sábado, 9 de julho de 2011



Só 
tenho 
feição 
serena
tranquila 
apolínea
Por trás das 
aparência
Esconde-se 
um lobo
Animal selvagem
atrás 
da 
máscara
cândida
Uiva
Urra 
doido
de paixão
faz
seresta
pra lua
embaixo
da 
janela

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Falam sobre o amor
                              Cantam milhares de loas
Céus azuis e beleza
      Mas o que vejo e sinto é algo endiabrado
Próximo da morte e do sofrimento
     "The passion of lovers is for death" - said she
Sentimento de agonia
                                       Corroendo as entranhas
Tua ausência, tua falta
                                             Tua incompreensão
Teu desprezo
                             Uma dor profunda no coração
Dilacerante, sufoca
                                         Meu peito embriagado
Navegante andarilho vagabundo
                              errático, perdido, abandonado
Um cão sem dono e sem lar
                           Chutado na rua para todos lados
Como dói o abandono e 
                                O Sofrimento em que agonizo
Todos os dias ao levantar
                         Na solidão desta vida amaldiçoada
Não consigo te esquecer ou 
                                           tirar-te do pensamento
Insisto em continuar sonhando
                                                        O impossível
Chutando latas 
                                 às seis horas da manhã
na porta 
              da 
                    tua 
                          casa.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Desprezo, novamente (Le mêpris)

Hoje conferi pela terceira vez o filme "Le Mêpris", do cineasta e diretor Jean Luc-Godard. Nem de longe é o melhor, e o mais experimental, ou o que o diadoaquatro se pode dizer do que ele já fez com a linguagem cinematográfica, em tantos filmes, como Acossado, a Chinesa, Nouvelle Vague, Nossa Música, JLG, entre tantos outros.
Trata-se da adaptação do romance homônimo do italiano de Alberto Moravia, autor também de os Indiferentes, casado com Elsa Morante, e que a deixa pelo cineasta Luchino Visconti, que 

Na verdade, é bem chatinho mesmo, vale bastante a pena pelas cenas com a Brigitte Bardot do modo como ela veio ao mundo, perguntando ao marido, Paul Javal, se ele amava cada parte do seu corpo. Aliás tem outras coisas interessantes, o enredo é bem simples, o marido de Bardot no filme é convidado por um produtor para escrever o roteiro para o filme da Odisséia, de Homero, que será filmado na Ilha de Capri por um alemão, nada mais nada menos do que Fritz Lang, de Metropolis, M, entre outros filmes.

Enfim, acaba por se tornar metalinguístico, um filme sobre como fazer um filme, toda discussão sobre a produção no cinema, a interpretação, a versão, sobre um livro da antiguidade grega, e os problemas que isso traz: como realizar um filme sobre o mundo homérico no início dos anos 1960.

Toda a tensão se dá entre as pressões comerciais deste roteirista, que prefere dedicar-se ao teatro, ao invés do cinema, mas se vê obrigado pelas pressões, pela mulher, necessidade de comprar apartamento entre outras coisas.

Acaba se tornando monótono em um bocado de momentos, em que "discutem relação", se o marido, Paul, a usava e a colocou na cama do Produtor, e há uma sutil analogia ou mesmo um questionamento sobre a fidelidade ou infidelidade de Ulisses e Penélope, sobre os motivos que o levaram a guerra de Tróia, se ele o amava, se ela o amava e se o traia, entre outras alusões, e principalmente, sobre o desprezo, o momento em que um casamento se acaba, o asco e a ruptura, com o consequente desenlace trágico do filme.

Enfim, veio bem à ocasião,  lembrei dele após escrever o Desprezo, e fui rever a minha fita de video K7.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Conferindo duas pérolas que baixei recentemente





Disponibilizo aqui duas preciosidades, de duas bandas do final dos 1960 diferentes, que pude conferir recentemente, e que estavam no mesmo disco, no caso, as versões covers, que entraram no primeiro disco do Black Sabbath, o homônimo da banda homônima.

Disponibilizo os vídeos de Evil Woman (Don´t play your games with me) da banda Crow, muito interessante, com metais, e a outra, "Warning" do the Ansley Dunbar Project, o qual conhecia apenas através de outros grandes grupos pelo qual o batera passou.

O Aynsley Dunbar primeiro, pelo qual o  conheci, foi o Whitesnake, depois o Zappa, através de uma daquelas fichas que vinham nas revistas Bizz, que contavam uma minibiografia e continham a discografia, toda as bandas pelas quais passara. Essa ficha eu guardo até hoje.

Vale a pena conferir essas belezas no original, e claro, as versões gravadas pelo quarteto de Birmighan. Confiram, curtam e digam o que pensam!



Frio de Julho

Aprendi a seguir em frente
Neste frio de Julho
Sequei todas as esperanças
O coração mais gelado
Pelo frio de Julho
Voltei a ser ermitão
A andar mais na minha
A ser mais reservado
Não abrir ou me expor
Nesse mundo frio e calculista
Sou seco, sarcástico e direto.

domingo, 3 de julho de 2011

Alimento da alma


Tenho fugido de supermercados cheios, só vou em horários na madrugada. Talvez vocês pensem que eu seja um bocado misantropo, antissocial, mas na verdade não é nada disso: só não aguento esbarrar a multidão ensandecida saciando seus impulsos de consumo, quando apenas quero comprar o básico para minha sobrevivência. Eu não preciso de muito, só um pouco pra seguir em frente.

Ainda mais que alguns vetos tem sido colocado, como uma lei seca e um policiamento subliminar sobre a venda de bebidas (alcoólicas, lógico, as demais não tem graça), tem ficado mais chato ainda ir ao supermercado.

Tenho notado que  duas redes de supermercado não tem aceitado o meu cartão alimentação pra essa finalidade. Pombas, eu olho com uma cara para o cobrador do caixa, será que vou ter de explicar que isso também é alimento, mas um alimento de um tipo diferente: alimento da alma?

Já tentei passar em uma delas um Domecão, o litrão de Domecq, que nesse frio vai muito bem, mas fui advertido pelo cobrador do caixa e tive que pagar a parte. Em outra dessas redes, foram até simples latinhas de brejas. Coisa que há pouco tempo atrás não acontecia. A coisa tá regredindo, retrocedendo. Ainda por cima, tem um deles recebendo apoio do BNDES para fazer fusão com o grupo francês. Dindim público nessa parada. Pode ser que até mele a coisa, vamos conferir.

Por isso, tenho preferido comprar em redes menores, mais populares e menores, pois nessas não tenho encontrado resistência. Afinal, o peão, o trabalhador, seja qual ele for e seja qual ofício exercer, também tem o direito de sonhar e de poetizar, e tornar a existência um pouco mais suportável com a cachaça na cesta básica.

Pra isso, precisa de combustível para o sonho, e ele não pode ser proibido.

O Desprezo

O desprezo é a picada fatal-final


Tem o poder de mil escorpiões


Envenena o coração e até a alma


O Outro nem era o maior problema


nem os afagos e as carícias compradas

encenação farsesca para fabricar ciúmes 


O coração calejado e escolado na vida


Sabe aonde entrou e queria permanecer


O que dói mais é o desprezo e a indiferença


Torna você desumana, robótica


Ignorar machuca a alma, torna-nos coisas


Quando se quer ver o ser amado


E esta fica inventando desculpas enroladas


Talvez o amor seja algo mais terrível 

Tenebrosa tempestade de paixões


Experiencia-se na vida


Não um dia claro ou um céu anil


Um frenesi, uma loucura 


O leva à licantropia


A uivar pela noite


Fere como uma punhalada nas costas


corta e dilacera - navalha no coração


Pinga por cima a última gota de fel


Insensível, fria e calculista


Enche o peito até a tampa 


de tristeza e mágoa




*




Bastaria apenas cumprimentá-lo


Ele sempre apostou todas as fichas em você


Velou por ti na tua ausência


Rezou orações à sua maneira 


Manteve a fé inabalável em você


Esperando pelo seu retorno


Não basta dizer eu te amo

da boca para fora


Apenas as atitudes


Só as ações


Dizem por si mesmas


Os gestos, carícias, afagos, beijos e

o carinho do amor 


Demonstram e dizem por si próprios


 a intensidade e o calor da paixão


Falam mais do que milhões de palavras


Sua atitude jogou-o em torpor 


Num sono mortífero


Da decepção e da depressão, 


como se tivesse fumado ópio


Uma navalha na carne e na cinta liga


A eterna cobrança 


para sair do sonho para a realidade


A cobrança por coisas imediatas


Você mesma não conseguiria cumprir


"O mundo é um moinho, 


vai triturar seus sonhos tão mesquinhos


vai reduzir as ilusões à pó"


O amor e a felicidade são coisas maiores


Queres mudar a vida sem mudar de vida


Deixando-o sem ar e fôlego em uma July Morning


triste, o choro reprimido na garganta


ouvindo Billie Holiday


tomando cachaça ou conhaque 


pelos butecos


Pensando em ligar o gás


Deu-lhe o pior dos venenos


Ignorou-o, desprezou-o


Dilaceraste o coração de quem a ama


Com a mas gélida postura


Tornou-o o ser mais desprezível


reduziu-o a pó


como um verme rastejante


pisaste em cima do seu coração


Não mendigará pelo seu amor


Nem fortalecerá sua vontade de poder


de dominação e controle


sobre ele


com sua ética farisaica
*




Brincou com os sentimentos mais puros


nobres e verdadeiros


Colocaste a faca no pescoço


Mas jamais passou pela sua cabeça

em mudar de vida


Ao estabelecer uma vida em comum


quando sentiu a faca apontada contra o seu


Você já fez sua escolha apenas com a atitude


Basta para quem tem finesse e estilo


E saca das coisas no relampejar do momento


Ignorou a presença dele, nem ao menos o cumprimentou


Essa dor no peito foi a mais forte ferida


Decepção com a pisada na bola


Trataste-o como o apêndice


Cortado a bisturi


Descartável  como seu 


absorvente usado


Lançando-o  para 


fora


do seu


coração.

Dois poemas de amor da Alma beat, outro de Charles Bukowski e um poema/canção/oração amorosa de Leonard Cohen


Canção

O peso do mundo
          é o amor. Sob o fardo
        da solidão, sob o fardo       
da insatisfação
       o peso o peso que carregamos
         é o amor.
Quem poderia negá-lo?
           Em sonhos nos toca
       o corpo, em pensamentos
         constrói um milagre,
          na imaginação aflige-se
          até tornar-se humano - sai para fora do coração          
ardendo de pureza - pois o fardo da vida
           é o amor, mas nós carregamos o peso
            cansados e assim temos que descansar nos braços do amor
           finalmente temos que descansar nos braços
            do amor. Nenhum descanso
         sem amor, nenhum sono
         sem sonhos de amor -
            quer esteja eu louco ou frio, obcecado por anjos
            ou por máquinas, o último desejo
           é o amor - não pode ser amargo
          não pode ser negado não pode ser contido
            quando negado: o peso é demasiado
           - deve dar-se sem nada de volta
          assim como o pensamento é dado
          na solidão em toda a excelência
          do seu excesso. Os corpos quentes
           brilham juntos na escuridão,
           a mão se move para o centro
         da carne, a pele treme
           na felicidade e a alma sobe
          feliz até o olho - sim, sim,
            é isso que eu queria,
           eu sempre quis, eu sempre quis
          voltar ao corpo 
         em que nasci.


Allen Ginsberg




Dove sta amore


Dove sta amore
Where lies love
Dove sta amore
Here lies love
The ring dove love
In lyrical delight
Hear love's hillsong
Love's true willsong
Love's low plainsong
Too sweet painsong
In passages of night
Dove sta amore
Here lies love
The ring dove love
Dove sta amore
Here lies love

Tradução (Ascher/Leminski):

Dove sta amore
Onde jaz onde
Dove sta amore
Aqui jaz onde
O anel onda onde
Lírico é o deleite
Ouça o monte canta
Onde o amor amansa
Onde a voz descansa
Doce dor que dança
Em noites a passar
Dove sta amore
Aqui jaz onde
O anel onda onde
Dove sta amore
Aqui jaz o amor

Tradução (Eduardo Bueno/Leonardo Fróes)

Dove sta amore
Donde está o amor
Aqui jaz o amor 
Amora jazz amor
Num lírico encanto
Cantos de amor da serra
Canto que em si se encerra
Cantos de dor sincera
À noite pelos cantos
Dove sta amore
Aqui jaz o amor
Amora jazz amor
Dove sta amore
Aqui jaz o amor



Lawrence Ferllinghetti



Um Poema de Amor

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orlhas e 
gargantas e vestidos
e sapatos e 
automóveis e ex-
maridos

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

(...)

Charles Bukowski

i

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