sábado, 5 de setembro de 2009

Fim de feira ou deveria ter complicado menos (Borges)

Acabou de mandar pra dentro dois hot dogs, depois de mandar uma breja e uma dose de salineira pra dentro, e foi dar um rolê pra não apodrecer em sua casa, mesmo que seja muito divertido o que ele encontrava pra fazer.
Passou no mercado e pegou mais umas cervas, porque seria brabo passar o final de semana prolongado no osso sem o seu bem. Ele se vira legal e consegue se divertir com bem pouco de montão. Fica só vendo essa molecada atual, como são tão frescurentos. Uma mania de limpeza e de assepsia com as coisas. Acho que até pra beijar alguns deles não beijam, pois tem medo das bactérias.
Esta molecada que veio depois, que é adolescente nessa época atual, nem sabe curtir como curtimos. Só diversões cibernéticas e eletrônicas. Nem sabem o que é um pião, bola de gude, pipa, carrinho de rolemã, mal se ralaram mesmo e nem pegam no pesado.
Claro que generalizando, tem molecada ainda de alguns lugares e condições que sabe o que é isso, mas a tendência é quererem ser iguais aos frescurentos.
Toda avaliação que se faz, todo juízo traz embutido um valor, pois viver é avaliar, dar valor, dar sentido para as coisas. Pode ficar sossegado que não tá recheado de moralina pestilenta e pessimista esta avaliação.
Tá podem falar que é inveja ou não sei o que. Mas tem coisas que não conseguem fazer nem a pau como fazíamos, e muito mais, se divertir, se ralar, se sujar todo, se embebedar pra valer sem medo ou levar uns belos de uns tombos. Podem até sair do lugar, ir pra Canadá, EUA ou Europa, mas nunca viajaram pra dentro de si e não sabem curtir a simplicidade. Nem curtir um som pra valer eles sabem: podem ter seus mp10, tem todas as músicas nos ipods mas não sabem procurar o que é do bom. Ficam com medo de entrar no mar, porque é perigoso ou pode ter seringas ou coisa do tipo vem junto na onda. Pura piração. Pra eles só lembro aquele velho poema do Borges, que ficou mais famoso com os Titãs: devia ter complicado menos, trabalhado menos, mas agora sou velho e minha vida passou...

Primaiada e lendas casabranquenses

Os Castoldi, em foto da Copa do Mundo de 1982, em Casa Branca-SP. A menina do canto inferior direito, agachada, morreu esmagada por um muro. Trágico.

Família grande, com muitos tios e primos é assim. Eram em oito irmãos, quatro homens e quatro mulheres. todos morando na mogiana, interior paulista, próximo do circuito das águas e das malhas e do sul mineiro de Poços de Caldas. Terra do café, da laranja, da cana e da jabuticaba. Dois já morreram o tio mais velho e atia Inês de Caconde.

Toda a primaiada brincava na frente daquela casa, na rua de paralelepídos. Certa vez, vários primos menores estavam na porta da casa. Haviam obras e um tapume de madeira na casa de baixo, entre a nossa e a entrada da vila. O Antônio Augusto, filho da finada tia Inês, deu de gritar: olha lá vem a Maria Batata! todos ao ouvirem isto, deram uma carreira, e o menorzinho foi pisoteado pela molecada, pois lá vinha a Maria largando pedradas e com a boca mais suja, soltando os palavrões nunca antes possíveis e imagináveis de ser ouvidos.



A Maria Batata era uma das figuras, uma das lendas casabranquenses. Ela andava de saia, tinha a cara toda enrugada. Andava apoiada numa bengala, e levantando a saia e abanando para arejar a bacuria. A molecada enchia o seu saco, com o apelido que odiava, e não media esforços para acertar uma pedrada no moleque que a caçoava.
Casa Branca tinha muitos doidos. O Arthur babou no leite era outro, o entregador de leite cachaceiro que babava nas encomendas. O arthur foi o que mais viveu, acho que pode estar vivo ainda, ficava uma arara quando chamado pelo apelido. Sem contar os anteriores que a mamma contava, o vorta mula, a Emília Barraquinha, Roque tete da roça onde minha mãe nasceu, um que saiu da guerra e ficava imitando tiros, tetete, pela estrada de terra a fora.

Haviam tantas outras figuras que parecia mais do que coincidência brotarem naquele local. Havia um sanatório chamado cocais, desses que chama de hospício, um suplício para estas pessoas que todos os "normais" desrespeitam.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Camarada de tombos de carrinho de rolemã



Na época de moleque, na rua de casa, eu tinha um camarada, ele era um bocado mais velho. Ele morava na esquina do quarteirão de casa. Eu tenho uma baita de uma memória, mas ela tem falhado ultimamente, não lembro de seu nome. Lembro que ele trampava como cobrador de ônibus da CMTC. Nessa época eu era um molecão, ia da escola pra casa, gostava de sair na rua, chutar uma bola com os colegas nos portões dos vizinhos, tirar uma chinfra, perambular brincando de esconde-esconde pelos terrenos de óleo e gás perto de casa, de mãe-da-rua e dar rolês de bicicleta pelos arredores. Também tinham as festinhas nas casas de arredores, na avenida, além das juninas, que eram fechadas as ruas, e todos participavam, com doces, comida, pipoca, vinho qente, quentão. Como era menos frescurenta aquela época, todos se conheciam, saim na rua sem medo e sem frescura, saiam, conviviam com o povo da caramaçal, e não tinha problema nenhum.
Não sinto culpa ou remorso nenhum por isso, aprendi muito cedo a conviver com diferenças, esse camarada por exemplo, muito cedo um proleta, entre outros que conhecia, mas nunca pensei que o trabalho "enobrece" o homem. Pelo contrário, só empobrece mais, só fiquei mais pobre a partir dos dezesseis, dezessete começando por entregar bolos, pães, brigadeiros caseiros. Até foi tarde em relação a muitos e a grande maioria, mas daí nunca mais consegui parar, para minha infelicidade, pois venero muito mais a preguiça, sou muito preguiçoso. Gostaria de ser um vagabundo por inteiro, completo. Eu tento, mas não consigo, não aprendi a ganhar dinheiro sem ter que trabalhar, infelizmente.
Mas voltando ao colega, Ele zuava um bocado, mijava na rua quando estava sentado na calçada, falava das meninas que pretensamente tinha atacado, babou na vez que eu tava na casa da argentina e seu biquini tinha afastado, seus peitinhos recém formados aparecendo, na casa da esquina lá da rua, ela dentro da piscina, e eu sem conseguir tirar os olhos daquela maravilha, quieto, e o irmão dela riu ao perceber que eu tinha grudado os olhos.
Ele falava palavrão adoidado, ficava comendo banana, jogado as cascas. Sempre ele passava em casa, vestido com seu uniforme da CMTC, e me chamava pra trocar idéias, com seu irmão também na frente de sua casa. E era na descida, a curva na frente da sua casa que eu caira do carro de rolemã e ralara o joelho várias vezes

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Losing my religion



Um desenho que fiz dos tempos de moleque, a partir do sonho de um amigo de escola


A molecada está me dando livrinhos e revistinhas de Testemunha de Jeová
Ao apresentar-lhes o ceticismo, o agnosticismo conduzido pelo criticismo Kantiano
(um autor ainda leve, que salva Deus na moral, imagine quando pensarem com outros)
Andam entrando numas desde que viram comigo o filme 2001
e os nossos antepassados austhralopitechus e a teoria evolucionista Darwiniana
Pensaram que eu era um anticristo, pensaram que eu era o próprio demo
Começaram a fazer uma verdadeira Cruzada contra os infiéis
O mesmo quando passei a excentrica família de antônia: a vida a morte a sexualidade
Mas eu nem tava fazendo proselitismo ou querendo que aceitassem
Nem defendo o amor da Ciência e seu endeusamento da verdade que a torna outro Deus
A verdade é uma coisa que me torra o saco
Só sei que nada sei, eu apenas estava fazendo meu papel de questionar, filosofar
De gerar a dúvida, a polêmica, criar o caos na mente
Colocar a pulga atrás da orelha da molecada
mas o fundamentalismo e o moralismo em alguns, tão jovenzinhos
é impressionante e até assustador

Laranja Madura

"Laranja madura na beira da estrada
Tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé
"
Ataulpho Alves, Laranja Madura



Mais um tiro à queima roupa, ma chérie
um tiro seco, curto e grosso
Não chore, não borre sua maquiagem,
falta muito para as seis da manhã seguinte
Você está acabada, não durma no meu colo
ou mesmo no sofá do saloon
Nâo venha me falar em sentimentos na taverna ou no cabaret
Não me diga que sou charmoso, muito menos atraente, bonito ou inteligente
não se perca por mim, não tenha raiva ou ciúmes
A palavra é uma puta velha marafona, desgatada, desbotada
é minha espingarda, com ela dou meus tiros.

A terra das proibições

E esta cidade tem se tornado cada vez mais conservadora. Andar um bocado pela cidade e curtir um pouco tem se tornado apenas um privilégio ou um martírio para muitos outros. Falo isto sem a doença da moralina, mas apenas uma constatação de que as políticas hoje beiram mais a pirotecnia e o impacto do imediato. É só ver como os resqucios do malufismo com este kassamba ai, que colocou novas roupagens em velhas políticas. O turcão sírio libanês safado usava políticas populistas e demagógicas, clientelistas e assistencialistas, fiando famosos por seu bordão rouba, mas faz (ou seria estupra, mas não mata?), entre outras de suas pérolas.
Só que hoje elas ganham outras feições, assim como começaram com a Lei do PSiu, apresentada pelo Jojii Rato, um japa com base na Saúde e outros bairros, como a Liberdade também, que escolheram cortar os botecos após 1 hora. Isto ganhou força na era Pitta, outro cria deserdado do malufismo como este Kassamba, agora abraçado pelo PSDB.
A cidade tem se tornado mais conservadora com a vitória de Kassab. Eu já vinha avisando no boteco do Gera desde 2004, desde a eleição de seu aliado e apoiador de primeira hora, o Serra, que esta parada não acabaria bem. E tinha gente que ialá, um sansei zé ruela que curtia Raul, mas não sacava nada de política, acabou por apoiar o que viria a tirar nossa diversão preferida. Não digo a dele, pois ele era uma contradição em termos: penso que só ia lá para ver o bar do Gera fechar e acabar com nossa alegria. Basta ver que as medidas tomadas logo após foram proibir ônibus fretados de circular no centro expandido, a Lei anti-fumo, a lei cidade limpa, que, embora alegue preocupação urbanística, não vejo com bom olhos o autoritarismo de mandar arrancar placas de estabelecimentos sem a medida adequada e não oferecer nada para colocar no lugar.
A última que vi foi a da festa do Bixiga deste ano, Achiropita, uma festa com mais de 90 anos. Fomos, eu e amios, dar um rolê por lá no último dia, domingão sem nada mais pra fazer em casa, quando somos surpreendido que estava fechando todas as barracas às 22 horas. É incrível como esta cidade retrocede, e consegue ficar mais careta, e todo mundo acha normal. Poucas pessoas estavam lá para ver a santa passar, ou teriam saco para esperá-la passar. Queriam apenas comer alguma comida italiana, somente isso. E nem isso podem mais, e nada fazem. Fazer pra que? Foram elas mesmas que conduziram a isto.

Lupino


O lobo galanteador e sedutor consegue tudo o que quer devagar, sem ter que pedir ou pagar. Sem encanar de entrar em fantasias com guarda-roupas, negrões armários (fetiche de viados) ou de bandidos bom de miras que não existem nessse habitats, apenas na ficção. O lobo solitário e caçador sabe andar e escolher suas trevas. Basta um belo de um toque, uma cheirada na nuca de sua presa, a sacada de manjar sobre a coisa e ele ganha beijos na boca ou outros brindes na faixa. Certo, há quem finja muito bem, mas dá para sacar quando a resposta à coisa que se faz é muito boa mesmo. Pra quem saca da parada, não é possível fingir o tempo todo, o corpo demonstra, fala e não mente quando se tem a mão para a coisa, o toque, não tem como negar, não tem como disfarçar. Tudo é um jogo de ganhos e perdas, quem está no jogo não pode se furtar a jogá-lo alegando medo. O charme de quem saca da parada, das noitadas de beberagem das bruxas sabáticas e goles de conhaque e uísque perdidos por conta de alguém derrubar ou ganhos de graça, enquanto tocava Layla no fundo de um bar qualquer. Alguém dançava e se empolgava sobre a mesa de sinuca e a fome caia sobre todos os homens que procuram por alguma dose forte, alguma diversão, ao menos, para passar aquela noite perdida em algum canto da cachola. Quando a noite acabava, partia para outra, ouvindo o canto dos pardais que assolam as manhãs de domingo, trombando com os carolas que iam para suas missas e curtindo uma ressaca braba, atravessando feiras livres pelos cantos.

O sucesso da engenharia genética brasileira

Vou acompanhando o rebolado das mestiças
morenas pele de jambo alagoanas
com nariz afilado e olhos amendoados
e cabelos lisos escorridos que voltam-se para dentro
Ou mestiças filhas de loiro/a e negra
e com ascendentes japonesas que dão uma feição maravilhosa
a beleza de uma criaturas com rosto de gata,
agilidade de panteras e o corpo esguio de uma onça pintada
longos cabelos lisos castanhos, pele de camurça aveludada
atração fatal total, com peitos de loba, coxas e bundas
pomos de maçã, mamão papaia ou imensos melões
com formatos diferentes, pois não há um modelo única
nenhuma forma platônica, nem o fetichismo pelas formas ideais
combinada com a falta de sexo ou empata-fodas de românticos
Fico pensando como é boa a brasilidade e a mestiçagem
a mais bela engenharia genética já concebida na terra
da melhor qualidade de mulheres do mundo

bailes dos fins de oitenta

Tenra lembrança de bailinhos juvenis de luz negra em fins de décadas do século passado pescoços e cangotes de gurias regados a muito perfume dançando juntinho coladinho e agarrados era tudo uma ingenuidade de chiclete e selinhos trocados no escuro fazendo cabra cega nem sempre era "no escuro" quando alguém interessava a pessoa que tapava nossos olhos dava um pisão no pé. Pedíamos o beijo na boca. Tudo era naif, ingênuo, nenhuma malícia a não ser as que íamos aprendendo aos poucos na rua.

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Desenhista do bar e restaurante Salada Record

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