sábado, 14 de novembro de 2009

Crise existencial? não tenho tempo



Quando escuto alguém falar em uma situação de crise existencial, de depressão, eu recomendo que vá lavar umas roupas sujas, ou louças sujas, que passa rapidinho.

Pois isso é coisa para gente frescurenta, que tem tempo para estas coisas. Eu não tenho tempo para isto, é só dar umas esfregadas nas minhas cuecas, para ver o trampo que dá, que rapidinho passa.

Geralmente quem escreve estes clichês ignora o que foi a profundidade da Náusea, da angústia Sartreana; ou do absurdo de Camus, ou ainda de Kafka e Soren Kierkgaard e seu desepero. Depois deles, ninguém mais conseguiu traduzir isto, só que eles colocavam em situação, não ficavam embromando.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Resenha de Deus e o diabo apresentado no cineclube dos professores de Osasco



Deus e o diabo na terra de Glauber:um transe barroco na terra do sol.

I. Introdução

Deus e o diabo, o maniqueísmo, a dualidade de um Deus negro, Sebastião, e um Daibo loiro, corisco. Já expressa no título uma referência aos poetas paulistas (porque São Paulo é terra de ninguém), Jorge Mautner, filho de um judeu austpiaco e de um padrasto alemão, imigrado ele próprio, escrevera em 1962 o livro “Deus da Chuva e da Morte”, citado posteriormente por Caetano na própria “Sampa”.
O filme de Glauber é o barroco, com suas imagens dialéticas À la eiseinstein, do discurso revolucionário, mesmo com uma distância de mais de 40 anos e tiradas da nouvelle vague francesa. Há toda uma ética na estética de Glauber, uma repulsa À violência da opressão social, pela justiça social. Glauber estetiza o Sertão nordestino do Brasil, traduz para o cinema a linguagem do cordel, do Brasil do Sol, de beatos e cangaceiros, do Sertão x Mar, de Deus x Diabo, lavradores e latifundiários.
Não é possível ignorar a crítica social e conjuntural imanentes a este filme. O filme é herdeiro do cinema novo, gerado na década de 1950, da Revolução cultural da Bossa nova, do concretismo, das Artes, da Tropicália, e foi lançado no ano da contra-revolução, do golpe Militar de Abril de 1964, em meio à tensão social e da ditadura militar. Como já fora citado sobre o movimento que o gerou, o cinema novo, que rompe com uma estética hollywoodiana, de orçamentos caros, as referências são filmes como “O cangaceiro”, de Lira Barreto, 1953, que influenciam Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, o próprio Glauber, apoiados no cinema eiseinsteineano, na nouvelle vague, no neo-realismo italiano, contando com poucos recursos e pouco orçamento – uma câmera na mão, uma idéia na cabeça” para revolucionar as artes brasileiras, fazer a crítica da realidade social do país, o que parece ser retomado no último cinema brasileiro, com a mesma miséria cultural doutrora
O filme contém basicamente três partes, podendo ser esquematicamente desse modo compreendido como uma referência aos Canudos de Euclides da Cunha e ao Cangaço: O sol, o homem: a morte cotidiana de um vaqueiro Manuel (1a parte) a terra de Deus: Deus preto: beatos, padres, critica aos dogmas das “Igrejas” (2a parte); e a Luta: o diabo, Corisco: o cangaço (3a parte).
II: O homem da Terra do sol

O filme enfoca o Plano do Sertão nordestino um modo de produção para lá de rústico: a produção agrícola, artesanal e manual de milho, mandioca, de subsistência e de manufaturas.A questão fundiária ou agrária é o enfoque central do filme. Há cenas riquíssimas que indicam isto: o céu de poucas nuvens e o chão seco; Manuel olha para a rês morta no chão, SUA ESPOSA MOENDO O MILHO.
Todas as imagens mostram um Brasil subdesenvolvido, uma Colônia do Sul, dos impérios, a dependência da chuva, as condições climáticas, da exploração do latifúndio. Manuel é um personagem, o vaqueiro, que individualiza seus problemas, pensando que podem se resolver na esfera privada. Já sua esposa, rosa, traz o Marido Manuel de seus delírios para a realidade concreta, para a condição de explorados que são. Rosa parece encarnar a primeira pessoa, o narrador-Glauber, críticos das condições de vida dos proletários, lumpen e camponeses pobres, bem como de todos políticos sectários e utopistas de esquerda e direita.
Ha uma cena extremamente dialética a la eiseinstein, que expressa a luta de classes entre vaqueiros e latifundiários Moraes (o Senhor) passa a chicotear Manoel o vaqueiro (o Escravo, o trabalhador), devido este ter perdido doze cabeças de rês pelas condições climáticas, da seca do sertão. Há uma luta entre forte e fraco, e Glauber mostra a alienação do proletário, que é maioria na sociedade, tem as melhores armas, mas é persuadido pelo patrão (facão contra chicote). Nesta luta dialética À la Hegel entre o Senhor e o Escravo, o Escravo vence, mas é obrigado a fugir, para não ser preso. E foge para companhia do beato Deus negro Sebastião e seu reino e igreja invisível.

III A terra do céu

Nesta parte, observaremos uma crítica tanto a corrupção e o egoísmo da direita, ao poder burguês, bem como À incompetência da esquerda em transformar e apresentar projeto alternativo ao país. Sebastião, que é apresentado com as Magnitudes afetivas de Villa-Lobos, é a réplica do Conselheiro e Manuel do povo de canudos, que acha ter encontyrado a salvação no Monte Belo.
Rosa, Yoná Magalhães, que é a voz da conciêncoia glauberiana no filme, é a luta contra a alienação dogmática e a pregação religiosa. Sebastião é como Antônio conselheiro, um pregador “populista” que acreditou viver à marge da República e da Igreja Católica, realizando um discurso sobre o poder divino de que o sertão viraria mar e o mar viraria sertão, ou seja, transformaria as relações sociais do sErtão, transformaria a aridez em fertilidade, conseguindo levar consigo um séqüito de pobres, convencidos de que há um lugar, uma utopia, em que não há desigualdades de classe, contrário ao latifúndio, e que este local é o invisível, por que está “dentro das pessoas”. Nesta passagem encontra-se a crítica glauberiana às três posturas: às esquerdas dogmáticas, prepotentes; À direita individualista, egoísta (Gigante da Maldade, República e Imperialismo) e ao público alienado igualmente explorado, que não se reconhece com e como explorados e farrapos humanos. Glauber avisa que não há saídas fáceis, simplista e milagrosas. Suas lições são válidas e muito úteis para a conjuntura atual.
A cena da contradição da pregação moralista do Deus negro como Sacrifico produz mais uma claridade de Rosa, o Glauber no filme, para provar o dogmatismo do beato, em querer matar um inocente, enrola-lo e apunhala-lo ( a cena da cruz e da espada são emblemáticas). Manuel vai percebendo-se explorado, carregando pedras e realizar provas sacrifíciaos que não condizem com uma utopia de uma sociedade emancipadora. Rosa apunhala o beato para provar a Manuel que está no caminho errado, um Deus maligno, diabólico, que mata inocentes para seus objetivos e para convencer e arrastar consigo uma legião de anjos guerreiros. Assemelha-se à uma crítica de a todos totalitarismos, inclusive o de esquerda à la paredon, desumano e antihumanista.
Por fim, nova fuga de Manuel e rosa, desta vez com o massacre do povo de Sebastião, do Sebastianismo do Sertão que virá mar, opostos ao Sebastianismo português, que o povo espera voltar do mar à terra. O matador é Antônio das mortes, personagem que reaparecerá no filme “Dragão da Maldade contra o santo guerreiro”. O personagem, um capataz, que mata o povo santo cobrando caro, com medo do castigo divino. Antônio das Mortes é um capataz, um mercenário, lacaio do imperialismo, capitão do mato, encarregado pelos latifundiários a por fim na imaginária canudos e todos os pobres e bandidos cangaceiros do Sertão. No filme “Dragão da Maldade”, Antônio das mortes adquirirá consciÊncia de classe e perceberá como errou até então, servido ao latifúndio e ao Dragão da maldade do imperialismo, passando a lutar ao lado dos oprimidos.
IV A luta: batalha do diabo vingador

Por fim, aos moldes dos Sertões de Euclides da cunha, o homem, ou melhor, os homens, as classes lutam em guerrilhas, demonstrando a impossibilidade de saídas individuais para problemas coletivos. Nesta cena, o cego cantador leva Antônio das Mortes ao Diabo lorio Corisco. A curiosidade é que o Diabo, figura maldita pelos cristãos, aqui é apresentado como um bandido cangaceiro no sertão, branco, em oposição ao Deus-santo negro, Sebastião.Ao som do Cantor Sérgio Ricardo, autor da música do filme, lutam ambos, Antônio das Mortes e o cangaceiro Corisco, luta que termina com a morte deste.
Nova crítica de Glauber à políticas e políticos de esquerda e direita, que devem governar pensando no bem comum, e não na corrupção, a sua “cegueira lança todos ao covil das feras.a Direita, ignomínia, ignorante, egocêntrica, “cega”; a “esquerda” são cegos, pois não vem a saída, são etapistas como o PCB que aliou-se À burguesia nacional: sendo o inferno um local cheio de boas “intenções”, estes seriam “aliados, e não capachos na luta contra o dragão da maldade do imperialismo. Nesta última parte, Corisco, um diabo, faz as vezes de um beato que discursa contra o demônio do latifúndio e da pobreza, da ignorância do sertão: o Gigante da maldade, inimigo do povo, o imperialismo. O filme contém propriedades únicas sobre a revolução e a contra-revolução em curso, qualitativo, profundo, radical, sem ser panfletário. Após o assassinato do diabo Corisco e suas cabezas cortadas, a música propõe a dialética entre o sertão e o mar, Deuz e o diabo, e Manuel e Rosa correm em direção ao mar.

V Conclusão

Glauber Rocha encerra o filme deixando-nos sem respostas, interrompendo em um momento enigmático, colocando o problema a todos. Por que Manuel não voltou e acode Rosa, quando esta caiu? Por que o filme não termina com a chegada de Manuel e Rosa ao Litoral? Rocha prefere deixar as questões em aberto, reafirmando que não existem saídas fáceis para o Brasil, e criando um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos, filme que traz a história de literatura de cordel e um filme barroco, dualista, entre deus e o diabo, o Sertão e o Mar, em que reinam os vaqueiros, os cangaceiros, beatos e matadores.

Professor Celso Augusto Torrano (EE Profa Alice Velho Teixeira/CENEART)

Muito barulho por nada


O caso da estudante da Uniban, Geisy, de SBC, me fez pensar seriamente em deixar este estado. Tô pensando ir lá para a roça ou pro Nordeste pois penso que há mais pessoas evoluidas e com menos hipocrisia. Ao menos tem votado corretamente nas últimas eleições (e não tem nos ferrado como esse Kassamba, que, dentre outras coisas, acabou com a isenção de IPTU), e também curtem música boa. E eu quando eu andar pela rua, certamente não matarei ninguém, como diz uma revista numa banca de jornal dizendo-me "Quem cheira, mata!"

Pois não é este estado que mantém em sua capital a lei do psiu, que fecha bares a partir das 1h, a lei anti-boates, que andou fechando casas noturnas no ano passado, a lei anti-fumo, quem cheira, mata e toda a sorte de proibições. Agora também temos a TFP (Tradição, Família e Propriedade) para universitários, no caso de uma estudante vestir uma saia justa ou curta? Chegaram até a expulsá-la, depois, voltaram atrás.

E qual o problema? No meu tempo, todos achariam é bom, não fariam escândalo, muito menos a turba furiosa não se reuniria para linchá-la ou estuprá-la. Muito pelo contrário, ficariam apreciando, comendo quieto; se desse para ver a perseguida ou a priquita então, ai que ficariam mais quietos ainda, para poder desfrutar sem perder a graça da brincadeira. Esse mundo tá é ficando careta demais.

Consciente ou inconscientemente, acabaram dando alguns minutos de fama, ou quem sabe, até mais, pois ela pode sair na próxima revista pornô, Playboy, Sexy, Trip, ou quem sabe ser convidada para o próximo Big Brother?

E daí, quel é o problema? só se for o dela, pra mim é um colírio para meus olhos.

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