quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mais algumas antigueiras que ficaram de fora dos livretos, mas que continuam atualíssimas

alto
voa
O poeta
mas
o
querem
no
chão.

Celso Torrano
15/08/1998 (em outra forma)

Tenha pena
da cena
encenada por bufões
sustentada por
$ mecenas $

Celso 09/1998

Poeta
frágil criatura
culturágil caricatura

09/09/1998

Cocaina inalada
por uma cabeça avoada
acabará em nada

19/09/1998

Poema prostituto

Prostituo meus versos
entre vendedores de amendoim
entre crianças vendendo pastilhas
entre indigentes pedindo esmola
Minha arte é prostituta
vende-se por dinheiro
não é ars pour ars
sustentada por mecenas
A poesia torna-se
tal qualquer mercadoria
entre flores
e outros artesanatos

Celso Torrano, 17/10/1998


Salvem o poeta!
ele está

b b d
ê a o


e

c
a
i
n
d
o
do céu!

Salvem-no,
salvem!

Celso, 15/01/1999

(Forma alterada. Tá vendo como o tempo deixa tudo um pouco melhor? Só um pouco, pois não existe perfeição, não sou nem um pouco platônico idealista para buscar a coisa em si, a "idéia em si de algo" huahuahua)

Sim, meu amigo
este silêncio que a ti incomodava
tu não o suportava, recorda-te?
ele estava repleto de signos
visíveis apenas a olho nu
não por falsários que se escondem
por trás das palavras

21/07/1999

palavras vazias
sem ritmo
não representam suas ações
pessoas falsas
discursos grandiloquentes
enganam o povo e sua boa-fé
hipocrisia mascarada
plo verbo oco
podre, carcomido

08/08/1999

Já me disseram que o destino
vem ao acaso, num golpe da sorte
Quem disse isso, desatinou
não me engano com menino

Hoje vejo certos frangos bobos
vivendo a se estragar
Não saem das mesmas ruas
só querem saber de snifar

Eu lhe digo meu amigo
companheiro ou camarada
escrevo meus versos
em qualquer linha torta

Antes que a vida esteje morta
vou escolher meu caminho
eu que decido aonde vou
não o vento me leva em seu vôo

06/04/1998, reescrito ao reverso

Como hei de repetir a natureza
com todo seu esplendor
se não tenho os dons, os tons e as cores
para tamanha façanha?
A aranha está a tecer
suas teias, suas artimanhas
o tiziu pula num fio, contente
e a gente, e a gente?
A gente tenta marcar o tempo
deixar o nome na estrada
para que outro venha
e refaça sua arte

21/03/1998

De que adianta ser o poeta louco errante
se não leva sua proposta em sua vida adiante?
Seus pensamentos amargos e obsecados
tolos e ignorantes
somente lançam dardos a todos lados
(...)
E a sua diata anarquia
está imersa numa hierarquia
em que pessoas comuns trampam
para sustentar suas regalias
(...)
O tempo passou num instante
o tempo passaou, passou
e você não fez nada relevante
(...)
Você acha que aprendeu
as malandragens da vida
mas você nem aprendeu
a tratar bem da sua mulher

03/03/1998

Foi para a lua ler Robinson Crusoé

(...)
Vou fugir para o fundo do meu mundo
esquecer a dor, por um segundo
Fui para a lua ler Robinson Crusoe
tanta pressa, esqueci mina mulher

Ora essa, eu sou, eu fui e vou
o lobo da estepe
o homem em xeque
com todo o rancor

Cabeça erguida, pro fundo da mata
vou deixar tudo o que empaca
sou um anti social, um louco um poeta
um homem, um deus asceta ou profeta

(...)

22/01/1998


"Chegou a hora de desmascarar os poetas menores

Dedicado ao poeta revolucionário das palavras e ações Arthur Rimbaud

Poetas, poetas, poetas...
Não me venham com lamúrias hiperbólicas
Palavras difíceis ausentes de conteúdo
(...)
Palavras sem história não me interessam
Não me venham com frecuras literárias
(...)
Não me venham com poemas que não falem do homem de dos problemas políticos e sociais
Palavras sem crítica histórica não nos servem
(...)
Palavras são armas revolucionárias
Não me venham com meta-linguagem
(...)
Não me venham com sua visão romântica sobre a sexualidade
(...)
Poetas, poetas, poetas...
é chegada a hora de acertar as contas com a histórica"

Sergio Ricardo,
de Aracajú-SE

O meu método em bem diferente para com meus escritos. Não preciso copiar o John Fante e rasgar meus escritos ou queimá-los, ou qualquer outro que fazia isto. Não, isso não tem nada de original. Pode até soar bonito não ter piedade de si, mas não tem nada de original.

O que eu faço é deixá-los envelhecer. Não os rasgo não, de modo algum. Deixo-os lá, quietinhos num canto, a sofrer a ação do tempo. Nada sobrevive a ele, nem a mulher mais gostosa do mundo.

Nessa atitude, é uma comparação ao envelhecimento de uma bebida um whisky, uma cachaça de alambique. Não que os poemas ficam melhores com o tempo. Mas o tempo torna melhor a minha pessoa, traz mais discernimento e crítica para evitar de escrever da mesma forma sobre as mesmas bobagens. E nem tenho pdor de mudá-los, pois tudo flui como o rio mesmo, não temos tempo, muito menos medo de temer a mudanças das coisas.

O que se vê acima são alguns poemas sobre o poeta de ontem e de hoje. Esses são dos rebentos de vida: rasgos no peito e do Cria-dor, ambos escritos entre 1998 e 1999, portanto mais de dez anos atrás. Os outros sobre poetas e sobre imagens e visões de São Paulo, presentes nos "Fragmentos", fica para uma próxima.

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