quarta-feira, 16 de junho de 2010

Guentei umas do mexicano Vàzquez pra dizer aos artistas desinteressados, metafísicos e idealistas: sou marxiano, filho de Marte até a medula!

Assim se pode explicar que a produção capitalista seja hostil a certas produções de tipo artístico, tais como a arte e a poesia.
Karl MARX, Teorias da Mais-valia

"O escritor deve, naturalmente ganhar dinheiro para poder escrever e viver, mas não deve, em nenhum caso, viver e escrever para ganhar dinheiro"
Karl MARX. Sobre a liberdade de imprensa.

"Numa sociedade baseada no poder do dinheiro, numa sociedade onde as massas trabalhadoras estão na miséria e onde um punhado de ricaços vive parasitariamente, não pode haver ´liberdade´real e verdadeira... Viver numa sociedade e não depender dela é impossível. A liberdade do escritor burguês, do pintor, da atriz, é tão-somente uma dependência mascarada (ou que se tenta hipocritamente mascarar) da carteira do dinheiro, dosuborno, uma forma de prostituição" V.I. LENIN

"As prostitutas do universo se dão melhor (do que os escritores)" diálogo de Henri Chinaski


O trabalho, portanto, não é apenas criação de objetos úteis que satisfazem determinada humana, mas também o ato de objetivação e plasmação de finalidades, ideias ou sentimentos humanos num objeto material, concreto-sensível. Nesta capacidade do homem de materializar suas ´forças essenciais´, de produzir objetos materiais que expressam sua essência, reside a possibilidade de criar objetos, como as obras de arte, que elevam a um grau superior a capacidade de expressão e afirmação do homem explicitada já nos objetos de trabalho.
Arte e trabalho se assemelham, pois, mediante sua comum ligação com a essência humana; isto é, por ser a atividade criadora mediante a qual o homem produz objetos que o expressam, que falam dele e por ele.

A arte, como o trabalho, é criação de uma realidade na qual se plasmam finalidades humanas, mas nesta nova realidade domina sobretudo sua utilidade espiritual, isto é, sua capacidade de expressar o ser humano em toda sua plenitude, sem as limitações do produto do trabalho. A utilidade da obra artística depende de sua capacidade de satisfazer não uma necessidade material determinada, mas a necessidade geral que o homem sente em humanizar tudo quanto toca, afirmar sua essencia e de se reconhecer no mundo objetivo criado por ele. Vemos pois, que o trabalho e a arte não se diferenciam, como pensava Kant, pelo fato de ser o primeiro uma atividade interessada e a segunda uma atividade gratuita, ou porque o trabalho busque uma utilidade e a arte o puro prazer ou jogo.

Se nos ativermos ao espírito desta tese do desenvolvimento irregular da arte e da sociedade, o futuro da arte numa sociedade dada jamais está traçado de antemão. É certo que uma formação social superior, como a socialista, abre imensas possibilidades à criação artística, até o extremo de podermos afirmar - por analogia com outra tese de Marx: a da hostilidade do capitalismo à arte - que o socialismo é, em princípio, favorável à arte. Mas assim como o capitalismo, sendo hostil à arte, pode conhecer - e conheceu efetivamente - grandes criações artísticas, tampouco o socialismo garante por si só uma arte superior à criada sob o capitalismo.

A contradição entre arte e capitalismo não se coloca com relação a uma arte que contradiga ideologicamente a ideologia dominante, mas com a arte enquanto tal. (...) Aparece com o império da produção capitalista, quando a vida se despersonaliza e se coisifica; o artista, então, ainda sem ter consciência do verdadeiro caráter das relações capitalistas, deixa de solidarizar-se com elas. (...) O artista tem de travar uma dupla batalha; por um lado, nega-se a exaltar uma realidade inumana e, para isso, busca caminhos artísticos diversos; por outro, resiste a que sua obra deixe de corresponder a uma necessidade interior de criação para satisfazer, primariamente, à necessidade exterior imposta pela lei que domina no mercado artístico. Sem compreender ou descobrir o mecanismo da contradição entre criação e capitalismo, revelado por Marx, o artista travou nos tempos modernos uma dura batalha, que conta também com seus heróis: Van Gogh, Modigliani etc. E foram heróis precisamente por não abandonarem um afã insubordinável de satisfazer suas necessidades interiores de criação, num mundo regido pela lei da produção capitalista.

A analogia entre arte e trabalho não pode levar, todavia, à sua mútua identificação. ainda sendo livre, o trabalho satisfaz uma necessidade humana material, determinada, que se expressa no valor de uso do produto. A arte, ao invés, satisfaz sobretudo uma necessidade geral humana de expressão e afirmação.

O capitalista empenha-se por tratar a arte como trabalho assalariado, ignorando o que ela possui de expressão e de objetivação das forças essenciais do homem.

O trabalho artístico é um trabalho concreto e, como tal, produz um valor de uso: satisfaz uma necessidade humana (de expressão, afirmação e comunicação através da forma dada a um conteúdo e uma matéria num objeto concreto-sensível).

Todavia, o fundamento objetivo da concentração do poder criador artístico em indivíduos excepcionalmente dotados é o mesmo que provoca a ausência de talento criador em grandes setores da população trabalhadora, na medida em que este fundamento aliena e coisifica sua existência. Portanto, os frutos trazidos pela concentração do talento em indivíduos excepcionais tem como contrapartida - sobretudo na sociedade capitalista - o esmagamento das aptidões criadoras de milhões de indivíduos.
A hostilidade do capitalismo à arte que, como vimos, se manifesta tanto no plano de sua criação, quanto no de seu gozo ou consumo, expressa-se igualmente na divisão de trabalho artístico que conduz à concentração do talento criador em certos indivíduos, à separação entre o artista e a sociedade. Tão somente quando o indivíduo vir na comunidade não um limite, mas a condição necessária de seu desenvolvimento, bem como quando desaparecer o dilaceramento interior do homem concreto e real, a arte deixará de ser uma esfera exclusiva e privilegiada. Isto sucederá, segundo Marx, com uma mudança radical da sociedade: com o comunismo. Desaparecerá então a divisão entre arte profissional e arte popular; a necessidade verdadeiramente humana de criar e gozar os frutos da atividade artística não será sentida apenas por um setor privilegiado da sociedade, mas se converterá numa necessidade comum, uinversal. Precisamente porque o homem, por essencia, é um ser criador e porque esta sociedade o recolocará na posse de sua natureza criadora, a atividade artística converter-se-á numa necessidade humana cada vez mais vital. Naturalmente, esta capacidade criadora apresentar-se-á com diferentes intensidades e com resultados diversos, de distinta qualidade, nos diferentes individuos, mas se manifestará em todos, em maior ou menor grau, pois o próprio trabalho, ao deixar de ser totalmente um trabalho alienado e ao converter-se numa atividade humana criadora, já levará em seu seio um princípio estético como ´criação de acordo com as leis da beleza´, principio que se plasmará na arte em um nivel superior.
Portanto, não se trata de que todos os homens sejam, na sociedade comunista, criadores excepcionalmente dotados, mas de que todo individuo, enquanto ser criador, seja -em maior ou menor grau - um artista.

ADOLFO SÁNCHEZ VÁZQUEZ, As ideias estéticas de Marx

Divulgação de um evento sobre a Obscena Senhora HH

Mais um caldo, please




Ontem eu fui até a Liberdade à noite. Minha neguinha poty  pediu que eu fosse entregar umas provas que ela corrigiu lá na FMU. Eu faço tudo por ela, sem corpo mole. Fui de metrô, foi bem rápido. Cheguei na Secretaria, deixei o pacote pra uma mulher que deu um visto e arredei pé pra trás. No caminho, como houve jogo da seleção, eu vi os mais diferentes tipinhos, verdadeiros bobos da corte, com aqueles chapéus de palhaço verde-e-amarelo com bolas nas pontas, e mesmo sendo mais de oitimeia da noite os caras tocavam aquela trombeta, enquanto ficavam pelos bares da Avenida os adultos infantilizados após a copa. Lembrei-me como era melhor aquela avenida mais acima, quando chegávamos ao Cultural e ouvíamos uns blues na terça. Depois o povo enchia a calçada do Chicão, e as idéias, as pessoas rolavam com a maior intensidade das coisas. Bom, depois de passar por aqueles tremendos abestalhados, fiz questão de ir para casa, dar um tempo pra buscar meu bem. O caldo de madioquinha com alho poró que ela faz é divino, insuperável, ainda mais se eu acrescento aquele alho torrado e queijo ralado, não há melhor coisa no mundo pra esquentar o bucho numa noite fria de junho.

Filosofia de c... é r...

Aos escritores de ofício e de plantão, é válido afirmar que ironia e sarcasmo são sinônimos, segundo o Aurélio e o Houaiss, além de ambas serem sinônimo de zombaria. Isso só considerando a etimologia da fina flor do lácio, a última, inculta e bela. E pra quem trabalha com esta puta chamada palavra, não saber lidar com os sinônimos é o mesmo que uma meretriz que não sabe seu ofício, faz apenas o beabá, aquele feijão-com-arroz com sua língua. Ou se sabe, ou não se sabe algo: só se adquire a sapiência com a experiência, tempo e exercício-estudo. Escritores amadores ou senso comum para com as palavras, tá fora.
Sem contar o peso que essas palavras tem na própria história, aliás, até no próprio conceito do sarcástico implacável com seus interpeladores, Sócrates, o pederasta mor. No entanto, um boiola não é um macho, nem um macho um boiola. A não ser que o macho tenha suas dúvidas e crises de identidade e precisa provar algo pra si próprio ou pra alguém, daí a baitolagem aumenta. Talvez seja a entonação ou o uso que se faz no contexto de seu grupelho, de uma ou de outra, em cada situação, mas daí, é excesso de preciosismo demais achar que as suas opções linguísticas ou do seu grupelho são revolucionáiras e se imporão ao vernáculo é filosofia de c... demais; e filosofia de c...  é r... na certa o que ele procura.

*

Escrevo isto para nã fazer coro com a homofobia ou a idiotice organizada em forma de fascismo. Não discrimino ninguém peça sua orientação sexual, aliás, consigo ver a essência da arte que produziram muitos homossexuais, escritores, músicos, diretores de cinema, o que nos aproxima de tudo e a todos é em essência a boa música, bons discos, bons livros, boa comida e boa bebida. Isso que Caça às bruxas, inquisição ou santo ofício, enfim, intolerâncias, precionceitos e obscurantismos medievais não são coisas com que me dou bem, aliás, elas eventualmente podem voltar-se contra minha pessoa também.

Por exemplo, eu admiro demais o Oscar Wilde, um cara que foi preso no século XIX apenas por declarar que era homossexual, criticando os autoritários que tiranizam em A alma do homem sob o socialismo. Também admiro o São Genet, Pasolini, Ginsberg, Bowie e Mick Jagger, Freddie Mercury, e por aí vai a lista. E isso não quer dizer que eu goste menos da minha nega ou que tenha debandado de lado por admirar e gostar de artistas homoafetivos ou mesmo apoiar sua luta contra o preconceito. Há grandes caras que conheço, professores, grandes amigos, que são muito politizados, cultos, e pra minha pessoa a orientação do cara não significa nada, o cara é normal e igual em direitos a qualquer pessoa que pisa nessa terra. Quando superarmos esta mesquinharia e esse espírito  tacanho e provinciano, chauvinista com uma face moderninha-que-faz-gracinha-pra-se-aparecer, talvez seremos humanos melhores.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Render-se jamais


O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezastes esta lei de Augusto Comte
E fostes ser feliz longe de mim
Estou mandando às favas este ufanismo e falso patriotismo que se manifesta apenas em tempos de copa, em tempo em que a nação veste-se de canarinho, pinta o chão, pendura fitinhas verde-amarelas e sai às ruas com bandeirolas nos carros e aquelas corneta chatas e bubuzelas (vuvuzelas) soprando nos meus ouvidos. Não sou desaculturado, até gosto de futebol, jogava bem no gol e na linha quando moleque, disputava até uns campeonatinhos que armávamos no interior em Julho, já fui no museu, no Pacaembú, mas esta babaquice toda está enchendo o meu saco.
Eu estou na boa em casa, lendo algumas pesquisas dos estudantes, escutando uns baita sons (o último do UFO, uma coletânea do Brian Johnson, o primeiro do Barão com Frejat nos vocais, Bang!) Uli John Roth e Soft Machine), que continuo garimpando nos blogs  rockers e bluseiros, lendo as pesquisas que passei para os estudantes. Isso não prova que sou mais ou menos filho da mátria, pois os demais são tudo filho da p... Quando o pau come, o cerco aperta na briga de rua, só vejo bunda mole arregando da briga,  só pensando no próprio umbigo e tirando o seu da reta. Apóio a campanha do Jards Macalé pra colocar o Amor, um dos lemas do positivismo que ficou de fora da bandeira do Brasil.
Já fiz a reposição de quase vinte dias dos trinta da greve. Ganhei uma cesta básica do sindicato como prêmio de consolação, agora posso comer meu angú de caroço que farei com o fubá, comer goiabada, uma vez que a grana já foi pro saco no meio do mês. Pra aquele que briga e mata um leão duas vezes por um dia e ainda terá que repor aulas dos jogos que cairem em dias de semana nas próximas etapas, ser obrigado a ver um bando de marmanjos ganhando centenas de milhares só pra ficar correndo atrás de uma pelota oval chamada Jabulani é um negócio que torce as bolas. Não fazem mais do que a obrigação, e ainda dão vexame.

 Olha eu ai, cabeça raspada, numa das sacadas do Museu do Futebol, no Pacaembú (Janeiro 2010)
Um acontecimento vivido é finito, ou pelo menos encerrado na esfera do vivido, ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites, porque é apenas uma chave para tudo que veio antes e depois. Walter Benjamin


O homem só será livre quando o último déspota for enforcado com as entranhas do último padre
Denis Diderot

domingo, 13 de junho de 2010

Carne enlatada no dia dos namorados

Ontem fomos ao Bixiga, havia uma peça do Brecht em cartaz, cujos convites fui retirar no Sindicato. É sempre bom ver um Brecht em um contexto de crise, ainda mais que a peça era Santa Joana dos matadouros. Brecht não cai no maniqueísmo ralé como alguns pensam, ele consegue atingir aquele distanciamento crítico, para além de operários açougueiros bonzinhos e acionistas da bolsa de carne malvados, além dos religiosos do exército da salvação que ficam pelegando no meio com seus chapéus pretos. Depois passamos num bar antigo lá pelo bixiga, mandamos ver umas cervas escuras, uma massa e fomos embora pro conforto e o calor dos cobertores. Logo cedo, eu li para ela uma novela do Decamerão de Bocaccio, sobre um cara que se passou por paralítico para chegar mais perto do cadáver de um homem santo. Rimos um bocado. O Decamerão, As mil e uma noites e o 120 dias de sodoma têm sido os livros de cabeceira desde sempre, e não apenas nesta semana de dia dos namorados. Eventualmente surgem outros.


Tá um friozinho que dá uma preguiça de começar a fazer as coisas neste dia. Perdi a companhia do meu bem logo cedo, ela foi trabalhar em pleno domingo, enquanto fico numas de tocar as coisas de modo solitário. A sua companhia é sempre muito boa, no frio, ainda mais, para esquentar e ser meu cobertor de orelhas e do corpo inteiro. Para escrever, na solidão, tudo pode fluir melhor, para eu escrever, embora eu tenha que ler um bocado de pesquisas que pedi aos estudantes, mas não são muitas, coisa que darei conta logo, e farei meu próprio rango na boa, sem stress de ficar aperreado fazendo o almoço na correria. Vou escutando um Zeppelin, o volume 4 ou um Chicago, além de uma pá de coisas que baixei, uns Free que eu não tenho em vinil, Bad Company ao vivo, BB King, Alberto Collins, Buddy Guy e Freddy King e a coisa vai ficando melhor, as ideias vão fluindo e se desentrevando neste dia frio paulistano.

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Desenhista do bar e restaurante Salada Record

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