terça-feira, 28 de dezembro de 2010

É tempo de festas

É tempo de festas, todos se reúnem
Fingem-se de santos, estão mais espirituosos
mas cometem os mesmos pequenos
delitos do cotidiano de sempre
A família se reúne para a ceia de natal
arrotando o perú azedo e assistindo
os mesmos programas de sempre na TV
e negam um prato a uma criança pobre na rua
Confraternizam, mas rolam soltas as fofocas
as intrigas comezinhas e mesquinhas
O patrão e o banqueiro sonegando impostos
prejudicando a saúde e educação públicas
são os primeiros a resmungar a carga tributária
O papa berra contra o aborto, a homossexualidade
em nome da sagrada e a santificada moral
mas fecha os olhos para a pedofilia na igreja
O sujeito que reclama da corrupção no país
vai logo subornando o guarda no trânsito
em qualquer infração cometida
Todo grande moralista é um verdadeiro filhadaputa cínico
Os imoralistas na verdade é que são santos malditos
pois fazem o que fazem sem disfarçar
nem posam de virgens santas e puras num inferninho
Ao menos sabemos o que são e o que fazem
não usam disfarces de santos do pau oco

domingo, 26 de dezembro de 2010

espírito natalino, papai noel e JC de carne e osso

Sou um agnóstico secular,  tenho meus pés atrás quanto à metafísica e religião, desconfio nos do consumismo frenético ianque que transformou o velho batuta num velhote sacana que só beneficia os ricos e cospe nos pobres no natal, que é o nascimento, a geração, a vida nova.
Mas também procuro entender as coisas, as tradições, com menos chavões, mais consciência. A preocupação com o nascimento se demonstra em milenares pinheirinhos, árvores de natal, uma tradição profunda, preocupada com este nascimento que vai além da simples identificação do consumismo, de indigenas que presenteavam as crianças, como um rito de passagem e de iniciação, que demonstravam as regras e costumes sociais, segundo o pensamento e alma selvagens. Pensamento que ajuda compreender o nosso próprio e a tradição ocidental, como estudou o velhinho que este entre os tristes trópicos, Levi-Strauss, que a partir da queima do boneco da santa claus em Dijon 1951, escreveu O suplício do papai noel, a partir do seu método de antropologia estrutural. Ele chegou a uma tradição pagã, rural e agrária, seja ela germânica ou nórdica, ou mesmo  identificada com as saturnais romanas, que ocorriam entre 17 e 24 de dezembro. Eis que portanto, o papai noel é mais uma crença dos adultos, uma necessidade de acreditar nas crianças. Pouco tem a haver com o ícone atual representante ocidental da sociedade de consumo, um dos ícones do capitalismo que se transformou.


Fizemos uma comemoração do aniversário de JC para os íntimos no apê do meu cunhado cordelista fernando na Marques de Paranaguá com a Augusta lá embaixo no centro. JC foi o santo maluco, mor pois os malucos são santos que sangram, passam por tentações e provações e pelo seu próprio calvário. Nada de idealizações metafísicas estúpidas, ele foi de carne e osso, sangrava, fedia, suava. Nasceu pobre numa manjedoura. Ele pode ser identificado muito mais com um motoqueiro nas estradas, um Che guevara dos acostamentos, revolucionário desafiando o império, como pintaram o Sá, rodrix e guarabyra, do que um santo chato e careta enfurnado em uma igreja sacaneando os pobres. JC esteve entre nós cantando músicas conosco na roda e cantando poemas enquanto Também estavam presentes iansã, iemanjá e todos os orixás da umbanda, dançando e cantando e declamando poesias, pois são corpóreos e naturais e dançam. Desconfie de todo deus velho e rabugento que não dança, já nos alertava Nietzsche.
Eis que foram lidos poemas, tocado violão, percussão, tomamos uma seleta que estava uma delícia, a cerveja congelou, pra fazer as vezes com a pinga, alguns ainda tomavam vinho ou uísque. E dá-lhe cantoria , muita música brasileira, nordestina, samba, e um pouco de tudo, poetagem até cinco e quinze da manhã. Depois demos ainda uma volta pelo Bixiga, pois ali estávamos perto, e fomos pra casa dormir seis da manhã.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sessão vespertina


Assisti dois filmes muito bons do espanhol Carlos Saura, entre ontem e hoje. O Carlos Saura é daquela geração mais antiga dos cineastas e artistas espanhóis, como Buñuel, Lorca, Dali, mas um pouco posterior, mas marcado como todos pela Guerra Civil Espanhola. No primeiro filme, mamãe faz cem anos, é uma daquelas matriarcas espanholas bem debochadas, uma comédia, uma mãe que tem alguns ataques epiléticos, precisa tomar remédio, com três filhos gananciosos, que querem apenas suas terras e seu casarão, netas ninfomaníacas que atacam o tio, e um nora em quem ela confia para que a salve das garras dos próprios filhos.
O segundo, Elisa Vida mia, é um pouco cansativo, mas se você tiver paciência, aborda a vida do pai de Elisa, Dom Luís, um escritor que vive há tempos solitário no campo. Certa vez, duas de suas filhas vão visitá-lo, uma delas, representada pela Chaplin, fica para pensar um pouco na vida, já que acabara um casamento de sete anos. O velho pai conta a história bem estranha de uma mulher de vestido branco que fora assassinada na estrada, cujo suposto assassino, um homem de chapeú que esconde a face, todo ano volta de bicicleta para limpar a pedra branca e colocar flores. O bom é que o pai é um escritor, e não se acha mais importante por isso do que alguém que varre a rua, e a sua filha lê trechos, até contribui com pensamentos para a obra do pai, tem sonhos com crânios ensanguentados dos carneiros do campo. Um tanto surreal e mórbido.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sonho maluco

Essa noite eu desmaiei no sono e tive um sonho (seria um pesadelo?) muito louco. Sonhei que eu estava fugido, era um perseguido político, o motivo eu não sei bem qual, mas haviam vários homens da lei atrá da minha pessoa.
Eu lembro que eu estava na casa do meu falecido avô no interior paulista, mais precisamente em Casa Branca, e eu tinha de ficar escondido, saia só pelos matos, escondendo-me atrás das moitas, dando tiros (que na verdade, pareciam aqueles elásticos que serviam como projéteis, com os quais atirávamos papéis na escola, só que com zarabatanas ou algo parecido).
Em certo momento, eles quase me pegavam, eu sai na carreira, e entrei na igreja matriz, escondendo-me atrás de uma janela. Eu sei que eles entraram me perseguindo, abrindo a janela na qual eu estava atrás, e foram perguntando na missa, pois a igreja estava cheia. Eu consegui sair de mansinho, de fininha, com minha mochila nas costas, rumo ao desterro.
Acordei hoje cedo bem aliviado, em saber que tudo era um sonho ou pesadelo, mas resolvi escrever e desenvolver um pouco esta história.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

São Paulo alagada

Foi só falar de problemas com a repressão que começou a aparecer outros podres mais sérios. Tô falando das chuvas e enchentes em São Paulo. Está uma tragédia a situação, buracos no chão, enxurradas, matando o povo nessa cidade, enquanto este bundão do patolino fica por cima da carne seca. Cada povo tem o governo que merece, mas a maioria não está merecendo pagar pelas escolhas erradas ou omissões dos outros.E nós temos uma classe mérdia de merda, herdeira  e órfão do adhemarismo, (morto, mas  vivo ) malufista (vivo ainda), quercista (vivo ainda), que agora deposita suas esperanças no  que mostra muito bem a que veio com seu preconceito generalizado contra nordestino, travecos, lésbicas e por aí vai. Eita povinho provinciano que se diz a vanguarda. Só se for a vanguarda do atraso.
Ontem sai de casa muito cedo, fazer uns exames do outro lado da cidade, no Parque São Lucas, depois da Vila Prudente, na Zona Leste quase perto de São Caetano, Santo André. Madruguei mesmo, peguei o metrô, descobri que ele só vai até o Sacomã, nas duas outras estações, só depois da oitoemeia. Sendo Assim, peguei o furafila chamado agora expresso tiradentes, desci no ponto do Clube Atlético Ypiranga, peguei outro buso voltando pra Vila Prudente, desci perto duma pracinha bem provinciana, umas casas antigas, e peguei ainda outro buso pra descer na Avenida Oratório, passando antes pela Zelina. Na policlinica Dom Bosco, cheguei caminhando pela Rua Francisco Bicalho, um passarinho carimbou minha mão peguei papel e limpei. Fizeram tudo legal, estou com audição legal, cordas vocais, laringe tudo em cima. Pra voltar, dei sorte de pegar no mesmo bilhete único o busão pra vergueiro, uma volta e tanto.
E hoje ainda tive de ir cedinho até o Borba Gato na Santo Amaro, o coração tá firmeza, também. Tudo exames com convenios do hospital do servidor público estadual. Eu dei uma sorte danada, pois também consegui ir e voltar numa passagem só, descer no Largo da Batata, já que tava com medo por conta da demora não conseguir e ter de enrolar o cobrador. Eu vi todo o resultado e algumas marcas da chuva na rua, o lixo na rua, em alguns pontos do caminho.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Libertem todos prisioneiros políticos!


Até que enfim vi alguma coisa de alguns daqueles que se queixam ou tecem lamúrias, levantar a bunda pra fazer alguma coisa. Principalmente os que falam contra passeatas, mas que quando o bicho pega, e a água já afogou, esboçam alguma reação. Mesmo quando o poste já está atolado na bunda, nunca é tarde para brigar, pois a luta não começou anteontem, nem ontem, muito menos hoje. E a luta é algo permanente, para todos os movimentos sociais, e sempre prezamos pela autonomia, independência e luta destes frente ao estado, partido, embora são sempre os de esquerda que estão no meio, e não vejo nenhum problema nisso, pois este debate já está superado faz tempo pra quem já está calejado e escolado no assunto.
Estou falando da concentração e passeata no MASP que participei hoje ao meio dia, dos artistas de rua, circenses, músicos e outros. Foi bacana, não precisa esperar ter milhares, haviam centenas, mas a coisa é assim mesmo, a balaiada, farroupilhas, praiera, canudos, foram feitas com centenas. Fizemos uma passeata até a Augusta, depois voltamos para o MASP, parando em alguns locais, tocando, cantando, algumas faixas, os instrumentos, alguns andando em perna de pau, algumas palavras de ordem: "Kassab é contra a democracia e a liberdade de expressão" depois foi feita uma ciranda no vão do MASP, lido um manifesto, os músicos de metais tocaram, o guitarrista Rafael tocou, e daí fui embora. Muita gurizada, classe média, alguns lumpens de fato (pois alguns artistas são "lumpen" por opção, enão por origem de classe), uns pitelzinhos bem novinhos, que acho que nunca participaram de uma luta qualquer, o que é importante, pois cria consciência de classe, o que só ocorre participando da luta.
Espero não ter de ler tanta bobagem como eu li que alguns artistas se considerem como indigentes, pois há mais indigentes moradores de rua sem teto que lutam, ocupam prédios e fazem o diabo a quatro e não ficam resmungando pelos cantos. Apenas lutam, pois é um instinto natural de quem ainda está vivo, e não ficam de blábláblá nem se fazem de coitadinhos como gente que tem teto, comida e tudo mais e fica de choramingo. Como por exemplo os tiozinhos que me chamaram pra trocar uma ideia e me ofereceram um trago de uma pinga Jamel (faz tempo que não via uma dessas). Eles estavam deitados na pracinha perto do metrô Madalena, mandando ver umas esfihas, e me chamaram pra um papo.
Eles é que são indigentes, mas nem por isso estão de brincadeira com a coisa: são reprimidos pela política higienista do Serra-Kassamba (rampa antimendigo, praça, banco, vale até caminhão pipa jogando água, tudo contra os moradores de rua), que acabou com o projeto Boracéia e outros de inclusão e geração de renda para o povo da rua, defenestrou o centrão, a cracolância, mas jogou o povo da rua sob o minhocão e pela cidade toda. O levantamento realizado pelo censo no ano passado (publicado em Março de 2010) registrou 13 mil pessoas vivendo nas ruas de Sampa.
Foi bom pra democracia e para a liberdade de expressão, em particular, contra o autoritarismo do prefeito Kassab, que põe a força  administração, dá-lhe repressão policial pra cima. Espero que se organizem não apenas em situações defensivas como essa. Sempre que precisar fazer mobilizações de rua, usem redes alternativas pra convocar, façam petições on-line, entre outras, além de não ficar só no umbiguismo e participar do processo mais amplo de discutir a politica cultural pra varrer o fascistinha do Kassab do poder municipal e contra o grande Capital e suas manifestações facistóides que mercantilizam a arte, o espaço público da cidade e ressuscitam o preconceito obscurantista da violência homofóbica e outros tipos de violência. Não é a toa que isto está ocorrendo na Paulista, centro financeiro e coração do capital, não é à toa que emperram a discussão e implementação do Plano diretor e a reforma urbana com participação e sob controle popular.

Declamação das Revolutionary Letters por Diane di Prima
39 Free All Political Prisioners

sábado, 18 de dezembro de 2010

O delírio cotidiano com coisas reais

Começo  este post fazendo uma sincera e merecida homenagem ao cantor Captain BeefHeart, nascido em 1941 e que faleceu hoje com esclerose múltipla. Ele gravou discaços, como o Bongo Fury: Live en El Paso, com um dos maiores músicos, o Frank Zappa´s Mothers, que é um disco que eu sempre toco.  E também nos seus próprios discos, Safe As milk, Trout Mask Replica, Bluejeans e Moonbeans  entre tantos outros. Já o título é um verso de uma canção do Belchior, e serve pras coisas que vem ocorrendo na paulicéia desvairada.
É meus caros, a roda gira, tudo muda e se movimenta rapidamente, na intensidade das ideias e de um belo e suculento filé assando numa grelha de churraqueira, muitas cervas e cachaças entre companheiros. numa tarde de sábado tocando uma viola no bairro provinciano de Presidente Altino  na terra do mágico de Oz. Ontem foi uma noitada final do trampo, confraternizarmos entre  nós  merecidamente, depois de tanta luta e encheção de saco de uma mala veia sem alça o ano inteiro, vamos tomar nossas biritas sem empulhação. Só isso salva, assim como escutar boa música.
Mais tarde ainda fui rever alguns camaradas antigueiras, uns até do interior, que não via há anos. Mandamos pra drento várias  doses de uma garrafa de tequila com limão que um camarada pôs na banca  Foi uma ótima, num buteco de um véio que fica numa esquina do Paraíso, não o do Dante, mas o bairro Paulistano, e eis que me fudi pois pensei em voltar um pouco mais tarde, e esta cidade vem piorando e ficando cada vez mais abandonada.
Cidades no mundo funcionam a noite toda, pois tem gente trampando a toda hora, o metrô rola, busão rola, só aqui que não. É um atraso e um retrocesso e diminuiu o tempo e a quantidade de vezes que posso usar o bilhete único. Fazia tempo que não dava uns rolês de busão, e eis que fui usar uma linha que antigamente, há uns 15 ou mais quando vinha do Bixiga bixiguento pela Paulista pro Rio Pequeno era mais eficiente do que hoje em dia, ou haviam outras que ao menos nos deixavam mais na frente pra pegar outras. E também quando ia no Gera, o Cearense dono de bar rocker mais gente fina, eu pegava o Sacomã-Ceasa. e descia em Pinheiros. Hoje até fumei um careta cedido trocando ideia no ponto da estação Brigadeiro na Paulist enquanto quase dormia pendurado trocando ideia com um ajudante de prefeito. Eles já sacaram esta parada  faz tempo, que está mais do que na cara, demorou, é hora de tirar este fascistinha do poder municipal.


Esse final de ano tá bem maluco aqui, chuvas, panes no trem e metrô, prefeito metralhado em Jandira, sindicalista dos camelôs ou condutores  assassinado. E também tem artistas apanhando na paulista e pensando em fazer manifestação no MASP segunda-feira dia 20, demorou, quero ver quem estará lá ao meio dia. Estarei lá, ainda mais em uma cidade em que é proibido ficar em buteco de pois da uma, é proibido fumar, placas são retiradas, ônibus fretado proibido, inferninhos são lacrados, ora pois, tudo é proibido nessa cidade. E tudo precarizado e péssimos serviços oferecidos pro povão que trampa, sem contar o preço do busão que subirá mais uma vez, sem contar as enchentes alagando barracos. É só na base da ação que as coisas se resolvem, e não com choramingos.
Se camelô se organiza, por que artistas também não podem se organizam também contra o fascismo imperante hoje na prefeitura? só porque tem origem de classe diferente, são de uma classe média decadente anarca e apolítica que se define como indigente, marginal ou qualquer dessas porras. E que se diz pura (enquanto que é cheia de preconceitos, principalmente o preconceito contra a política, diria a veia judia Arendt) e não quer se meter com política. É uma espécie de excesso de preciosismo (outro nome para baitolagem) esse tipo que fazem alguns artistas, pois arte também é um trabalho, ainda que simbólico, ideológico, cultural ou intelectual.  E sendo um tipo de trabalho, quer ser vendido  no mercado sim senhor, não me venha com arte pela arte: artista metafísico, tente pagar suas contas, pingas ou cigarros com sua alma, e veja no que dá. A arte está submetida a mercantilização na sociedade capitalista. Não há nenhum purismo nisso, tudo se lambuza  e se mistura na mesma lama. Metafísicos, platônicos ou propagadores da aura perdida, vá de retro com suas visões punheteiras das sombras da realidade.
Em Londres ou Paris, são atração a parte, em São Paulo, a vanguarda do atraso que elege um Kassamba ou o Picolé de chuchu do Alckmin, acontece isso. E nem venham me dizer que é tudo igual, tem nojo da política ,pois essa é a cara e  a postura política de quem deixa esses caras chegarem ao poder (herdaram isso do adhemarismo, malufismo, janismo e quercismo, tudo num balaio de gato.
Ara, se esses caboclos vivem na cidade, se fazem parte, não me venha com  a desculpa ou o papo furado de apolítica. Onde há duas pessoas, ela, a política, existe. Se quer ser radical por inteiro, rasgue seu  RG, vá viver no meio do mato comer grama, entre lobos da estepe, que é mais honesto do que continuar jogando o jogo desta sociedade e ficar chorando pitangas ou destilando suas lamúrias. Ficções funcionam bem no papel, quando se lida com a realidade, tem um quê ou um ar quixotesco.
Reclamar não adianta porra nenhuma. Aqui tem de ser feito política, pois é na pólis, na cidade que cidadão se exercita e se faz como tal. Quem cala consente que o poste entre no seu cú. Não me venham com a ficção burguesa dos direito a ficar-de-fora-estando-dentro isso é conto da corochinha que nenhum aprendiz cai mais nessa.  A arapuca está armada, e não adianta de fora protestar. Quando se quer entrar num buraco de rato, de rato você tem que transar. A little more conversation, a little more action. Mexam-se e libertem-se com todos, artistas metafísicos platônicos ou kantianos punheteiros.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus amigos entre as pausas na papelada burocrática do final de ano

Tenho tido a companhia do ilustre e mais pervertido dos nobres, o Marquês de Sade. Acabei de testemunhar mais um de seus relatos, este um livro de cabeceira, os 120 dias de sodoma, que o próprio marquês não teve a oportunidade de publicar em vida, uma vez que dera como perdido seu manuscrito de merda e sangue. Ao longo de mais de 200, quase trezentas páginas, uma camarilha de pervertivos como Durcet, quebra-cu e outros atormentam jovens aprendizes e destilam escatologia pra ninguém botar defeito,:cropofagia, ducha dourada, e toda sorte de putarias que se pode imaginar. Quem tentou se aproximar deste relato no cinema foi Pasolini, adaptando-o para o fascismo de seu país, e teve muita merda, mijo, sangue pra ninguém botar defeito.
Mas também tenho seguido coisas sublimes, e quebro o gelo da bestialidade humana com a mitologia e os símbolos de um Heine ou Hölderlin, o romântico Keats, em sua invisíveis asas da poesia, o modernismo de um Almada Negreiros, ou a poesia do bardo que compõe canções como se fossem orações de uma cabala judaica, através das linhas inimigas do meu amor, do Leo Cohen.  Também curto viajar  de navio na Balada do velho marinheiro do Coleridge. O Catatau também foi uma coisa dos últimos tempos bem curiosas de se encontrar, aquele René Descartes fumando uma erva na expedição do Maurício de Nassau e vendo seu cogito racional naufragar em uma Pernambuco holandesa.
Como não tem jeito, acabo caindo em Cadernos Manchados de vinho, fico ao sul de lugar nenhum, já que o amor é um cão dos diabos. Daí fico pensando como tenho amigos solitários como estes que me acompanham, e tudo fica um pouco melhor nesse final de ano frio e burocrático.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Mais uma dose, please, mr. voice of rock


Eis que eu chegava de uma reunião no centro velho, mais precisamente da Sé, quando passei pelo mercado Dia, comprei algumas coisas pra casa, rango, brejas vagabundas e baratas (a geladeira não tem ficado sem, encontrei uma Rio Claro, satisfatórias), haja visto esse calor pós-chuvas, que não refresca nada). Passei em casa, fiz um rango e resolvi chegar na Cardeal Arcoverde pra tentar um esquema para ver e escutar the voice of rock, blues e soul mais uma vez.
O Carioca (apesar da fama de ser uma casa voltado para os neopagodeiros) tem sido uma casa em que tem rolado algumas apresentações do circuito rock and roll ultimamente. E o bom é que é bem perto de casa. Já se apresentaram no palco grandes do rock, como o própio Glenn Hughes há um ano atrás (com Casa das máquinas abrindo), passaram este ano o UFO e o Halford (que não vi), e mais recente o Carl Palmer, que tive a oportunidade de conferir recentemente e até fiz uma resenha.
Eu estava sem qualquer expectativas, soube de última hora, a meia entrada restrito a net, na hora que tentei pela net, acabou, fui só por desencargo de consciência e na fé cega mesmo. Peguei um guarda-chuva esquecido, uma vez que a chuva com mormaço que antecede o verão me obrigava, e segui a pé rumo ao Largo da Batata com os sons do Deep Purple, Trapeze e do Seventh Star povoando a vitrola na minha cachola. Chegando lá, perguntei pelo preço, não tinha meia na entrada, mas consegui fazer um bom negócio: abati 20% do ingresso.
Pensei que estaria atrasado, mas estava ainda para começar. Glenn entrou no palco muito carismático, ele curte o Brasil. Dessa vez, depois de abrir com Muscle and Blood, do disco de 1982 Hughes and Thrall.  Na sequencia, ele emendou para a minha gratidão Touch my life, do Trapeze, compensando o ano anterior, em que não tocou nada de outras bandas pelas quais Hughes passou (e foram muitas) além do Deep Purple. Aquela levada pesada, falando que há um sentimento dentro da minha vida, valeu por todo sacrifíco em torrar os últimos patacas, tudo pelo bom e véio rock. Lembrei da velha fita k7.
A seguir veio de Sail Away, uma de minhas preferidas do Burn, do Purple, muita gente boiou, pois esta é uma música B mas com qualidade muito superior a outras. Glenn falou que tocaria uma música dos anos 1970, e logo começaram os dedilhados de Medusa, do disco homônimo do Trapeze ele esgoelou como poucos, com a capacidade e o timbre soul music que ele imprime nas músicas. Ele anuncia o faleciodo Mel Galley antes de tocar outra música do Trapeze , disco You are the music, Keeping time. Do  Deep Purple, como já era de se esperar, mandou Mistreated, com aquele solo inicial na guitarra e seu vocal solo no final e Stormbringer, pra fechar com Soul Mover e voltar com o bis de Burn. Pra conferir, Eis mais ou menos o set list, com pequenas diferenças, que já comentei:

01 Intro

02 Muscle And Blood (Hughes & Trall)

03 Touch My Life (Trapeze)

04 Orion

05 Sail Away (Deep Purple)

06 Medusa (Trapeze)

07 You Kill Me

08 Can't Stop The Flood

09 Crave

10 Don't Let Me Bleed

11 Keepin' Time (Trapeze)

12 Steppin' Over

13 Soul Mover

Encores:

14 Addiction

15 Burn (Deep Purple)

Acabou o show, na saída haviam cartazes. Peguei alguns. Glenn tocou com tanta gente (Gary Moore, no Phenomena etc) que ficou ainda devendo tocar umas que compôs e gravou com o Tony Iommi, principalmente do Seventh Star, meu preferido entre os discos com Glenn nos vocais (Pode ser algumas coisas do eight, do 1996 dep sessions ou do Fusion também que não acharei ruim). Deu pra perceber que ele vai soltando aos poucos, cada vez que vem, toca um pouco mais de diversidade, desta vez foi mais Trapeze e algo do disco solo com o Pat Thrall. Quem sabe numa próxima, desde que não demore muito, tá valendo.
Fiquei mais duro, porém mais feliz por mais uma dose de rock em roll puro. Só segurar as pontas até o dia 15 que vem mais uma merreca do décimo terceiro pra apaziguar um pouco o drama, já que a coisa ficou feia, lá vem mais contas. Passei no super, comprei mais algumas tralhinhas, mais uma cerva pra vir tomando enquanto caminhava nesta noite calorenta e um tanto chuvosa e agora cá estou eu, solitario, digitando estas linhas, preparando para assitir alguns filmes e degustando uma pizza destas semi-prontas que assei no fogão, enquanto espero ansiosamente a chegada da minha querida, misto de Mardou Fox com Tristessa, num fim de tarde de um domingão calorento e chuvoso.

Assista aqui videos do show do ano passado
Glenn Hughes no Carioca em 16 de Dezembro de 2010:

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais um rock, mr. Vincent



Por falar em progresso tecnológico, veja esse mapa do hard rock, metal, punk no link acima, muito bom, com direito à degustação sonora!


A correria está diminuindo, vamos assentando pro final do ano, muitas coisas já perdem a intensidade, papelada, tudo espalhado pra cada lado, vamos fechando tudo. Já livrei a cara de alguns guris e gurias que mereceram, não sou nenhum carrasco. Há casos e casos, tem alguns que não estão nem aí, só passeiam e cabulam, não teve jeito, mas nem vou ferrar uma vida ou um ano de um moleque ou de uma garota dessas que está lá tentando por causa de só uma disciplina. Já levei bomba duas vezes no colégio e uma na faculdade (recorri, pois o professor era um ditador), sei o que é ser um perdedor.
Ainda tem tempo pra conferir o Hughes no sabadão? Sei não, fui conferir há pouco menos de um ano, foi grana demais em novembro, ainda tem um bocado de coisa, acho que não rola, mas devo ir escutar na porta ao menos. Daqui pro final de ano, só alguns compromissos protocolares na escola e algumas confraternização, com churras, brejeiras e cachaças. Tô tomando uma cerva de leve me casa, enquanto a noite preta vem chegando com seus morcegos e corujas da memória. Com ela vou conferindo um monte de coisa doida que reencontro, agora em formato digital. Esta internet revolucionau, quem diria que conseguiria ouvir novamente o Venom, Running Wild, além de coisas novas do Accept e do Judas, o Nostravamus, o último do Motör?
Pois é, estou curtindo coisas pacas, tem muita coisa legal, coisa que descubro, coisa que reencontro e é pura diversão: os primeirões do Van Halen, a discografia da tia Alice. Fico lembrando daquela fitinha k7 que gravei o disco "Billion Dollar Babies" emprestado de um amigo do segundo grau, o Fábio, isso em 1992 e nem faz tanto tempo assim. Eu peguei a época do k7, vinil, estava começando o cd, agora é mp3, mp4, 5 etc. Apenas admiro como a tecnologia possibilita um bocado de coisas em um curto espaço de tempo. Imagino uma criança nascida daqui um tempo o que verá. Até o último do Zé Geraldo que conferi o lançamento aqui na Livraria da Vila, encontrei para dar uma sacada. No final de ano, quem sabe acampe com uns camaradas no interior, é o que está se configurando, já que não poderei ir com meu bem para as dunas potiguares, por conta de um congresso no planalto central no meio de janeiro. Depois posso até pegar uma carona no ônibus do pessoal de lá e seguir viagem pra encontrar minha querida.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tirando o atraso e matando a vontade enquanto posso nesta vida

Confira o repertório do show, clips, letras etc.

Foi uma baita de uma apresentação. Demorou pacas, eu ainda tive aqueles acessos de nostalgia, lembrando dos velhos tempos no Butantã, quando emprestei pela primeira vez o Close to the Edge do pai do Dalton, um camarada que estudou comigo na Escola Estadual Nasser Marão  na Vila Gomes em 1994 e no ano seguinte. De Yes naquela época eu sabia que eles tocaram no Rock em Rio de 1985, conhecia a fase mais pop, além de um video sobre a história do Yes (rolava Close to the Edge, um clip, eles tocando no estúdio) num programa sobre rock que rolava na TV Cultura que eu curtia  muito, o Som Pop, apresentado pelo Kid Vinil. Logo depois eu viria a adquirir esta maravilha, no sebo Red Star em Pinheiros. Uma música divina, feita por uma voz de pássaros que é a do Jon Anderson, um cara que já tocou com Vangelis, Kitaro, admira Boca Livre, Milton Nascimento e outros caras aqui do Brasil.
O Yes veio com a sua  formação mais reconhecida em 1996, num ano em que vieram Jethro Tull, Emerson, Lake and Palmer. Eu estava duro pra caralho, na verdade, eu viva durango mesmo: só me salvava por conta de entregas de pães e doces caseiros que eu ajudava minha mãe a fazer. Naquele ano, como estava estudando pro vestibular, estava mais duro ainda do que o normal, andava todo dia seis kilômetros ida e volta e tomava vinho vagabundo ou umas doses de cachaças ou com suco de laranja ou maracujá nas sextas-feiras porque também niguém é de ferro. Daí perdi tudo que foi apresentação naquele ano, sem chance.
Depois de um tempo em que já estava mais firmeza, já tinha um trampo fixo, dos caras do Yes assiti o Jon Anderson em 2004, que recheou seu repertório de músicas do Yes, e o Asia em 2007, que tocaram  Roundabout do Yes, mas com certeza não é a mesma coisa do que ver todos (ou quase todos) juntos, considerando que o Steve Howe ainda está lá, Cris Squire, Alan White, e os novos integrantes são nada menos que o filho do homi,  Oliver Wakeman, e Benoit David, que tocava num Yes cover no canadá, que tem uma puta de uma voz. Pois eis que os caras voltaram neste ano e valia a pena conferir, tanto que esgotou. Eu que não sou bobo, pintou uma graninha por alguns trampos extra, nem pestanejei. Já estava com o meu garantido há duas, três semanas, assim que soube.
Todos falam esta baboseira sobre simplicidade na música, que o progressivo e o Yes é "refinado e rococó" demais, como se espera do progressivo, mas não sacam como o YES é carregado de feeling e sentimento, na voz, na guitarra, no baixão ponteado do Cris Squire, como que se falassem. Consegue ser virtuoso e espirituoso, ou seja, simples também. Além de ser um grupo muito carismático.
Os caras chegaram atrasado de Floripa, problemas com a TAM desde o dia anterior, tomaram um chá de cadeira no aeroporto, e  eu aproveitei pra tomar uma caipirinha até começar a tocar "O pássaro de Fogo" do compositor Igor Stravinski na abertura como é de costume nos shows do Yes desde os anos 1970 (bem lembrado pelo colega de boteco do Geraldinho, o Manoel, que curtia o Yes pacas). Os primeiros acordes da guitarra do Steve Howen para a Siberian Khatru foram de arrepiar os pêlos do braço. Na sequeêcia, mandaram mais sons cheios de emoção, como I´ve seen all good People, Astral Traveller, And You and I, Steve Howe tocou até uma passagem da bachiana brasileira de Villa-Lobos no seu solo, preparando para Roundabout e Starship Trooper, com toda sua viagem cósmica. Só  senti a falta da emocionante suite Close do the edge, mas quase duas horas de apresentação, os velhinhos cansados, levando um chá de cadeira no aeroporto de Floripa pra Sampa, foi perdoável.
Agora só dando um tempo, quem sabe no ano que vem mais algumas resenhas de coisas que valem a pena ver na vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

Conferindo o repertório do Twisted Sister ontem e o do Yes em Floripa ontem, no aguardo por mais tarde.


Repertório do Yes, com vídeos e letras, ontem 27/11 em Floripa.
Aguardando pra conferir mais tarde no HSBC



Repertório do Twisted Sister que rolou ontem 27/11 no Via Funchal

http://www.setlist.fm/setlist/twisted-sister/2010/via-funchal-sao-paulo-brazil-43d2b387.html

Foi uma puta apresentação, eu perdi no ano passado, mas neste nem que tivesse que penhorar as cuecas pra ver as irmãs distorcidas. Coisa de adolescente que nunca perde a rebeldia, as Twisted foram até perseguidas nos EU pelos fundamentalistas pé no saco que existem desde sempre na história, desde as inquisições ou até da caça às bruxas. Mandaram todas suas sonzeiras básicas e esperadas, mas a minha preferida foi The Price, muito boa, Under The Blade, todas arregaçaram demais ao vivo. Rolou até um cover do Rainbow, em homenagem à morte do deus Dio, Long Live rock and Roll. Indispesável, bom pacas.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cenas da apresentação de um dos Yardbirds em solo tupiniquim

Confira "Plan B", abertura da apresentação do Jeff Beck ontem 25/11/2010 no Via Funchal:
http://estadao.br.msn.com/video/default.aspx?cp-documentid=3467ee8a-0da5-49cd-b6af-c30936340fa8


Era uma quinta-feira, eu sai do trampo, tinha um curso para terminar, a última aula, que acabei matando, pelo fato de ter muito trampo acumulado, algumas coisas, cadernos, para ler em casa. Sendo assim, caiu um toró, um verdadeiro pé d´água, e nem consegui chegar no curso, fui para casa mesmo, pregado.
Depois de tudo feito, já era tarde, eu me preparei para assistir a presentação de um dos caras que faltava ver que passaram pela escola britânica do blues, o The Yardbirds. Já havia conferido o Jimmy Page em Janeiro 1996 e o Eric Clapton em 2001, e garanto que foi bom pacas. 
Agora era a expectativa de ver um dos melhores caras na guitarra, que curto desde a primeira bolachona que ouvi do cara, o Truth ( que infelizmente não teve nenhuma música executada neste show), com Ron Wood nos baixos (aquele mesmo dos Rolling stones) e o senhor Rod Stewart arregaçando com sua voz rouca Shapes of things, You Shook Me e outras coisas de baladeiros vagabundos  como I ain´t supersticious, e Let me Love You que piraram minha cabeça naquela época e quase furei de tanto ouvir.
Pois eis que ele abriu com Plan B, do disco Jeff, de 2003, que tem um riff inesquecível. A seguir,  tocou um cover do Billy cobham, Stratus. A espera da noite era pela fase mais fusion, jazz rock do cara, do discaço Wired, a Led Boots.  Na sequência mandou ver sem palheta como é de costume, dois sons novos do disco que promove (Emmotion e Commotion), Corpus Christ Carol e Hammerhead, entre outras mais pra frente, como Over the Rainbow (aquela música do Mágico de Oz que abria também os shows do Rainbow) e que pude escutar antes da apresentação graças a estas facilidades de hoje em dia. 
Fez falta pra caramba uma voz, principalmente deu um puta vazio não escutar a voz do Rod Stewart no hit de fm People Get Ready.  Um dos pontos altos foi a baixista, que mandou um puta solo, e cantou pra caramba num blues do senhor Muddy Watters do Mississipi, "Rollin´and Tumblin", além da versão instrumental para A day in the life, dos Sargent Peppers, um cover do Savoy Brown e outro do Les Paul, que ele tocou com a própria. Foi uma apresentação um tanto fria, mais técnica, ou era eu que estava me preparando pra agulhas dos exames na manhã seguinte, mas o fato é que estava bem vazio o lugar, mas eu fui com chuva e tudo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Lou Reed ou como um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar

Sabe cumé, não é? Tava em casa coçando o saco, domingão calorento, relendo as confissões de Thomas de Quincey e me divertindo com a frase em que ele diz que o homem sóbrio mascara, dissimula e disfarça muito mais do que com o álcool ou o ópio, no seu caso: e é quando estão bêbados que se colocam de acordo com a verdadeira complexidade de seus caráteres, o que certamente não é o mesmo que se disfarçar.
Eis que eu escutava os rojões e a torcida do curingão gritando provavelmente pelo gol enquanto eu saia aqui de casa pra tentar encarar mais uma apresentação, desta vez do Lou Reed, o poeta da barra pesada novaiorquina com suas putas travecos e michês e junkies que faria uma visita aqui ao lado de casa, no Sesc.
Já fui sabendo que quebraria a cara, uma vez que desde o primeiro dia os ingressos estavam esgotados. Mas depois que li os comentários na net sobre a apresentação de ontem, que quase dez por cento da platéia não digeriu o Metal Machine Trio esganando seus instrumentos e computadores com microfonias, cacofonias e coisas do gênero, pensei comigo por que não arriscar?" o máximo que ocorrerá será eu levar uma bica, não tenho nada a perder. Sendo assim, peguei o beco nesta tarde ensolarada, rumo ao Sesc de Pinheiros, que fica a algumas quadras aqui de casa.
Chegando lá, fui perguntar na bilheteria se não havia sobra de ingressos. Vi  o aviso, falei que sabia que tinha esgotado, mas arrisquei perguntar. Eis que a moça que lá trabalhava deu um ingresso cortesia para eu entrar!!! Não acreditei, não paguei nada. O rock abençoa mesmo e gratifica quem nele acredita. Chegando lá os sons de sintetizador já estavam funcionando continuamente. Havia um gongo e um surdão imenso no fundo, um cara surrava o gongo, até Lou Reed entrar. Lembrei de tudo o que tinha visto sobre este cara, sobre Andy Warhol e o encontro com Morrison em Heroin, ou daquela bolacha do Mott de Hoople  que eu tenho e rola "Sweet Jane", no mesmo disco com o David Bowie, foi fazendo uma volta no tempo na minha cabeça, ouvindo aquele atonalismo que fazia algumas pessoas do público sairem aos poucos. 
O lance não é entender, mas é sentir a parada, um saxofone com pedais, metálicos, fazendo arregaços, em momentos próximos da caixa, microfonia, Lou Reed arregaçando sua guitarra, que era trocada diversas vezes. Aquela música metalizada, cacofônica, vai fazendo você pirar sua cabeça e todos os diabos e fantasmas saem do seu corpo para dar um rolê por ali. É pra colocar pra fora e você ver o quanto você suporta.
Não existe descrições ou adjetivações para aquela música, apenas improviso com a barulheira, uma doideira pirada mesmo metálica, o fim dos tempos, um apocalipse sonoro, tudo sem sentido, niilismo e destruição, música decadente, como o próprio tempo soa ainda trinta e cinco anos depois. Você só consegue compreender com a alma. Soa o gongo e o saxofonista surra o tamborzão anunciando o fim da Metal machine music. Lou ainda é carismático e volta para tocar I´ll be your mirror, do Velvet, e dá as mãos para o público, despedindo-se. O rock beatifica aqueles que seguem acreditando nele, e de vez em quando faz uns milagres, como um raio cair duas vezes no mesmo lugar.



O rock caipira da metade que sobrou do Creedence





Ontem eu e minha querida Cleia fomos conferir o Creedence Clearwater Revisited. Sabíamos que eram metade dos caras originais, o Stu Cok (baixo) e o Doug "Cosmo" clifford na batera, mais Elliot Easton (guitarra), Steve Gunner (guitarra, teclado) e John Tristao (voz, guitarra). Os irmãos Forgerty não toparam e racharam o grupo, embora John Fogerty ainda toque sons do Creedence e esteve usando o nome aqui no Brasil anos atrás. De um jeito ou de outro, o Creedence é sempre uma boa pedida, sempre empolga, pois eles mandam um rockão  básico, com as pitadas de um bons cantos de lamento negro, blues, soul e a dança country, É um pleonasmo dizer que mandam um rockão sulista, pois o rock tem suas origens no sul dos EU, com o Blues, com o Jazz, o Gospel e o Soul, junto com o Country do texas.
Chegamos lá na porta em cima da hora, estava vazio, pois apresentação já havia começado. Como sou um bom negociador e ainda tive a sorte de encontrar um cara no desespero (porque alguém que ele esperava não  chegava ou ficou doente), consegui fazê-lo vender o ingresso pela metade do preço, de modo que entramos ambos pela metade do preço. Já tinhamos perdido oito músicas, por conta do nosso atraso. Chegamos Stu Cook anunciava "Long as I can see the light", anunciando que aquela era um música para as garotas. Entre as que eu mais esperava, perdi Born on the Bayou, Suzie Q Hey Tonight e Green river, entre outras, no total sete ou oito. Tomamos duas brejas de lata cujo preço estava os óio da cara, valeu a pena.
Estava bem curioso, pois havia muitos cabeça brancas por lá, alguns até levaram a família inteira, molecada mesmo, e também alguns que estavam ali só farfã aquecendo pra baladinha na vila olimpia. O importante é que deu até para filmar uns trechos, fotos etc. Valeu por ver I heard it to the grapevine ao vivo, Midnight Special, Proud Mary e Travellin Band, tocadas pela metade restante do Creedence e o rock que é o que ainda faz sentido pra continuar tocando em frente.


sábado, 20 de novembro de 2010

O rock nunca morre no coração dos rockers de fé: apresentação do Carl Palmer 19/11/2010


Ontem eu matei o serviço pra curtir o bom e velho rock. tinha um dia guardado, a tendência era o esvaziamento, então não pestanejei, por um bom motivo. Quem nasce pra coisa não tem jeito, não nega sua natureza, pode até rifar a própria calça, pra fazer uma coisa que curte. Ainda mais pagando meia entrada, tô dentro. Comigo não tem jeito, tenho um trampo para manter as coisas no mínimo, mas também tenho que alimentar os vícios de vez em quando. Pois um homem que não tem vícios não é nada, é um fraco, como já dizia o Zé Gê. E um vício meu antigo é o rock, desse não abro mão. Não sou chegado em nenhum destes tipos de ascetismos franciscanos ou budistas, que negam o mundo. Sou um apegado, confesso mesmo, e gosto disso, não nego meus instintos e paixões, faz parte da vida.
Esse novembro tá cheio de coisas boas pra curtir, não dará para ver tudo,  com certeza. Entre os que não  vou poder curtir,  Lou Reed, cujos ingressos acabaram em duas horas pra hoje e amanhã, e ainda hoje rola  o Creedence Clearwater Revisited. E amanhã e segunda rola o McCartney, que lotou  e esgotou nos primeiros dias- estes superconcertos de estádio não tem me agradado muito, tenho preferido apresentações em locais menores, mais intimistas com o público. Sem contar o preço, que pago metade e dá para ir em mais três ou quatro.
Eis que ontem encarei aqui perto de casa, no clube Carioca, a apresentação do Carl Palmer.  Era um trio muito bão, com um guitarrista competente pra fazer as vezes do teclado de Keith Emerson., e o baixão poderoso, formando uma cozinha tanque de guerra com as baquetas do mestre, mas ao mesmo tempo melódico. Tenho boas memórias que já contei, o Trilogy (1972), que o pais do Daltão tinha e emprestava pra conferir. Eu curti pacas, depois fui achando outras bolachas, o vídeo do Pictures, sem contar algumas coisas mais recentes com o advento dos dowloads, como os mp3 do The nice, grupo anterior do Keith Emerson. 
Eu já havia conferido o cara na apresentação do ASIA em 2007, e foi supimpa, mandaram músicas dos grupos dos grupos que os membros participaram (Yes, King Crimson e Emerson, Lake and Palmer). Só que foi apenas uma ou duas, no máximo, a maioria os hits hollywood do Asia, que também tem sua importância.
Chamei uma dose de um Domecão no bar do lugar, tava tão sossegado aquele clima, pouquíssimas pessoas foram conferir, que deu pra ficar um tempo sentado. Logo ele mandou na segunda ou terceiro numa versão demolidora a sua versão para "Peter Gunn", uma e outras Toccatas e Fanfarras. Mandaram a própria "Trilogy", executaram o disco ao vivo só no instrumental "Pictures at an Exhibition", além das firulas, em que o baixista tocou as harmonias e a própria melodia de "Bohemian Rapsody", do Queen. Matou a pau.  Lá para o final, fui para frente, tava vazio demais. Ainda voltaram para tocar a Carmina Burana e uma composição de Tchaikowski. Pra quem esperava que fosse tocar os hits medalhões, como Lucky Man, From the Begging e C´est La vie, por exemplo, saiu insatisfeito, pois ele mandou um set mais obscuro, técnico e conceitual, por ser instrumental. O que não significa que foi ruim. Muito pelo contrário, sai satisfeito e com a alma lavada depois de quase duas horas. Ainda vem mais pela frente, podeixar que farei um apanhado dos próximos, como o Jeff Beck e o Yes, que ainda vem pela frente, sem contar a volta do Twisted Sister em terras tupiniquins.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um prisioneiro político

Eu estava lembrando daquela leitura fantástica e cadenciada feita pelo Willer das Revolutionary Letters, da Diane di Prima. Cheia de ritmo. E fiquei lembrando deste final de ano, dos estudantes agitados atrás de suas carteiras, falando comigo, alguns dando risada, conversando, aprontando milhares, jogando giz um no outro, fazendo guerra de papel, ou simplesmente conversando comigo trocando ideiais pineis emprestando livros e tudo mais e lembrei deste trecho, ao efeito de remédios, bem como de um desenho bem doido que me foi dado por uma estudante, a Camila. Todos somos prisioneiros políticos, libertem-nos desta mediocridade e deste marasmo, Lebiertem-nos, DANCEM!

(...)
Every kid in school a political prisoner
Every lawyer in his cubicle a political prisoner
Every housewife a political prisoner
Every teacher lying thru sad teeth a political prisoner
Every indian on reservation a political prisoner
Every black man a political prisoner
Every faggot hiding in bar a political prisoner
Every junkie shooting up in john a political prisoner
Every woman a political prisoner
(...)
 
(...)
Todo garoto na escola um prisioneiro político
Todo advogado em seu cubículo um prisioneiro político
Toda dona de casa uma prisioneira política
Todo professor mentido através de dentes tristes prisioneiro político
Todo indio em suas reservas prisioneiro político
Todo negro prisioneiro político
toda bicha escondida em um bar prisioneiro político
todo junkie picando-se no banheiro prisioneiro político
Toda mulher uma prisioneira política
(...)

Diane di Prima, Revolutionary Letter, 49

domingo, 14 de novembro de 2010

Um cão do mato irado

é um tanto confuso e horripilante
fugir da polícia ao expor discos à venda
às 8 e 30 da matina na praça pública
Sem demagogia, há mais experiência e sapiência
naquele que faz e pratica
O saber rima com o experimentador do sabor
Os riscos tombos arranhões as carnes laceradas
o gosto da cachaça a fumaça santificada
Ser o lobo da estepe
estar à margem da sociedade
o lobisomem
é algo hoje mais integrado possível
o bandido
a prostituta
o lumpen ou subproletário
o louco
o pirata
a contracultura
foi assimilada e integrada
rende royalties e copyrights
direitos de direita
estou à esquerda dos direitos
copyleft
não preciso ser um lobo do mar
ou um vagabundo de vagões
nem bancar o lobo da estepe
em harley davidsons sem destinos
à mardy grass com os pés na estrada
like a rolling stone
sou um sujeito urbano
com o martelo na mão
consertando
algo em casa
rilhando os
dentes
um lobo irado
com recaídas caipiras
um cachorro do mato
mais matuto
do que esses que fazem tipo
e sequer são astutos
não sabem mergulhar em um poço
ou nadar em um açude
ou subir em árvores de jambolão
lambuzar-se nas argilas de uma boçoroca
ou fazer fogueiras improvisadas
ou amar na rua em pé
ou qualquer outra dessas coisas
aprendidas
na
raça

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Já vi homens com mais classe entre
caminhoneiros de macacão sujo
borracheiros de mãos engraxadas
begrões nos vagões de trens da CPTM
Bebuns de banco de praças
Ladrões e bandidos abrindo a porta do ônibus
Que escritores e pensadores
Já vi mais filósofos na sarjeta
ou moscas de bar
Mais poetas nos botecos ou santas em bordéis
O estilo e a sacada e a pegada estão no lance
no golpe de vista e dos dados lançados
Putanheiros, loucos presos em seus corpos de mendigos
ou de mulheres doidas e tarados
Aprenderam a cagar nos cantos da rua sem frescura
Poucos homens sabem o que fazer
quando não há nada para fazer
Nunca me animo em acordar cedo
rotina mas no máximo aguento cinco horas
depois tenho que
saber comer azeitonas chilenas com um palito
abrir uma cerveja e um charuto
são também uma arte
Apenas não me gabo
nem acho mais importante
por isso estou lá no meio
não coloco uma coroa de louros
 na cabeça
Claro que é melhor ficar vagabundeando
Só isso pode melhorar um homem
sua vitrola, uns livros e litros
pra seguir adiante
Prefiro o estilo que manda tiros curtos
golpes certeiros à prosa prolixa
Quem escreve deve também exercitar
seus músculos e cérebros em 
alguma outra coisa
Já me meti na arte da guerra
como muitos talvez já entraram
Hemingway ou Neruda ou Garcia Lorca 
estourado na Guerra Civil espanhola
ou qualquer um que meteu a mão na merda
talvez isto estrague, talvez não
por estarmos atolados na mesma merda
quebrar a cara e ser como uma ave desengonçada
neste meio é quase que uma regra
Ou quem sabe, há tantas pessoas
desprezíveis e fúteis e medíocres 
e insanas e dementes nesse meio
que os momentos solitários
ou com a negra e índia
fazendo o rango 
tomando uma birita
são infinitamente
superiores
a qualquer
uma
dessas
outras
coisas

domingo, 7 de novembro de 2010

Eles fazem 
isso
com toda 
sua 
idiotice
com
toda 
sua
empulhação
sugando o
que 
não
temos
até 

dia
em que 
mais
calmo 
deles
o mais
calado
aquele
quieto 
no 
seu 
canto
levanta
saca 
o seu
canivete
emputecido
chuta o balde
toca
pra
foder
dá um
foda-se
para
tudo 
e
todos
Eles fritam
nossos bagos
em óleo
de 
cozinha
fervente
com todos 
seus
procedimentos
com toda 
sua
rotina
Fazem
cobaias
seus
métodos
seus
estudos
enquanto
só quero
sossego
 ficar
no meu
canto
lendo
música
brincando
bebendo
comendo
curtindo
a dor
foda
da
vida

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eis que ela chega

Fim da 
tarde 
ensolarada 
e
 quente
o sol se põe 
mais 
tarde 
confortavelmente
abro uma 
lata 
de 
cerveja
sirvo-me
de uma
dose de
cachaça
coloco uma
música
calma
bato nas teclas
ela se 
aproxima
de cinta 
liga
hirsuta
toda 
cheia de 
tesão
com a 
calcinha
umedecida
os 
peitos
pontudos
apontando
para minha
pessoa

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dando risada aos montões até agora com a derrota do "José", mas preocupado com manifestação xenófoba nazista no Sul e Sudeste


Do final de semana até agora, foi só alegria. Com chuva e tudo, desde quinta-feira, depois do rolo que meteram-nos aqueles paus mandados do estado prendendo o carango na estrada, deixando na mão, fomos para cima deste bigato de olhos esbugalhados, o verminoso fascista, anti-fumo, anti-boate, zépedágio-zé alagão.
Foi muito bom fazer campanha até sob chuva no sábado, uma gripe, mas para derrotar este espancador de trabalhador, de professor, de estudante e até dos polícias, não tem preço. Até Paulista tarde da noite valeu para lavar a alma, quando ele meteu balas de borracha e bombas de gás sobre nós. Já vai tarde, Zé chirico vampirão anêmico.
Foi bom demais de vê-lo cabisbaixo, pois este sujeito é um dos mais falsos e perversos, que posa do "bem" (DEM, na verdade), mas sempre desconfie de quem posa de bom moço, pois tem sempre uma maracutaia. Sempre preferi andar com os ditos malvados, os ditos sujos, pois ao menos deles você sabe o que esperar. Pois dos que se fingem ou posam de santos, na verdade, escondem a filhadaputice e a sacanagem.
Foi bom demais, curti também o casório da minha mana em Bauru, calorão brabo, pude tomar um uisquinho, curtir uma musiquinha antiga, depois de recuperar de uma gripe. E tô de volta aqui, com o gás total, mandando ver. 
E só fiquei um pouco preocupado com a demonstração nazista de que alguns "jovens" (cabeça mais velha e preconceituosa que tenho visto ultimamente), criando um clima de divisão, de xenofobia, racismo, preconceito da alta estirpe, por pessoas ditas "informadas" e "cultas" (só se for por meio do partido da imprensa golpista, o pig), que não conhecem nada de Brasil e tem crise de aristocracia que gosta de pagar pedágio, não cuida da educação dos filhos da classe trabalhadora, da saúde, do transporte e da seguraça. Ferro neles, ou melhor que eles conheçam um pouco da vida atrás dos ferros.

Assista aqui a manifestação de Xenofobia:


OAB processa "estudante de Direito" Mayara Petruso:

http://www.giropb.com.br/?p=noticia_interna&id=3888

Relembrando a declaração nazista e xenófoba:
José Serra culpa migrantes nordestinos pelos baixos índices educação em São Paulo

http://www.youtube.com/watch?v=Ksq-5k7ME9U

Quem mesmo que defende a censura, hein, PIG?
Atenção blogueiros, o projeto do Senador Azeredo, o AI-5 digital, está de volta!

http://mariafro.com.br/wordpress/?p=21338

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Largo da Batata

Largo da Batata dos nordestinos céu rasgado de arranha céus
Largo da Batata dos pretos dos pobres dos trabalhadores correndo
Largo da Batata dos velhos, do cheiro de gordura, carrinhos de batatas fritas
Largo da Batata dos homens filósofos da sarjeta poetas de botecos e putas sagradas
Largo da Batata de pipoca e praça de concreto sem bancos nem árvores e casas demolidas
Largo da Batata dos retirantes nos pontos de ônibus da região metropolitana da grande são paulo
Largo da Batata levando as pessoas estrangeiras em uma terra ela própria estranha
Largo da Batata com seus cafetões cafetinas e os seguranças armários nas portas de entrada solitários
Largo da Batata das prostitutas rebolando andando e fazendo stripteases sensacionais são loiras bundudas morenas negras índias ruivas tatuadas magras gorda peitudas peitinhos filés mignons enguias esguias
Largo da Batata ela passa serpenteando mangueando seu corpo  lavado com perfumes baratos e pegajosos
Largo da Batata da trepadas e fodeções de sujeitos desprevenidos que brincam com as primas na rua
Largo da batata dos peões dos pedreiros e trabalhadores no vaivem do metrô e do trem
Largo da Batata das mil casas noturnas inferninhos espeluncas pancadão e dos risca facas
Largo da Batata do antigo Dama Xoc rua Butantã punks e do antigo Aeroanta rocker quando o largo ainda era fechado
Largo da Batata dos trens correndo na escura água e fedida do rio Pinheiros
Largo da Batata dos mendigos vagabundos catadores de papelão latinhas de aluminio dormindo em sofás abandonados com seus cachorros em frente à Igreja católica do largo de pinheiros
Largo da batata dos camelôs das bugigangas cds dvds celulares carteiras e tudo genéricos
Largo da batata dos botecos, dos rangos da Casa do norte com suas buchadas e picados de bode
Largo da batata dos alcólatras anônimos e dos bêbados conhecidos que vão tomar uma no cú do padre
Largo da Batata da Escola do bandeirante Fernão Dias e do Alfredo Bresser e suas pizzarias abertas na madrugada vendendo pedaços à dois reais
Largo da Batata onde os anjos se perdem na loucura e na desolação em busca de uma dose de pinga conhaque ou alguma outra droga narcótica ou anestésico
Largo da Batata o cheiro de milho verde e a fumaceira de churrasquinho de gato
Largo da Batata do buraco do metrô do som de forró eletrônico ou do funk das mil jukebox tocando no talo nos risca facas e inferninhos da Faria Lima
Largo da Batata dos botecos com suas grelhas chiando e fritando mil contra filés sagrados acebolados com batatas palito fritanto à noite inteira sucos de laranja com vodka
Largo da Batata do delírio alguém dá um grito e regozija no gozo da noite a selvageria a gasolina e toda intensidade correm nas veias e saem pelos poros na transpiração no coração da metrópole cinzenta e escura
Largo da Batata passando a noite na loucura na breaquês correm como ratos entre chinas com seus carros de yakissobas com panelas encharcadas de molho shoyu e cheiro óleo de gergelim atrás de um cachorro quente
precioso e 
raro
nos dias
de
hoje.
Uma descida para o litoral
No meio da agonia e da luta do quebra pau eleitoral
Descida da serra, caminho no meio da mata
Os polícias apreendem os carangos
testas de ferro do poder
paus mandados dos seus chefes
lacaios e caxias do esquemão
da indústria da multa e da apreensão
Cortam nosso barato e a alegria
mesmo assim ainda tiramos pêlo
puxando o cavaquinho e tocando tamborim
A noite na praia estava boa de doida
cervejas, batidas, conversa, cordel e música
uns camarões e iscas de peixes
completavam a diversão garantida
e depois a dormida pra completar
Domingo de praia enrolado na chuvarada
Restou a noite e a barraca da índia caiçara
com suas ostras, mariscos e risotos de camarão
mochila nas costas, busão, chuvarada, caminhada
descida na praia em dia da semana
pra resolver a parada

Seguidores

Pilotando a banheira do Manoel nas dunas

Pilotando a banheira do Manoel nas dunas
seguindo após Pitangui até Muriú-RN

Tatoo you

Tatoo you
Woman of night; Strange kind of woman; Lady in black; Lady evil; Princess of the night; Black country woman; Gipsy; Country Girl

Caricatus in 3X4

Caricatus in 3X4

Outra caricatus

Outra caricatus
Desenhista do bar e restaurante Salada Record

Mix, podi mandá "uma" aí?

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