco dormiu. Ficava nas noitadas, conheceu um casal camarada, que curtiu os seus poemas. Eles fazíam umas trilhas para as cachoeiras, e depois se encontrávam na noitada, bebendo.
Augusto vendia seus folhetos nos bares de São Tome pra se levantar do prejuízo. Até acabou discutindo e empurrando de leve uma mina de uma escada de um bar, pois ela estava enchendo seu saco com inutilidades, dizendo bobagens. Mas também tinha uma mina meio hippy que deu uns moles, Augusto pode tirar um sarro de leve com ela. Lá tocava um Zé Geraldo.
Também tinha um camarada que curtia um Belchior e sua maconha, foge da sua memória agora o nome dele. Banhavam-se no rio, nas cachoeiras. Para voltar, também tomávamos chá de cadeira nas rodoviárias, esperando pelo próximo ônibus.

Syd Barret vive entre nós! Ele e mais trocentos Thimothy Leary mundo afora!


Cachimbos



As baladas que acabavam em fumo eram sempre massa. Iam para os meios do mato no interior, muita caminhada, com mulheres. Às vezes dava jogo, mas nem sempre. No bosque, Às vezes a sensação depois de mandar um era dar umas passadas de mão num corpinho de uma mocinha púbere, que MAL tinha pêlos na xaninha. Na caminhada, às vezes achávamos bois, vacas no meio da escuridão. Muito massa, ponte da gabiroba na escuridão. Ou mesmo em Mococa. Os malvados do pedaço chegaram. Mandavam um esoturadão no pé da Igreja. Pecavam muito bem, mas ainda assim acabavam no céu estrelado. Uns caras ficavam tirando barato, que ele sentou na merda da vaca. Mas era tudo mentira, só para tirar um barato. Acabavam a manhã acordando na boçoroca, mandando um, vendo o amanhecer, todos loucos.

Os bailes etílicos regados à meninas



Nem precisa contar das ressacas que passaram. Várias vezes especialmente uma aos dezesseis anos, ficou estirado no chão, depois de tomar tantas caipirinhas, os colegas rodiando. De dentro do fuscão furgão que foi lhe buscar para tomar uma glicose, ergueu sua mão e deu um positivo para os camaradas. Todos comentaram o feito, e depois comentaram sobre a coincidência.
Quando atingiu a maioridade, também foi demais. Caído, com blusa branca, para variar, porre de vinho acaba manchando, o que se tira com sabonete, fica uma mancha azul, que depois sai. Com camaradas perto de uma praça do antigo lar, eles conversavam, bodeado, depois de muitas cervejas, vinhos e uma coquinho. Deitou e dormiu na frente duma padaria, bebinho. Quando os camaradas chamaram, prontamente levantou e saiu andando. Aquele tempo não tínham frescuras. Dávamos certo trabalho, mas nada comparado. A bebida era forte, o fervor do sangue da juventude,  idem. Pensávamos que podíamos tudo, não tinhamos limites, nem pra a morte.
Também houve o dia com a Michelinha. Ele tinha dado uns beijos nela sóbrio, foi bom. Ela tinha aparelho nos dentes. Disse que queria ficar com ela, já havia observado desde moleque, queria comê-la. Assim eram os catos. Mas melhor foram os malhos quando estava breaco. Uma vez, dando uns beijos na Michelinha, no colo dela, passou mal, vomite, enrolou a lingua fingndo dar trampo para os camaradas. Ela mesmo se preocupou. Também a Sandrona, passadas de mãos nos peitos e bundas, agarros e beijos na rua, ano novo após bebedeiras, foi muito assa carnaval. Sempre mulheres, música e bebedeira.

Experiência única na vida


A experiência mais chapada foi a que comeram, sim, degustaram cogumelo. Eles e o finado Guga. Foram para o lado do desterro, em uns pastos, logo pela manhã. Também havia outros moleques, o Preto, que conduzia. Eles os levaram ao paraíso. O Pasto estava carregado, os bois e vaquinhas presentearam-nos com seu estrume santo, mágico, e choveu na noite anterior. Foram logo cedo. Acharam os guarda-chuva de sapos. Eles tinham uma fitinha preta. Todos muito bons. Pegaram a cabeça dos guarda-chuvas e mandaram para dentro, uns com limão, outros com leite condensado que um dos caras descolou.
Foram para a praça. Depois de um tempo, o preto, que estava com a namorada na praça, longe dali, começou a não se segurar. Eles três também. Particularmente, começou a ver os pássaros em câmara lenta, os matinhos, às vezes, moitas, davam pulinhos, andavam. Foi só chapação e muita risada. Fora os ventos bruscos que vinham e rachavam de rir, os chamados "ventão". Finado Guga não se agüentava, começou a baixar as calças no meio da rua, o que chamou muita atenção. Quando chegavam perto dos outros camaradas, não se agüentavam. Caíam na gargalhada. Resolveram ir para o bosque, aquela coisa não passava, e era bom. Até o fim do dia, quando foram tomar banho, jantar, o arroz, dos furos das paredes, parecia que saiam vermes. É a abertura máxima que a alma pode chegar. Em outra oportunidade, experimentaram um chá mal feito na casa e no fogão de um deles. Mas não deu certo, foi com água e não vinho, nem se comparava com a primeira vez. Sairam para a rua.

*

O mais cômico foi a vez que toda turma, Viviane, uma baixinha, a irmã da ângela e a própria. Pegaram uns lírios lá da frente do Centro Cultural da Vergueiro, voltando pra o apê da V. Mariana e arrancaram. Levaram para casa, e fizemos um chá, a som de Jethro, Judas e outras coisas boas mais. Não fez o efeito esperado. Sempre ouvira falar que lírio despirocava, enquanto o cogu deixava mais centrado, uma loucura melhor. O único efeito que sentiram depois foi uma caganeira, que fazia soltar uns peidões na privada.

Mais aventuras à la Oliver Twist



A viagem na praia de Camburi



A viagem de Camburi foi muito chapante. Já tinhamos feito uma estada parecida também na Prainha branca de Bertioga (ano anterior, 1997). Fomos de trem até Mogi, descemos de van, pegamos balsa. Era muito deserta na época, acampamento na praia, sem as construções avançarem tanto na areia, o que não ocorre mais hoje.
Foi um final de ano que resolvemos, num caminhada pela noite de Guarulhos, armar um esquema para ir até camburizinho, em Ubatuba, na divisa com o Rio de Janeiro, divisa com TRindade, Laranjeiras, em Paraty. Fomos em uma galera, da capital e interior, bem representada, Mococa, Casa Branca, Jundiaí, que acabou se perdendo e dividindo, por entrar em um ônibus errado. Saltamos na estrada. Tivemos que descer levando uma super-barraca de um camarada, em que todos dormimos, nas laterais ou na varanda da frente; além de caixa com mantimentos, comida etc. A descida foi a pé, ao lado de cachoeiras. Escurecia. Quando chegamos, começamos a montar a barraca na beira da praia. Armamos tudo e fizemos o rango. Tinha que ser tudo lavado, o barro era deitado no mato, o banho, na cachoeira.
Neste banhos de cachoeira, eu e o Pablito, voltando trêbados de cachaça de Party, no ônibus, resolvemos tomar banho na cachoeira da descida para a praia. Achamos umas minas, que queriamos agarrar, gostosas, mas elas deram àrea.
À noite, tinha um esquema bom num bar, forró de Alceu, Fagner das Antigas, Zé Ramalho, que ia até o amanhecer. Música tocada. Tinha umas gostosas que topavam dançar. Negras, morenas, com peitão, bundudas, todas muito tesão. Eu quase arrastei uma mina, loira, magra, gostosa de corpo. Mas ela acabou indo parar na barraca de um camarada, o Pablo, que conseguiu comê-la. Foi uma virada do ano muito doida, estávamos na praia de manhã. Uma mina, Adriana, resolveu dar chilique, rolar na areia, ficou como milanesa. Sem contar as rodadas de violão etc que nos animavam, davam alguma perspectiva na noitada, agregavam a gurizada na praia ao redor.



A serra de Caraguatatuba


Quando moleques, no segundo grau da Nasser Marão, tínhamos uma galerinha que se enturmou. Conseguíamos fazer várias noitadas, pelo Morcegóvia, no Bixiga. Também saíamos da escola com as “tias” para bebericarmos cachaça no boteco. Até uns fumos de corda rolavam, que nos deixavam zonzos. Aquela turma dava trabalho. Várias vezes aprontamos, chegávamos travados em casa, chapados, íamos dormir, para acordar só no outro dia. Foi uma época de farras homéricas.
A molecada aprontava. Ralavam churrascadas, umas “chamadas” (o nome dado ao benzeno, nos intervalos e aulas vagas). Teve até uma vez que resolvemos viajar para o Litoral. Iam umas gurias que moravam no centro de São Paulo. Como foi bom conhecê-las. Tinha uma, o apelido era Lele laranja, que virou acerola, pois valia por 100 laranjas. Ela até chegou a dar mole, mas foi por meio de "conversinhas", fofocas, portanto, não se concretizou, não chegamos às vias de fato.
Chegamos na praia de Caraguatatuba, ficamos batendo um fut lá, pois tínhamos que pernoitar, até o ônibus chegar no dia seguinte, pois o local que tínhamos como objetivo era a casa de uma tia do Capeta, um camarada nosso. A gurizada era indie, gótica, só nós curtíamos um pouco de tudo, rock´n´roll etc. Ao pegarmos o ônibus, pedi um copão de cana, o que impressionou os camaradas, pois era de manhã (o ônibus pinga-pinga só saia pela manhã).
Ao chegar lá, nos acomodamos. A casinha era interessante, rolava sons, várias idéias, enquanto os ecos de Pink Floyd reverberavam na sala. Meu camarada Daltônico aproveitou para tirar um cochilo, depois que procuramos em vão uns cogus no pasto. A galera tinha que se espremer nos poucos cobertores levados (como sempre, esqueci o meu), e encostar a cabeça na mochila veia.
Teve uma noite que resolvemos pescar na cachoeira, por idéia de não sei quem. Só sei que fomos, uma galera. Levaram umas dessas lanterninhas de vela. A conclusão foi de que chegamos no meio da Mata Atlântica, e ficamos por lá perdidos. Todos desesperados. As lanternas se apagaram, restando apenas uma. Um camarada usou sua meia para fazer uma tocha. Depois de muito procurar, conseguimos sair são e salvo e ver a lua numa clareira. Fomos dormir.
No dia seguinte, conseguiríamos chegar à cachoeira, nadar um pouco. Uns camaradas pescaram uns peixinhos nanicos, que serviram de almoço logo depois.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A gordinha do Morumba

Uma vez, foi a convite de uns camaradas da escola, no portal do Morumba. Eles falaram de umas amigas que tinham. Isso era no segundo grau, ele tinha dezessete anos, por ai. De fato, tinha umas bem gatas e gostosas amigas do seu camarada Daltônico. Minas cuidadas a pão-de-ló, leite ninho de prima, mas que posavam de maluquetes. Uma chamava Vivian e a outra não me lembro. Já tínham já trombado as mesmas, e o material era de prima. Foi.
Chegando lá, foram na casa de uma mina, não exatamente as que estava falando. Embora também elas depois lá chegariam, depois. O fato é que a amiga dele era uma gordinha, ela logo pagou pau pra ele. Curtia uns Zep, que ela colocava em seu apê para impressionar. Ele logo deu um trato nela, não logo da primeira vez, pois voltaram lá outra vez. Deu uns amassos nela, perto da piscina, levou-a para o escuro, ele, um plebeu, naquele paraíso. Até um rango ela bancou para a galera toda, um rodízio de pizza. Arrancou uns bons gemidos dela, sem fazer muito esforço. A mina se apaixonou forte. Ao invés dele aproveitar, nunca mais voltou na casa dela, para o desespero e infelicidade da gordinha. Ele não queria se envolver com ninguém e queria todas ao mesmo tempo naquela época, não sabia mentir e ser aproveitador. Estava mais para um gato vadio e vira lata, de rua, do que um cão amestrado.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lembranças de Augusto, o moleque maravilhoso



O trote da necessitada

Houve certa vez, Augusto ainda morava na casa de seus pais, levou um trote. Lembrou-se de que seu pai recebeu o telefonema. A garota, que não quis se identificar, foi começando a se derreter para cima dele. Bom, como seu pai percebeu logo seu engano, e para não se enroscar com a mama, falou que ela estava falando com o sujeito errado, e chamou a figura correta.
Desta vez, a menina foi se declarando e se abrindo toda para Augusto. Disse que levasse muita camisinha, que fosse em uma casa para baixo, no quarteirão de baixo, que a procurasse, que queria dar muito pra ele. Que tava louca de tesão para dar. Imaginou quem era, uma vez que tinha rolado um causo que já contou aqui. Era algo ou da desenho, ou da Patrícia, ou um conluio das duas, usando uma terceira.
O Augusto, que não perde uma oportunidade dessas, até foi para conferir, mesmo que cético, mas empolgado. Se a pessoa tivesse vendo de longe, até tiraria um sarro com a própria. Bom, mas como previsto, não deu em nada. Valeu ao menos para Augusto socar uma bem inspirada com aquela voz sacana gemendo ao telefone, fingindo ser ou passando-se por alguém que não era.



A desenho animado

Augusto sempre foi de contrariar as opiniões. Mesmo na escola, no segundo grau, quando inventou um apelido para uma menina feinha, óculos de fundo de garrafa, doidinha (ela tomava uns comprimidos e fumava uns beques). Todos chamavam-na de “desenho”, “desenho animado”. Esta mina ficava no pé, era doida por ele. Augusto sabe que uma vez resolveu pegá-la. Começou a dar uns catos nela, na frente da escola, e dentro mesmo, na hora do intervalo. Os colegas viam e ficavam tirando um barato.
Mas enfim, depois, como já era de se esperar, que só tiraria um sarro, deu um pé na sua bunda. Os camaradas ficaram tirado um sarro, porque ele pegou aquela feinha. Ele estava em baixa, pois uma mina que eu tinha dado uns beijos no começo do ano, a Patrícia, muito mais da hora, era mais solicitada pelos outros. Todo mundo estava em cima dela. Ele só conseguira um vez, no meio de um churrasco, em que lhe dera uns beijos, sendo depois carregado pelos colegas. Virou lenda, a tal de desenho e tiravam sarro dele.

Sacanagens e libidinagens de Albano



As negras do bixiga e a sebosidade do bar do Gera

Estava o albanês e seu camarada de nome francês no boteco do Ceará o Gera.
Era uma daquela sexta-feira, em que saíam a procura de diversão, de rock´n´roll no templo do Gera, um boteco seboso, mas amigo, em que encontrávamos um pouco de loucos perdidos no tempo e no espaço. Talvez para diversão, e, quem sabe, como cães vira-latas, dão umas trepadas, sem ficar se preocupando em correr atrás. Elas vem atrás das trepadas, elas os procuram.
Estavam no meio de uma breja, algumas cachaças. Quando chegaram duas negas. Uma mais feia, a outra mais bonita, jambo. A noite do bexiga apresentava-se em sua escuridão e na confusão de seus odores de maconha, de queijo e também de um caldo de mocotó. Também misturavam-se diversos sons.
Já conheciam aquelas figuras de outra balada. Elas se aproximaram, ficaram conversando com eles. Quando aquele boteco não tinha mais espaço suficiente para todos, resolveram ir para qualquer boteco da Treze, daqueles com jukebox, tocando forró. O esquema que rolou foi que o Albano tentou ate trocar, pegar a morena mais gata. Mas acho que ela não foi com sua cara. Teve de encarar a mais feia. Não que tivesse na seca. Mas para dar uma bimbada diferente, até que valia a pena tentar.
Foram para um purguerinho, do mais em conta do lugar, na treze. Conseguiram. O camarada foi pra um quarto de um lado, eu fui para outro. A mulher era meio estranha. Só queria ficar com a mão dele na sua buceta. Ela deu uma travada na mão que parece que não soltaria mais. Ela falou que preferia se soltar mais, para soltar a sua ruela. Só sei que quis meter também, não agüentou toda aquela situação. Foi, começou a bombar: “flub,flub,flub,flub”. A nega era bem fogosa. Quis tudo e um pouco mais. Sei que foram tomar banho, e caiu no sono. Mas como tinha de ir embora, não dormiu muito sossegado. Acordou rápido, chamou o camarada e a mina, deu uma carona para eles até mais em cima e para esta mulher que nunca mais viu e não teria coragem de encarar de novo.



A enfermeira travada

Pra variar, Albano estava no bar do Gera, em uma sexta-feira, de muita sebosidade. Tava trocando idéia com uns camaradas. Viu o carioca que sempre traz uma cachaça em seu cantil, ele ofereceu um gole. Uma enfermeira loira, peitudona, tava já ficando no grau. Tomava umas. De repente, começou a dar mole. Ficou toda dando em cima dele. Se derramando toda, desmanchando. Chegou até a dar uns beijos nele, disse que o curtia muito. Ela sentou em sua perna, entregou-se toda. Os camaradas se afastaram, no intuito de deixar mais a vontade com aquela figura. Ela estava bêbada, e começava a sentar no seu colo, roçando mais no pau dele.
Era inevitável, parecia claro. A loira peituda começou a falar em ir para sua casa, que era próxima, no próprio bexiguento. Foram. Só sei que a mina aprontou várias. Desde que chegou, começou a derrubar copos, a quebrar tudo na cozinha. Começou a chorar. Falava umas coisas um tanto sem nexo, um “hello”, que já estava lhe deixando puto. Não gostava de perder seu precioso tempo. Se ele foi até lá, tinha que sair algum coelho daquele mato.
No entanto, quando ela vinha para a sala, dava até uns beijos, colocava um som. Mas, apesar de bêbada, estava com sua consciência moral voltando. Quando começou a tirar sua calcinha, a pegar de leve na sua buceta, no grelo, ela de repente acordou, colocou-o para fora, falou que eu fosse embora.
O foda é que foi ela quem o arrastou para aquela situação. O corno de seu amigo, ainda desceu, o viu lá e subiu de volta. Saiu pensando que fora mais uma vez enganado. Mas isto não tinha problema. Ele já sabia, apenas podia ganhar mais uma foda diferente. Não custava nada. Saiu rindo da situação e de mais um baile que ele havia levado.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Outras fuleiragens



Estavam em uma noitada numa pracinha. Havia uma gordinha dando em cima dele fazia tempo. Um camarada tinha arrastado a sua irmã. Lembrou de que a gordinha ficou passada de bêbada e sobrou para ele.
É sempre assim: a primeira vez da gordinha, no sexo e no porre: a primeira nunca conta, nunca é para valer, nunca quebra o cabaço pra valer. A segunda já desce melhor, vai mais fácil adentro na mulher. Ela tinha catorze ou quinze no máximo. Então, quanto mais faz, mais ficava melhor.
Ela ficou no pé dele o carnaval quase inteiro. Quase que entrava em outro esquema, com duas fubanguinhas e um camarada, ele foi até atrás, bebinho, mas chegou tarde e não tinha sobrado nada. A gordinha teve a moral de ir atrás, na casa de um camarada. Ele até ligou para casa e falou com o véio. Disse para que viesse embora, e ele disse que não, "que tudo lá estava muito bem". Todos riram, pois estavam loucos e chapados.
O moleque estava sentado, em frente do salão principal da cidade, o carnaval rolando. A gordinha ficava beijando, esfregando, pra ela que era feia, foi vantagem. Só chegou um mané comédia, dizendo que ele estava deixando a sua “sobrinha assim bêbada”, e tal e tal. Uns camaradas chegaram, a própria gordinha chegou, dando água e tudo mais, der um esporro no pau no cú do tio dela, querendo dar mesmo pra ele e ficar em paz. Depois ainda chegamos a dar uns chutes, umas bicas no mané, num bar na cidade, meses depois que o trombou. Ele ficou na moral, mas depois voltou com uma galera. Eles também tinham número, ainda que menor. O moleque chegou a errar um soco no ar, de bêbo que estava, ele veio com uns golpes de caratê, acertou um soquinho de moça, separaram, a coisa ficou por isso mesmo.

*

Outra fuleiragem que aprontaram e que não deu em nada foi com o Cristiano, o diabo loiro, o Rob Halford casabranquense. Arrumaram umas minas, compramos um conhacão, e fomos tomando em casa. Sempre sobrava alguma para ele, desde que veio no Bixiga uma vez e uns caras ficaram estranhando.
Uma era uma putinha, tinha mais experiência. A outra, uma loirinha, gordinha, baixinha, que depois Albanês descobriu que nem pêlo na buceta ela tinha.
No entanto, a baixinha começou a dar trabalho. Bebeu um pouco a mais. Fico lá na sala, Albanês tentando dar uns amassos, enfiou o dedo lá e descobri que a gordinha era virgem. Nem emplumada ainda ela era. O diabo loiro ainda pegou ela no quarto, ela gemia, resistia, e ele tentava bombar, entrar na gordinha.
Albanês partiu para cima a putinha, uma vez que ela pediu para secar sua calça, que tinha molhado. Só não rolou porque um pirralho ficou enchendo o saco. A gordinha berrava, batia na porta, pedia para sair. Na saída, seu camarada ainda jogou a borracha na cara dela e xingou as vadias, que só deram trabalho.

"Ele morava com a mãe. Ao entrarmos, a velha senhora ergue os olhos de seu jornal:
-Hank, não vá embebedar o Timmy.
-Como vai, sra. Hunter
-Da última vez que você e Timmy saíram juntos, os dois acabaram na cadeia
." Henry Chinaski no Factótum.

Augusto participou da treta que evolveu um camarada seu. Saiam as vezes para tomar umas biritas, mesmo caminhando pelo bairro, até um supermercado. Pegavam o litrão, da pingaiada, misturavamos com alguma coisa para sujar.
Na volta, o camarada as vezes dava uma de xarope. Tomava as decisões sozinho, achando que dava conta do recado. Passaram uma vez pela casa, estava rolando uma festa na garagem. Ele falou que uma mina, nesta festa mexeu com ele, deu um xingo, sei lá. O Augusto falou que deixasse quieto, e que seguissem seu rumo, pois aquilo nada significava, e ele nem tinha ouvido. Apesar de ser menos de um ano mais novo, a experiência em lutas de Augusto, ganhas ou perdidas, deram a medida de quando entrar ou não em uma. E naquele caso, era claro que era bobagem pagar para entrar em um jogo em que se ia perder de goleada.
O resultado é que o bicho teimoso foi lá, e ainda chegou falando alto. Tinhas uns caras gordos, fortes, que só se alimentavam bem de hambúrgueres e faziam musculação, que já chegaram descendo o braço. Em Augusto, acertaram um soco de raspão, na têmpora, ao lado do olho que inchou, e ele teve que esconder no domingão em casa. O seu camarada estava com umas botinas que usava. Puxou-o para correr, pois com aquela leva não podíam mais, e ele veio depois de ver a merda que aprontou. No entanto, Augusto saiu rasgando por aquele fim de Bonfa. Já o seu camarada não teve a mesma sorte com seus saltos altos. Tropeçou, virou bola, um saco de pancadas. Augusto só conseguiu voltar para ajudar a carregar. E ele mancou um bocado ainda.






O pior foi a vez que, em um show do AC/DC, o cara resolveu se vingar da polícia que havera reprimido Augusto por uma danação que ele aprontara. Deu um mijão no carro de uma rádio, discutiu com o "promoter", levou uma prensa dos gambés, mas sabia o que tinha feito e segurara sua onda.
Já havia derrubado a garrafa de Velho barreiro. Perderam de vista e a conversa uma mina gente fina, que curtia vários sons do Terço; depois, resolveram ir embora. Eis que do nada o cara resolveu a sair correndo numa ladeira e começou a dar umas bicas, socos nos retrovisores dos carros. Ignorou, que, nesta circunstâncias, os guardadores tornam-se cães de guarda, pois são pobres trabalhadores flanelinhas, e este tipo de coisa sempre sobra para as costas deles.
Augusto tirou os caras de cima, puxando, mas eles estavam socando o seu camarada. Pegaram a cabeça dele. Só pode ver o resultado: o cara ficou com uma janela na frente, sangrando um bocado, os beiços inchados, lavando com a água da rua. Depois para disfarçar, o cara ficou tirando onda, mexendo com as primas até chegar na USP, afastando as mulheres que se aproximavam do Augusto. Mas nada conseguiu consertar a sua cagada.

*

Nem tudo foi azar. Teve um carnaval que parecia que ia mal, que seria um fiasco. O truta chegou, com suas cabeleiras a la Grand Funk, e apavorou toda a cidade. Diziam que parecíamos tomar ácido, tamanha curtição. Ele até ganhou a fama de lobisomem na cidade.
Na primeira noite em que chegou, foram parar até próximo da boçorocas, subindo no pé de Jambolão, com um monte de pingaiada na cabeça e outras coisas mais. O resultado foi que, no meio da noite, não deu outra: rodopiou tudo, Augustinho chamou o Juca pra valer, no chão, como já havia feito. Só que desta vez foi foda: o jambolão mancha um bocado. O pior é que ele já tinha experiência anterior no assunto... quem mandou comer jambolão naquelas alturas da noite?
A melhor parte foi após os 4 dias, sem conseguir nada, só mandando ver em todos os tipos de pingaiada, de repente, do nada, de um boteco, saem duas mulheres. As duas eram mais velhas, tinham uma boa conversa. Augustinho desceu acompanhando a morena de cabelos curtos. Olhando suas madeixas, suas coxas. Foi descobrindo que era uma historiadora. Sempre curtiu as historiadoras. Ele ainda gostaria de uma outra, só que loira, de Ribeirão, mas que não deu em nada. Elas são tão nostálgicas.
Bom, a morena era devoradora. Foi agarrando, dando uns beijos. Quando sentaram na calçada, a mina chupou o seu dedo. Pensou: "putz, hoje será o maior tesão. Esta mina trepa gostoso, dá para ver de longe!"
Pois, para sua surpresa, o truta, ao ver que iria perder a comida fina, começou a dar um escândalo de chorar. Agostinho estava dando o maior dos agarros, os beijos apertados, até alguém conhecido gritou o seu nome, mas ele nem viu, já que estava muito bem ocupado, dando uns agarros e quase entrando dentro da mina, apertando-a contra a parede e tirnado uns gemidos dela. Mas as minas foram embora. Não rolaria nada.
O seu camarada deu escândalo, rolou no chão, estrebuchou e chorou com romantismo. Ainda tiveram que agüentar mais um pouco na praça. Foi pena não encontrá-las no outro dia. Também, a volta foi boa, tomando cerveja no trem, oito horas de viagem. Rumo à capital, em um trem que nem existe mais, Mogiana a Campinas.

Mais histórias de Tom Sawyer e Ruck Finn



Mais histórias de Tom Sawyer e Ruck Finn

Estava lembrando de mais histórias de porradas. E porradas, lembro de várias vezes de um moleque, o argentino, Carlitos, que morava na sua rua, nos tempos de moleque. O pai de Carlitos tinha um bom negócio, ele tinha uma grana, mas era um tanto bruto em compensação. A única coisa que valia a pena na casa do Carlitos era sua irmã gostosa, a Mariana. Era uma morena da pele cor de jambo, cabelos pretos, uma boca pequena, delíciosa. Foi sua namoradinha, deu vários beijos, amassos, mas nada mais além, pois tinham dez a doze anos. Coisa de moleque mesmo.
Naquela ocasião, faziam umas festinhas. Em uma em que foi, na Avenida, na casa do Marcos, tava toda uma galerinha, tinha música, iluminação. Pois o folgado do Carlitos começou a encher o saco. Para tirar um barato, disse que tava de fralda. O moleque veio tirar um barato. Quando de repente, o sangue subiu nos seus olhos, falou: “ei, cê ta pensando o que, fedelho?” De um lance, deu uma porrada, de esquerda, outra com a direita. Ele esboçou um soco, mas que não senti, tamanha a fúria e raiva ue sentia. Tarde demais, Ele caiu no chão, chorando. A festa acabou mais cedo para o pirralho.
Toda a galerinha, que gritava porrada, agora o erguia nos braços o André, o Marcos etc. Comemorando o fato de ter mandado embora o pentelho, o irmão da gostosa que todos cobiçavam. Foi daí até que penso que ela começou a prestar mais atenção em sua pessoa.


tai o moleque, na época com dez anos: já degustava a fruta numa festinha

Às vezes, íamos à boçoroca, eram boas, outras ruins. As legais é que voltávamos parecendo homens-lama, homens caranguejos, que saiam do barro, endurecidos.
Não curtia especificamente as guerras, principalmente quando estava na parte da água, em que era vidraça fácil dos camaradas mais acima, nos morros, que tacavam barro sem dó.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Augusto e a moreninha do Bixiga

Não era como esta (mais jambo e cacheados os cabelos ainda), mas dava um caldo...hum!

O Augusto estava na velha esquina Bixiguenta. Tomava uns tragos com seus camaradas, conversa vai, conversa vem, íam biritando um velho vinho da bodega da nove de julho ou um coquinho também. Matando garrafas. Sempre naquela mesma esquina, sagrada, profana, da Santo Antão com a Treze.

De repente, colou um carro branco. Era uma velha amiga de um camarada. Mas ela não estava só: trouxe uma colega, uma amiga sua.
Ela era uma moreninha muito gata, com o cabelo preto, todo cacheado. Tinha uns peitos bem durinhos, firmes, não muito grandes, tesudos. O corpinho também muito gostoso, muito tesão no conjunto. Começara a trocar idéias, sobre muitas coisas, principamente sobre rock and roll, mas também rolava idéias com a mesma intensidade da noite, da arte, da política e da boemia.

Quando de repente, o camarada, que já lanchara várias vezes a amiga dela, convidou-os para ir junto para o seu apê. Foi um ótimo convite, exitamos um pouco, por deixar camaradas de fora, mas não tinha jeito, a coisa tava rolando entre os dois, tinha que terminar assim.

Lá rolava um esquema, pois era uma kitch, mas separada entre sala e quarto, por uma divisória. O Augusto foi com sua deusa moreninha. Percebeu que ela tinha pouca experiência na coisa. Tirou a roupa, viu os seus peitinhos, achou-os gostosos, tocá-los, apertá-los, eram duros pra cacete! A primeira coisa ao tirar sua calcinha foi sentir aquele cheiro saudável de sua bucetinha. Que bucetinha maravilhosa, pêlos pretinhos, cheirosa. Na primeira foda que deram, no primeiro dia, ela não tinha se soltado muito.
Mas ainda voltaram a se trombar, no mesmo lugar, no mesmo esquema. Na segunda, ela deu uma gozada bem gostosa, quando ele apenas a pegava, tocava uma siririca nela. Ele meteu bem gostoso também, pra valer. O outro casal ficava observando o que falavam, um falava, outro calava, e assim por diante, e davam risada. Foram trocar idéias na cozinha da kitnet. Ela falou que curtia Doors, esta LA Woman.

Foi uma perda muito grande pro Augusto, aquela moreninha era muito gostosa, não conseguiu trombá-la mais assim ao acaso, nas noites bexiguentas. Só veio a trombá-la mais uma vez, em um ponto de ônibus da 9 de Julho, perto do Chopp Haus, esperando para voltar no fim da madruga, após uma farra com uma caixa de cerveja que pegamos de uma festa, ele e o companheiro Daltônico. A morena estava com outro cara, mas teve a coragem de vir e cumprimentar o Augusto, com um sorriso, tamanha sua gratificação e a lembrança daquelas noitadas.

Mais vadiagens do Albano

Tá bom, dirão que ele está exagerando na comparação (ela é mais gorda, tem o cabelo curto)

Albano costumava ir ao bar Cultura. Não era grandes coisas, mas sempre tinha uns doidos para trocar uma idéias, tomar umas biritas e mulheres que às vezes davam sopa.
Foi num dia de semana, terça, ou quarta-feira, se não estava enganado. O bar estava cheio, quando de repente, chegou uma negrona, bem forte mesmo, que começou a dar mole pro Albano.
O Albano logo sacou, e chamou a mulher na chincha. Ela começou a dar uns beijos, a falar do olhar carente do Albano. Logo veio o convite: "vamos para o apê que estou ficando", de minha amiga, lá na Saúde. O Albano, já no grau, topou na hora. Foram pegar um busão, que passava lá na Avenida. Saltaram perto.
Quando chegaram, a amiga estava dormindo no quarto. A nega chegou, foi buscar as coisas no quarto e foram para a sala.
Bom, a Nega curtiu, e falou: "agora você vai ter que me descobrir". A nega estava na seca, na vontade, e o Albano, com a imaginação etílica, pode fazer de tudo, chupou, meteu, na frente, atrás, por todo jeito. Ambos no chão do apê, que não era de nenhum deles. O Albano deu uma foda bem legal, pegou de quatro, até cansar.
O Albano tinha que trampar logo cedo. Tomaram um banho, a nega fez café pra ele. O Albano partiu em retirada.
O Albano ainda chegou a trombar a Nega por mais uma vez naquele apê. Na ocasião, tiveram a chance de curti-lo sem a dona, tiveram o apê todo para si.
A nega começou a grudar muito no Albano, mas este deu um corte. A mulher chegou até a ir atrás, seguindo-o, no ônibus. Mas o Albano soube dar um pé na bunda, não queria se apegar a ninguém, pois queria todas ao mesmo tempo naquela época.
Até hoje, quando a nega cola no Albano, como ocorreu no último carnaval, percebe-se que ela ainda suspira alto por ele.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Vadiagens do Augusto, Dioniso, profano e santo, queimando nas chamas dos inferninhos e sangrando vinho barato



Uma das melhores mulheres de uma noite do Augusto foi a papoula. Era uma moreninha, usando o termo sem desconsiderar seus ancestrais indígenas e africanos. Era uma punk de Jundiaí, de verdade, não estes de boutique que posam hoje por ai, mas já não se vestia como tal. Manjava fazer um chá que nunca tive a oportunidade de provar. No entanto, provou da própria flor da papoula.
Foi um final de semana daqueles pro Augusto. Aprontaram de tudo, ficaram bêbados até o talo. Até quase brigou numa praça no dia anterior, mas estavam tão chapados que nem valeu a pena, desistiram. Só ficaram na cusparada.
Quanto ao assunto principal, saira, ele e um camarada e ficaram na porta de um espetáculo. Era uma banda destas punks. O seu camarada foi dar um rolê com uma gordinha, que ele conhecia. A mina era feinha. Augusto ficou tirando um bode, na frente da casa onde rolava o show.
De repente, surge a maravilhosa Papoula, que viu aquele cabra ali sozinho deitado no chão e veio ver qual era a parada. Ela começou a trocar idéias com aquele sujeito, sobre sons, Uriah Heep, entre outros. Sempre gostou de mulheres maduras, mais cabeças. Foram também dar um rolezinho. Logo, rapinho, Augusto já estava agarrando e dando uns malhos na Papoula. Foi legal ver a risada dela, ao perguntar se ia rolar. Ela falou que sim, que queria muito, tava afins de dar uminha com ele.
Voltaram, o seu camarada tava preocupado, pois tava na casa dele, n sua dependência. O engraçado foi que foram até a estação de trens. Foi uma das melhores trepadas, na estação do trem, a Papoula manjava fazer umas cavalgadas da hora, montar legal em cima e mexer pra caramba. Só se arrependeu por não ir para a casa dela, pois estava na casa do seu camarada, era um bocado longe,  só chegaria no outro dia, com certeza. Ela ficava agarrando, se esfregando no seu corpo, beijando o tempo todo. Doida para levá-lo para casa, que era um bocado longe e tinha que ser feita na bota naquela madrugada perdida de Jundiai.

*

Era uma noite de sabadão, Augusto e um amigo resolveram ir até o Aeroanta, antiga casa no largo da Batata, quando este era fechado na Av. Faria Lima. Sairam com o litrão de 51 debaixo do braço, o outro era um refri de laranja. Quando foram abastecer, jogr fora a fanta pra botar a pinga dentr, o comentário de umas minas num bar da Cardeal, curtindo e comentando, na frente de uns carinhas com que estavam com elas no bar. O resultado é que foram na caminhada até o Bexigão. De Pinheiros até lá, à pé. Pra variar, estava rolando vários Rocks, como sempre rolava no Chopphalls: Rainbow, Ozzy, AC/DC, entre outros.

Augusto chegou lá e começou a ser agarrado por uma mina na Santo antão. Era uma gordinha, baixinha, com uma camiseta do Doors ou coisa assim. August o pegou um ônibus com ela. Vinha da Lapa, Vila Romana, até o Bexiga, dias antes, num show que foram, no Olympia. Aquela mina curtiu Augusto, e foi logo agarrando, tascando um beijo, pegando no seu pau e foram para o canto da encruzilhada, Treze com Sto. Antão. Depois para o escadão, onde realizaram muitas peripécias, até no meio da rua, fodendo no chão duro mesmo, foi muito interessante e louca aquela noite. Augusto aprontou legal mesmo com ela. Ela chupou, ele meteu, de frente, de trás, até cansar.
Augusto voltou e viu seu camarada, que ficou com sono, pegou o canto e dormiu, na Sto. Antônio, em frente ao Chopp, na calçada, dormiu legal de bode mesmo. Como era de costume, Augusto pegava as meninas, e ele dormia e vomitava. Quando voltou, ele estava no mesmo estado, no chão.

Augusto chamou-o, deu um braço para ele se levntar. ele acordou, se limpou do vômito, e foram ao amanhecer na casa de um camarada na V. Mariana para carcar um pra cabeça ainda. Pegaram o ônibus e Augusto foi dormir muito bem, realizado, por ter feito um bocado naquela noitada.

*




Houve uma vez que decidiram, Augusto e seu brother, ir para Minas Gerais, de carona. Sairam de casa logo cedo, pegaram o busão, até a Penha, Av. Aricanduva. ndaram a pé um bocado pela Penha naquele dia.
Caminharam um bom bocado, até passaram pela Igreja da Penha, até conegurem um acesso para a  Fernão Dias.
Não conseguiram carona nesta vez, mesmo no posto de gasolina d Fernõ. Tiveram de voltar até o Bresser para pegar ônibus de linha. A viagem foi boa, regada à cantoria e pinga com suco de laranja.
Ao chegarem em Três Corações, Augusto sacou da troxinha de cuidados mternos um rango bom, polenta e kibe. Fizeram o rango na pracinha mesmo ali, no canto da cidade. A caminhada por aquela cidade de paralelepípedos, casarões coloniais, revelou-nos um boteco. Tinha um cara bem gente fina, ele curtia andar de bicicleta, mostrou até umas fotos de uma viagem de bicicleta que ele fez até no Chile.

O cara arrumou uma cachaça tão boa, boníssima mesmo, que ficava curtida no barril de carvalho que virou até poesia. Sairam, com uma presença do camarada. A caminhada foi boa, a princípio, em um pasto, sob um céu estrelado, caminhando sob uma neblina. Augusto ficou entorpecido como um Peregrino, andando pela Noite na estrada, num passo que devia ser de uma tartaruga.

Ao amanhecer, as teias de aranha apareciam, com gotículas que as revelavam. Fizeram uma parada para o café. A sobra do rango que Augusto trouxe de casa já estava azedo, não prestava mais. Foi justo nessa parada que apareceu um caminhão do pinga-pinga, ue lhes daria uma carona até Santomé.

Chegando na cidade das pedras, o duro foi para dormir. O dia era bom, pois podiam meditar nas pedras, sem fazer nada, em suas grutas e sombras. Até um livrinho do Bakunin tinha para ler.
A noite foi foda, trombaram com um duende, er esse eu apelido. O cara levou-os na sua goma, uma casa no meio do mato. No entanto, ficaram cabreiros de deixar as coisas lá. Na primeira geral que o duende levou, voltamos correndo e buscamos nossas coisas na casa dele. O jeito foi dormir na rua mesmo, no tapete da frente de um sobrado. Chovia um bocado.
No dia seguinte, voltaram, sem grana. O massa foi o banho que tomaram em um banheiro público, só na pia, aproveitando e tirando a catinga de suor, da cintura pra cma.

Aquela noite prometia. Foram numa casa conhecida na Zona Leste, a Ledslay. Sempre bem acompanhado das biritas. Chegando lá, tinha umas doidas dançando, uma gorda feia dançando, bem baranga, com uma mina bem rata, mas bonitinha.
A Gorda começou a pagar pau para Augusto, enquanto seu amigo ficou com a outra. Tocava "Love Machine", do Uriah Heep e ela se rebolava toda no saloon. Pois Augusto foi mostrar sua Love Machine para a Gorda. Foi bem bizarro. Levou a gorda para o canto dos amassos. Lá, tinha bem uns cinco pares de casais. A gorda tava curtindo. Começou a pegar na buceta, no grelo da gorda. Ela estava curtindo demais, falando até do seu cheiro de macho. Se ela soubesse que Augusto não tomava banho direito nos últimos dias. Pois a Gorda resolveu que queria dar pra ele ali mesmo, e começou, na frente de todos. Começou a dar a pagar uma boquete ali mesmo, para Augusto.
Arrumaram uma camisinha, ela sentou no seu pau, ali na frente de todo mundo, rebolando bem compassado, socando aquela bucetona no pau de Augusto, sentando nele. Enquanto isso, sentado no chão, Augusto aproveitava para ficar olhando as bundas das minas gostosas, que ficavam abraçadas beijando seus namorados. Ela gemia e ainda falava : "ai, eu queria que você me pegasse de quatro numa cama".

Uns pirralhos mimados e invejosos, filhos do dono da casa, resolveram cortar o barato dos dois. Vieram com uma câmera, tentar tirar umas fotos daquele exo explícito. Augusto saiu sem gozar, tirando a camisinha do pau enquanto caminhva  pelo salão. Nem valia a pena gozar com aquele mastodonte que Augusto encarou, devia estar enebriado pelas névoas de Minas. Saiu arrancado a camisinha do pau e xingando os filhos da puta, com a mina ao meu lado, também mandando ver nos xingos. Ela ainda teve a manha de contar para seu camarada que Augusto ficava olhando para a bunda das outras, enquanto que ele escapou de um golpe pela bonitinha, mas uma ordinária de uma casqueira.

*

Augusto  estava numa noite em que em Pinheiros, perto do sujinho, que hoje virou um bar limpinho, quando ainda havia alguma diversão por ali perto. Mas isso foi bem antes. Ele viu uma mulher, uma coroa meio hiponga, ela estava meio caida. Começou a trocar idéias com ela, a mulher curtiu e até começou a trocar uns beijos. Foram numa padaria que tinha por ali e ela cantava um Raul. Augusto foi deixá-la no ponto de ônibus da Teodoro, dando o maior dos pegas nela, emquanto esperava o ônibus e os camaradas chegavam, mas ela ficou desconfiada com eles, sabe-se lá o porque. Ela disse que morava pras bandas da Juréia.

Seção Ruckleberry Finn: memórias de moleques



Ele recordou do primeiro porre para valer que tomou. Para valer mesmo, pois antes já faziam brincadeiras com cachaça. Quando íam na roça de um certo tio, o Antônio, toda a molecada ocupava o chiqueirinho de um TL, jogavam baralho numa mesa velha de madeira, ao lado do fogão de lenha. Era um jogo chamado porco, que o castigo para quem perdia era uma rolha queimada na cara (apagada, lógico) só para sujar o caboclo. Também havia uma modalidade com um copinho de pinga, mas não usavam muito, só uma vez e pronto. Não era bebedeira. Mas a primeira vez que ficou zonzinho foi numa copa do mundo, ele tinha 13 anos, enchera a caneca de cerveja, um primo mais velho, casado com uma prima sua. Putz, que legal ver o mundo rodando. Das outras vezes, deu trabalho também, mas nada se compara com a primeira visão do mundo completamente zonzinho.

*

Estava lembrando de algumas coisas da juventude, mais tenra, de uns 12 a 14 anos mais ou menos.
Lembrou que ia até a terra de mi madre, no interior. Para lá íam, alguns moleques, primos, amigos, numa sorveteria. Pedíam um sorvete chamado vaca preta, que era de passas ao rum com coca.
Saiam no começo da noite. Eu aproveitava para ficar olhando as meninas, suas bundinhas e peitinhos em formação, por baixo das roupinhas. Lembra-se das casquinhas que tirava, não do sorvete, mas das gurias, mas em frente da sorveteria, uns beijos e uns amassos. Como as coisas, a própria malícia era de uma inocência sem medidas.

*

Ele também estava lembrando de umas partidas de futebol que tirava com a molecada da vila ao lado da casa do meu avô, na mesma cidade. Batia um bolão, jogavam às vezes até em campeonatos pequenos, amadores, que armavam entre si e disputavam na quadra da industrial.
Mas o mais legal eram as peladas atrás da Igreja matriz. Ali a molecada se arrebentava para jogar.
Certa vez, uns moleques diferentes, três, para ser mais exato, quiseram levar uma com ele. Andaram falando umas besteiras, incentivados pelo Baiano, um negrinho que morava na vila e gostava de agitar. Ele lembra que no dia seguinte foi atrás dos moleques pra tirar a pratos limpos.
O Primeiro era um baixinho que ele pegou em frente do Mercadinho. Pegou o moleque num braço, prendendo-o no pescoço, enquanto dava cacetadas com a direita.
O segundo, foi na própria pracinha da matriz. Este foi fácil, resolver correr e ele deu uma bica das pernas dele e ele esborrachou no chão.
O último foi o mais legal. Era alto, mas um magrelo podrão. Este até que tentou reagir, mas ele deu uma voadora e chutes, o moleque começou a chorar e ele parei.
No final, o Baiano ainda tentou ir atrás dele. Ele nem tinha nada com a história. Soube que ele tinha uma faca, mas não teve coragem de usar, ficou só agitando.

*

Mas nem tudo foram glórias. Também já apanhou, levou muita porrada também, acho que mais do que bateu. As vezes que socou, foi porque teve muita raiva, tinham deixado-o muito puto com alguma coisa que aprontaram.
Algumas vezes que apanhou, nem sempre foram justas. Teve vez que pegaram de um bando, cuzões, só para apavorar, dai não teve como reagir, senão apanharia mais. Isto porque foi um dos moleques que tinha provocado e começado toda a parada.
Teve ma que talvez ele estivesse errado, ou que todos estivessem em conjunto, mas quem pagou a conta fui ele, sozinho. Estavam na rua, era dia da feira ele e uns moleques da rua, o Japa, o japaguaio, entre outros pirralhos. Era dia de feira, Domingo se não engano. Passou um moleque cabeção, que morava em uma das ruas, mais para baixo.
Todos começaram a zuar com o moleque, tirar de "Pirulito" (depois descobriu que seu apelido era este mesmo), e de Cabeção. Na volta, o moleque veio tirar as satisfações com ele, que, do grupo, era o maior. Só sei que começaram a se engalfinhar. A luta foi rápida: o moleque deu um murro no meio da boca. Ele fiquei meio desnorteado, mas reagiu, dando uma bicuda no fígado do moleque.
Nesta, foi seu erro, pois não lembra se ele segurou ou se desequilibrou e caiu. Lembrou de ver um pé se aproximando da sua cara, mais exatamente do nariz, e dai o moleque saiu correndo.Chegaram as minas da rua gritando com os outros moleques, seus 'amigos´: "por que vocês não fizeram nada"?, seus cuzões, etc.
O nariz ficou inchadaço, sangrava em bicas, pacas.
Nestas foi aprendendo a não meter sozinho o bedelhos aonde não é chamado, muito menos comprar brigas dos outros, quando nem os outros seguravam sua própria barra.

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Desenhista do bar e restaurante Salada Record

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