Apenas vê hoje o tempo escorrendo entre os poucos fios de cabelos já escassos na testa calva
Como desejaria nunca conhecê-la ou que nunca tivesse existido: tudo ficou tão triste e mais assombrado
A decepção e o esvaziamento do seu ser esvair-se em prantos hoje tudo secou
E não acredita mais em fantasias, em sonhos e fantasmas, segue cada vez mais cético
Com a fuga as mancadas pisadas na bolas o charlatanismo e a picaretagem
Tempos em que se discutia Restiff La Breton e Marques de Sade nas alcovas horas a fio
Em noites da musa mousiké, o fio da espada, o frio na espinha, a navalha na coluna e na carne
Cheias de emoção e brilho nos olhos de mentes imagem ativas sem travas na língua
A intensidade e o êxtase com as noitadas molhadas, noites de neon, noites suadas, noites bêbadas
Em viagens doidas no mato, acampamentos na cachoeira, ermitão dormindo ao relento em pedras conversando em redes até a aurora embriagado de brisas à beira mar
Agora tornou-se um velho chato e carrancudo não tem mais a alegria de outrora
Tudo é a rotina e a mesmice do cotidiano e a vida segue sem sal e sabor
Como um carcaça apodrecendo a cada dia um pouco uma nau perdida sem leme
Como uma vela acesa no meio de uma tempestade de neve
Os olhos derretidos e secos de chorar tantas lágrimas em vão.
REBENTOS DO CELSO: Poemas, causos, memórias, resenhas e crônicas do Celso, poeteiro não-punheteiro, aquariano-canceriano. O Celso é professor de Filosofia numa Escola e na Alcova. Não é profissional da literatura, não se casou com ela: é seu amante fogoso e casual. Quando têm vontade, dão uma bimbadinha sem compromisso. Ela prefere assim, ele também: já basta ser casado com a profissão de professar, dá muito trabalho. Escreve para gerar o kaos, discordia-ou-concórdia, nunca indiferença.
quarta-feira, 7 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Quarta-feira de cinzas
quando todos papam
hóstias e se recolhem
para a quarentena
quando todos papam
hóstias e se recolhem
para a quarentena
Continuamos tomando
cachaça
Para nós, sempre é e
sempre será carnaval
Vai queimar no inferno
herege
Vai queimar na fogueira
herege
Quaresma no inferno,
uma temporada no
inferno rimbaudiana, és
eterna
sou um reles mortal
Sonho com gatos
chorando lágrimas
pesadas sob uma navalha
Gatos melancólicos e
filósofos e
um julgamento e leituras
de poemas e homenagens
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Da boca saem jatos de cogumelos atômicos
E borboletas de cristal voam como efemérides
Nunca o passeio foi tão longo e estranho numa noite de bebedeiras
Solitário por noites loucas, os caminhos de néon em corredores da morte
Noite dos nóias zumbizando mortos vivos procurando pela pedra sagrada comestível para tragar e entorpecer seus brônquios de metal
E putas mais doces de saias curta e coxas grossas e outras magras loiras morenas todas angelicais
umas bundudas outras peitudas passeiam pelas ruas próximas da Rua Mauá na Estação da Luz
outras doidas e sorvendo o líquido da vida a mil por hora, cantando e fumando narcóticos aspirando o hálito vital da noite em pó
Enquanto uma dança feito louca dança mascando chiclete com cara de insana louca e demente
Libidinosidade andando pelas ruas de papel e creme comendo sanduíches gordurosos de realidade
Vendo filmes pornôs muito sacanas e surreais em que as mulheres fazem mil caras e bocas quando chupadas no grelo e falsamente gemem quando penetradas, curradas feito éguas em posições malucas
A noite passa como fios de néon, alucinadas, com luzes e cores mortais acesas em brasa gritando e clamando em seu seio por mais suavidade e tranquilidade nos corações aflitos por mais
Com sede de amor, famintos por um pouco de afago e carinho em almas perdidas
Clamando por mais imaginação e criatividade em noites loucas e delirantes
E borboletas de cristal voam como efemérides
Nunca o passeio foi tão longo e estranho numa noite de bebedeiras
Solitário por noites loucas, os caminhos de néon em corredores da morte
Noite dos nóias zumbizando mortos vivos procurando pela pedra sagrada comestível para tragar e entorpecer seus brônquios de metal
E putas mais doces de saias curta e coxas grossas e outras magras loiras morenas todas angelicais
umas bundudas outras peitudas passeiam pelas ruas próximas da Rua Mauá na Estação da Luz
outras doidas e sorvendo o líquido da vida a mil por hora, cantando e fumando narcóticos aspirando o hálito vital da noite em pó
Enquanto uma dança feito louca dança mascando chiclete com cara de insana louca e demente
Libidinosidade andando pelas ruas de papel e creme comendo sanduíches gordurosos de realidade
Vendo filmes pornôs muito sacanas e surreais em que as mulheres fazem mil caras e bocas quando chupadas no grelo e falsamente gemem quando penetradas, curradas feito éguas em posições malucas
A noite passa como fios de néon, alucinadas, com luzes e cores mortais acesas em brasa gritando e clamando em seu seio por mais suavidade e tranquilidade nos corações aflitos por mais
Com sede de amor, famintos por um pouco de afago e carinho em almas perdidas
Clamando por mais imaginação e criatividade em noites loucas e delirantes
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